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EMBAIXADA DA CHINA INVESTE NA PARADIPLOMACIA E ESTABELECE PARCERIA COM O GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS

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A China continua a avançar seu processo de expansão em investimentos no território brasileiro, sendo Alagoas o mais novo interesse chinês no Brasil. No dia 7 de janeiro de 2011, sexta-feira passada, o embaixador da China no Brasil, Qiu Xiaoqi, visitou Alagoas e foi recepcionado pelo governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), pelo senador João Tenório (PSDB), por Secretários de Estado e por diversos empresários.

 

Na ocasião, o Embaixador defendeu a possibilidade de estabelecer uma relação de cooperação entre o Brasil e a China a partir do Estado de Alagoas, ressaltando suas riquezas naturais e econômicas, que o impressionaram.

Precisamos ter um contato mais estreito. Alagoas tem um potencial natural e econômico que se destaca e isso não pode ser desperdiçado. A economia desse Estado é crescente e por isso precisamos pensar nessas oportunidades, visando um futuro melhor para os dois países”, destacou Xiaoqi.

O Governador apresentou ao Embaixador chinês os setores que mais se desenvolvem, como a cadeia de plástico, que possibilitou o aumento do parque industrial em Alagoas, as produções artesanais e o setor do Turismo.

Segundo informações publicadas pela “Agência Alagoas”, também foram citados setores considerados importantes para o crescimento alagoano, como o agronegócio, a tecnologia, a piscicultura e aqüicultura, dentre outros. “Alagoas é um Estado pequeno geograficamente, mas grande no que diz respeito ao seu potencial. Temos um leque de opções a serem estudadas e avaliadas conforme os interesses da China. Essa é mais uma importante parceria que vai gerar desenvolvimento”, defendeu Teotônio Vilela.

Qui Xiaoqi destacou ter percebido que Alagoas tem uma economia que cresce de forma acelerada nos últimos anos. “É a primeira vez que venho aqui e o principal objetivo da viagem é discutir relação de negócios com Alagoas. A economia da América Latina se desenvolveu muito nos últimos 30 anos. Pretendemos firmar cooperações internacionais entre Brasil e China”, reforçou o Embaixador, em declaração feita na companhia da embaixatriz Lui Min.

No fechamento da reunião, o Governador se comprometeu em visitar a embaixada da China em Brasília para firmar o termo da Cooperação. Por outro lado, o chinês se disponibilizou a debater formas de parceria com as instituições e empresas alagoanas.

Para 2011, a China tem forte interesse em aprofundar as relações com o Brasil, focando no setor energético. Isso ocorre por que o país tem seu crescimento industrial em expansão e, atualmente, já é o segundo maior produtor industrial, estando o Brasil na décima posição.

Em dez anos, a China dobrou sua produção e já tem 15,6% da fabricação de manufaturas no planeta, contra 15,4% do Japão. Esta tendência mostra que a Ásia se transformou na “planta industrial do mundo”, produzindo 44% de toda a fabricação do planeta. A Europa conta com 27%, contra 20,5% na América do Norte. A América Latina corresponde a apenas 6,1% da produção mundial e a África 1,6%.

Essa expansão explica a busca de fontes novas de energia pela China. Como o Brasil possui vários recursos não explorados, o Governo e os empresários chineses estão entusiasmados e confiantes para este ano, sem perder de vista os objetivos principais de aumentar a produtividade interna e sua capacidade comercial global.

Além disso, a China enfrenta o problema do fechamento de minas de carvão, que é uma de suas principais fontes de energia. O encerramento delas se deve à “política de prevenção” para defesa do meio ambiente adotada, que está sendo aplicada de forma rigorosa no país.

Segundo o portal de notícias “Sina.com”, “a China tem um fornecimento planejado de energia de cerca de 4 bilhões de toneladas cúbicas de carvão para os próximos cinco anos, e isso não é o bastante para satisfazer a demanda para o crescimento econômico dobrar”.

Observando esta realidade, o interesse no Brasil fica mais claro: a idéia é de os chineses serem “financiadores” nos Estados brasileiros menos desenvolvidos, como é o caso de Alagoas, firmando “Acordos de Cooperação” com o fim preciso de prover as necessidades de abastecimento energético. Em Mato Grosso e no Pará, por exemplo, empresas chinesas compraram pequenas empresas nacionais do setor de biodiesel e outras fontes renováveis de energia.

A cooperação através da “paradiplomacia” feita entre chineses e cidades brasileiras deverá se intensificar neste ano. Empresas da China vêm tentando negociar com o governo brasileiro a renovação da malha ferroviária do Brasil, desde 2008. Chineses e coreanos tem interesse em ajudar a desenvolver a logística e a infra-estrutura ferroviária para escoar a produção brasileira para aos portos, acreditando que serão beneficiados como parceiros preferenciais nas exportações brasileiras.

Prevê-se que até a “Copa do Mundo de 2014”, que será realizada no Brasil, as transações sino-brasileiras já terão passado totalmente para Real-Yuan, desistindo do Dólar norte-americano nas operações, o que barateará e facilitará as exportações. O “Banco do Brasil” já tem mais de 10 agências na China para cuidar destas operações, faltando, neste momento, a estruturação da “Cooperação Bilateral” neste campo.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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