LOADING

Type to search

As reivindicações de Hatoyama para com EUA e em relação à Rússia

Share

Desde sua posse, o primeiro ministro do Japão, Yukio Hatoyama, tem demonstrado comprometimento com assuntos políticos, econômicos e relevantes para a opinião pública japonesa. Da última semana até este momento, aproveitando a visita diplomática dos EUA, o premiê japonês tratou de dois assuntos importantes para o seu país:

1- a presença militar norte-americana no território japonês;

2- a questão das ilhas da costa norte, que estão em posse da Rússia.

Durante a visita do presidente dos EUA, Barak Obama, ao Japão, na cúpula nipo-americana, foi criado um grupo para estudar as negociações sobre a mudança de local da base aérea norte-americana na ilha de Okinawa, situada no extremo sul do país, ocorrida entre os líderes anteriores do Japão e dos Estados Unidos. Tais negociações resultaram no acordo de 2006.

O chanceler japonês, Katsuya Okada, afirmou que irá explorar uma possível integração entre a Base de Futenma, dos fuzileiros navais dos EUA, e a Base Aérea de Kadena, ambas em Okinawa.

Essa possibilidade foi negada pelos Estados Unidos, que pressionam o Japão para implementar o acordo existente, sendo considerada esta a única opção viável. Para Washington, se for prolongada a divergência quanto ao tema, os planos de realinhamento e a possível mudança da base americana serão afetados. Contudo, a insatisfação do governo japonês ficou explícita e isso exigirá do governo dos Estados Unidos uma explicação, quanto a sua oposição em relação à integração das bases em Okinawa.

Além dos desentendimentos quanto à presença dos fuzileiros norte-americanos em Okinawa, Hatoyama se declarou insatisfeito com a Rússia em sua decisão de devolver apenas duas das quatro ilhas ao largo da costa do norte de Hokkaido, que até hoje estão sob sua posse.

Hatoyama se encontrou com a governadora de Hokkaio, Harumi Takahashi, que apresentou ao primeiro-ministro uma petição, solicitando a posse das ilhas o quanto antes. O primeiro ministro japonês disse que se a devolução de apenas duas dessas ilhas fosse aceitável para o Japão, este impasse já teria sido resolvido há meio século.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, se manifestou afirmando que esta disputa territorial deve ser abordada sob uma nova perspectiva, de forma que sejam evitados atritos diplomáticos entre ambas as partes.

Os Estados Unidos e a Rússia estão presentes no território japonês em pontos estratégicos: os norte-americanos no extremo sul, enquanto os russos marcam seu lugar no norte. A presença de ambos os Estados dentro do Japão enfrenta forte oposição da população do país.

Desde sua posse, Yukio Hatoyama tem tratado desses assuntos, mas sem ignorar a importância de manter relações cordiais com essas nações que são fundamentais à manutenção da estabilidade econômica no país.

Embora haja este respeito por parte do governo nipônico, estão ficando cada vez mais claras três coisas: que Hatoyama pretende tornar o Japão independente da presença estrangeira; que deseja reunificar o território, que hoje não está sob administração do governo japonês, e, por último, que objetiva retirar do país a presença militar estrangeira.

Tags:
Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

  • 1

Deixe uma resposta