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Durante a campanha eleitoral de Yukio Hatoyama (atual Primeiro-Ministro do Japão), a criação de uma moeda única asiática foi o tema de grande parte de sua campanha. Demonstrando sua dúvida quanto ao dólar como divisa Global ele ressaltou: “a era da globalização encabeçada pelos Estados Unidos está chegando ao fim e é preciso que o Japão e os países vizinhos negociem uma integração monetária regional, como extensão natural”.

 

A criação de uma moeda única asiática já havia sido discutida entre os membros do ASEAN + 3 (Tailândia, Filipinas, Malásia, Cingapura, Indonésia, Brunei, Vietnã, Laos, Camboja, Papua – Nova Guiné e Timor Leste + China, Japão e Coréia do Sul) no ano de 2007. Hoje, volta a chamar atenção devido as pretensões do Premier japonês.

Durante o encontro da Cúpula do Conselho de Segurança da ONU, realizadoem Nova York, no dia 24 de setembro, Hatoyama conversou com o líder chinês Hu Jintao para discutirem sobre o assunto nos bastidores.

A idéia de Hatoyama é de reforçar as estruturas comerciais dos países asiáticos para resolver questões políticas e econômicas, e “criar regras de cooperação e segurança econômica”, ressaltou o primeiro-ministro japonês. Ademais, ele acredita que esse é o melhor caminho para o estreitamento das relações entre os países do continente asiático neste momento em que o dólar começa a enfraquecer.

Fazendo um retrospecto do primeiro semestre do ano de 2009, os países que fazem parte do grupo conhecido pela sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vem discutindo sobre uma possível nova moeda de troca em negociações internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está bastante interessado em explorar “a possibilidade de novas relações comerciais, não dependentes do dólar”. A Índia também se colocou aberta à discussão.

Não apenas Hatoyama tem dúvidas quanto à posição do dólar como divisa Global. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick afirmou, no dia 22 de setembro, que os Estados Unidos não devem tomar como garantido o dólar como principal reserva mundial, pois no futuro haverá mais alternativas para a moeda americana.

“Os Estados Unidos cometeriam um erro se tomassem como garantido o lugar do dólar como a moeda predominante de reserva”, afirmou, em discurso feito na Escola Paul H. Nitze de Estudos Internacionais Avançados, da Universidade Johns Hopkins.

As razões para essa discussão são devidas as transformações no mercado cambial, pois, hoje, existe uma forte aceitação do Euro no mercado, dado o desempenho recente do BCE (Banco Central Europeu).

“A influência do euro vai depender em parte da competitividade dos países da União Européia nos próximos anos, da profundidade e da liquidez de seus mercados financeiros (…). A capacidade do euro oferece uma alternativa respeitável, caso o dólar enfraqueça”, afirmou.

Além do Euro existe a questão da Internacionalização do Yuan. A China já facilita a realização de transações comerciais com alguns países utilizando as moedas locais ao invés do dólar. É o caso das transações com a Argentina e com o Timor-Leste. Desde maio, o Brasil também está negociando com o governo chinês a substituição das operações em dólar pelas moedas locais.

Lula lembrou que a China, “a despeito da recessão que se abateu sobre o mundo”, passou a ser em 2009 o maior parceiro comercial brasileiro. “É absurdo que duas nações comerciais importantes como as nossas continuem a fazer nosso comércio na moeda de um terceiro país”, disse Lula, numa entrevista publicada na edição mais recente da revista chinesa Caijing.

A busca de cooperação econômica entre os países asiáticos está em discussão, se os interesses de Hatoyama se consolidarem a possibilidade da criação de uma nova moeda comum para continente asiático será uma realidade.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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