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OS PRINCIPAIS DESAFIOS DO MUNDO EM 2009 E AS AÇÕES DO BANCO MUNDIAL

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De acordo com informações divulgadas pelo Banco Mundial (BM), no ano fiscal de 2009, a organização atingiu o recorde em financiamentos, tanto nas modalidades de empréstimos e doações, como em investimentos. Os compromissos financeiros da Instituição, para fazer frente aos desafios da crise econômica e financeira mundial, chegaram aos US$ 58,8 bilhões, montante que cresceu 54% comparativamente a 2008.

 

Durante o ano de 2009, o BM teve como prioridade de ação os temas considerados de maior impacto global e mais afetados pela crise. São eles:

SEGURANÇA ALIMENTAR

Devido à alta e volatilidade dos preços dos alimentos em 2009, os líderes do G-20, na Reunião de Cúpula realizada entre os dias 24 e 25 de setembro do ano passado, em Pittsburgh, comprometeram-se em respaldar uma iniciativa multimilionária para estimular a produtividade agrícola e a segurança alimentar.

Para articular e implantar a proposta do G-20*, o BM foi designado a desempenhar um papel de liderança na iniciativa, por ser considerada a instituição mais adequada para fazer frente aos problemas, cuja natureza exige uma ação coordenada em nível global.

Como parte das ações propostas pelo Grupo, o BM aumentará seu apoio ao setor agrícola em US$ 12 bilhões, nos próximos dois anos, como estabelecido no “Plano de Ação para a Agricultura”**, com o objetivo de complementar os esforços relacionados à segurança alimentar.

Ademais, o BM aumentou para US$ 2 bilhões, em abril de 2009, o financiamento do “Programa para fazer frente à Crise Mundial dos Alimentos”*** (GFRP, sigla em inglês), sendo uma medida paliativa, mas com o intuito de proporcionar um alivio aos países muito afetados pelo aumento do preço dos alimentos.

ESTADOS FRÁGEIS

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, os “Estados Frágeis” passaram a ser considerados o principal risco para a estabilidade mundial. Diante destes acontecimentos, a Sociedade Internacional observou que a injustiça social extrema existente nestes Estados favorece a criação de situações de extrema violência, tanto em nível local, como global, ou seja, no atual Sistema Internacional o impacto dos problemas existentes nos Estados Frágeis não repercute apenas diretamente sobre a população destes países, mas reflete em escala mundial.

Nesta conjuntura, os eles passaram a ser prioridade na Agenda da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento que, em 2009, enfrentou diversos desafios.

Desde o Afeganistão até o Haiti, passando pela Somália ou Serra Leoa, os Estados Frágeis do mundo estiveram mais expostos aos riscos da crise financeira devido à redução, em 2009, de duas das suas principais fontes de renda: remessas e exportação de commodities.

Por meio da “Associação Internacional de Fomento” (AIF), o BM submeteu apoio financeiro de curto prazo, no âmbito do Programa para fazer frente à crise mundial de alimentos, acelerando a entrega de US$ 7,8 bilhões em doações e empréstimos a mais de 30 países africanos, em 2009. Em tempos de crise mundial, as medidas de curto prazo nos países que estejam nesta condição passaram a ser prioridade, devido à urgência e gravidade da situação.

O “Relatório de Desenvolvimento Mundial 2011” (RDM) versará sobre os desafios relacionados e esses tipos de Estado e tem por objetivo contribuir concretamente com sugestões práticas sobre como lidar com conflitos e a fraqueza institucional, que caracteriza e permite entender o conceito de “Estado Frágil”. O RDM parte da premissa de que é necessária uma ampla variedade de agentes em nível local, nacional, regional e global para o enfretamento dos problemas que serão discutidos, requerendo a integração das questões relacionadas à segurança, diplomacia, cooperação e desenvolvimento****.

MUDANÇA CLIMÁTICA

Outro tema que desperta grande preocupação da Sociedade Internacional é a questão da mudança climática, muito debatida durante o ano de 2009. Para Robert Zoellick, Presidente do Banco Mundial, “é imprescindível que os países integrem as necessidades de desenvolvimento com as medidas relativas ao clima”.

As ações para o enfrentamento das mudanças climáticas fazem parte das linhas prioritárias do Banco que, para tanto, administra os “Fundos de Investimento no Clima” e o novo programa vigente de “Ampliação da energia renovável nos países de baixa receita”.

O VÍRUS H1N1

O vírus H1N1 surgiu em abril de 2009, no México e nos EUA, de onde se espalhou pelo mundo. Em junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou situação de pandemia e alertou que a doença poderia afetar centenas de milhões de pessoas.

Neste alerta, o BM atuou com o fundo de US$ 205 milhões destinados ao México para combater o surto inicial do vírus e, em novembro, enviou mais US$ 491 milhões. Desde julho de 2009, foram realizadas avaliações para responder à pandemia em 77 nações e mais de 20 países solicitaram ajuda ao Banco.

Apesar de, no momento, não mais se falar do vírus, os trabalhos para o seu enfrentamento continuam. Diversos países doadores e organismos internacionais estão trabalhando conjuntamente para fortalecer os sistemas de saúde, criando as condições necessárias para prevenir e combater o H1N1.

REFORMA DO BANCO MUNDIAL

Levando em consideração a necessidade de reforma do antigo Sistema Financeiro Internacional, em Comunicado lançado no site oficial do BM, em outubro de 2009, Robert B. Zoellick anunciou que o organismo está iniciando um ambicioso programa de reforma para responder mais eficientemente e eficazmente aos desafios da atualidade.

Na reunião da Junta de Governadores do BM, ele afirmou que “Para servir à economia mundial em evolução, o mundo necessita de instituições ágeis, engenhosas, competentes e responsáveis”. Complementou declarando: “O Grupo do Banco Mundial consolidará sua legitimidade, eficiência, eficácia, responsabilidade e ampliará mais sua cooperação com as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional, os demais bancos multilaterais de desenvolvimento, os doadores, a sociedade civil e as fundações que se converteram em agentes de desenvolvimento cada vez mais importantes”.

A reforma, já em curso, poderá iniciar uma transformação do atual Sistema Financeiro Internacional (representação dos costumes, instrumentos e organizações que visam regulamentar as relações entre Estados, mercados e moedas).

A COOPERAÇÃO INTERNACIONAL E O BRASIL

Acima foram destacados alguns dos principais problemas da atualidade em escala global. São problemas complexos, uns palpáveis no dia-a-dia do cidadão dos países (como o temor ao vírus H1N1), outros menos perceptíveis imediatamente (como à questão dos Estados Frágeis), porém, independentemente de sua apreensão imediata, ou objetiva, eles são interdependentes e, por isso, co-responsáveis pelas ameaças que afetam as sociedades particulares, tanto quanto a sociedade global. Por essa razão, tem ficado mais clara a necessidade da Cooperação Internacional para enfrentar os problemas atuais, seja no aspecto local, seja no mundial.

Em 2009, o Brasil obteve maior relevância que nos anos precedentes. Assinou diversos Acordos de Cooperação com vários Estados e organismos multilaterais, tornando-se protagonista, devido, principalmente, ao aumento das suas doações.

Apesar da considerável presença brasileira atual, têm sido observadas falhas no planejamento feito para efetivar a sua inserção neste cenário. Isso ocorre pelo fato de os trabalhos em Cooperação Internacional, que são efetuados com as assinaturas dos Acordos e Parcerias, receberem o suporte de poucos profissionais para identificar, implantar, avaliar e realizar planejamentos de longo prazo neste campo. A razão para tanto não se deve a qualificação desses técnicos da área, que são adequadas, mas a pouca quantidade dos profissionais que existe no país, a qual está aquém da demanda necessária.

Uma das raízes desta falha está na diminuta oferta interna de cursos voltados à capacitação de especialistas em Cooperação, levando a que os interessados no ramo busquem sua formação na Europa.

O lado complementar desta carência é o pouco investimento realizado no Brasil, especificamente para a qualificação desses quadros, que sejam técnica e metodologicamente preparados.

O que termina se mostrando uma incoerência, pelo fato do aumento de Acordos e Parcerias firmados, exigindo mais “mão-de-obra” para atuação na área de Cooperação Internacional. Um campo vasto, cujos profissionais, caso a tendência mundial siga o percurso atual, serão crescentemente mais necessários, não apenas no Brasil, mas no restante do planeta.

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* http://www.pittsburghsummit.gov/mediacenter/129639.htm

** http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Agriculture_Action_Plan_web.pdf

*** http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2010/01/GFRPProjectStatus.pdf  

**** Saiba mais sobre a Estratégia do Banco Mundial para os Estados Frágeis: 

http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/PROJECTS/STRATEGIES/EXTLICUS/0,,menuPK:511784~pagePK:64171540~piPK:64171528~theSitePK:511778,00.html

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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