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Alternativa de mediação para crise líbia é recusada

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O projeto da “União Africana” (UA) de solucionar a crise na Líbia pela sua mediação, foi recusado, ontem, dia 11 de abril, pela “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN) e pelos “Rebeldes” que estão enfrentando as tropas de Kadhaffi no país. Os indicativos de que o resultado seria este já apareceram logo após uma divulgação feita pelo grupo de mediadores que  se destinou à Líbia.  Afirmaram que a negociação admitia a permanência transitória do mandatário até a completa substituição do governo e do regime.

O líder rebelde, Mustafa Abdul Jalil, declarou durante uma coletiva de imprensa em Benghazi: “Esta iniciativa (apresentada pelos países da “União Africana”) agora ficou ultrapassada. Desde o primeiro dia, a demanda de nosso povo tem sido pela queda de Kadafi e a queda de seu regime. Portanto, qualquer iniciativa que não inclua essa demanda do povo, demanda popular, demanda essencial, nós não podemos reconhecê-la”.

Kadhaffi ajudou na criação do impasse ao dar à rebelião o contexto de “guerra absoluta” (já que atendendo a condições estabelecidas por Karl Von Clausewitz para que a “guerra absoluta” se apresente). Por isso, o cenário construído ficou  cristalizado na situação de que a solução dos conflitos deva passar necessariamente pelo seu afastamento do poder, mesmo que tal hipótese comece a trazer grandes interrogações por parte da Coligação que o combate.

Um dos pontos mais importantes tem sido a falta de credibilidade por parte de Kadhaffi, pois se afirma que ele não tem o hábito de cumprir o que é pactuado. Um exemplo foi a retomada dos ataques contra os rebeldes em Misrata logo após a “União Africana” ter anunciado que durante o encontro realizado em Trípoli havia concordado em criar um “mapa do caminho” para a paz, incluindo um cessar-fogo imediato.

Analistas afirmam que uma negociação possível seria o afastamento do líder com o seu exílio, pois seriam cumpridas as exigências dos rebelados. Acreditam, contudo, que a recusa da proposta se inverteria, pois não há garantias de que ele não será levado às “Cortes Internacionais” por crimes contra os “Direitos Humanos”. Por esta razão a crise se mantém e crescem as chances de invasão por tropas terrestres.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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