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PARADIPLOMACIA PARA REFORÇAR AS RELAÇÕES ENTRE BRASIL E CHINA

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As relações entre Brasil e China vêm crescendo em diversas áreas: da cultural até a comercial. No ano de 2009, os dois países têm reforçado a cooperação, com o intuito de manter o estreitamento dessas relações. Não apenas os Estados, mas também as grandes cidades brasileiras e chinesas trabalham com o mecanismo de cidades irmãs, para se beneficiarem da relação dessas duas grandes nações emergentes.

 

O crescimento dos chineses desperta a atenção de muitos povos que pretendem aumentar suas relações com o país, principalmente com interesses de longo prazo.

Por parte da China, tem crescido o seu interesse pelos países lusófonos. Devido a isso, o governo está adotando várias ações: está ampliando sua rede de notícias em português; já está em andamento o projeto da criação de um canal de televisão no idioma português, promovida pela Televisão Central da China (CCTV), cujos planos são de entrar no ar entre os anos de 2010 e 2011, e está sendo feita a ampliação do departamento de português da Rádio Internacional da China (CRI), com o objetivo de atender as nações lusófonas.

Os motivos da ampliação dos meios de comunicação em português são para facilitar o acesso de informações sobre a China para os países membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e atender a demanda interna de chineses que estudam idioma português no país.

Catarina Wu Yichen, jornalista e coordenadora do departamento de língua portuguesa da CRI, informou que existe, só na capital chinesa, um número aproximado de 300 alunos prestes a se formar no idioma português, os quais, pelo currículo do curso, partem  para a cidade de Lisboa, com o intuito de aperfeiçoar o idioma e, após o aprimoramento, são selecionados para trabalharem em empresas chinesas com filiais nos países de língua portuguesa.

Para Wang Yunpeng, vice-presidente da CRI, o aumento de estudantes nesse idioma ocorre pelas oportunidades de trabalho futuro, com o aumento das relações da China com os países de língua portuguesa.

O destino favorito daqueles que pretendem aperfeiçoar o idioma, principalmente os estudantes de Xangai e Xi’Nan, é o município de São Paulo (capital do Estado de São Paulo, no Brasil). A preferência da capital paulista (nome dado a quem nasce no Estado de São Paulo) se deve ao grande número de chineses residentes na cidade, que ultrapassa a marca 105 mil, ou seja, 70% dos 150 mil em todo o estado.

Isso facilita a hospedagem dos estudantes que, em grande maioria, se estabelecem em residência de parentes. Embora haja esta facilidade para os estudantes chineses, o município de São Paulo se beneficia nos setores hoteleiros e no turismo, por intermédio do intercâmbio estudantil.

Para atrair mais turistas, a cidade de São Paulo e a cidade de Xangai estão ampliando as relações por meio da cultura. Um exemplo é o projeto “Tambor e Arte”, que foi apresentadoem São Paulo(nos dias 20 e 21 de outubro); está sendo adaptado para ser apresentado na China e preparado para a “World Expo Xangai”, em 2010, com o tema “Cidade Melhor, Vida Melhor”. A arte de rua paulista é uma das atrações que mais chamam a atenção dos chineses. Por isso, a idéia deste projeto é apresentar a cultura dos habitantes da cidade de São Paulo e atrair futuros visitantes.

São Paulo é cidade irmã de algumas cidades chinesas, além de Xangai, porém, a potencialidade dos benefícios dessa paradiplomacia ainda não foi totalmente aproveitada.

Diferente desse comportamento, o governo do Estado da Bahia tem em seus planos usar do mecanismo das cidades irmãs para atrair novos investimentos da China. Para preservar essa estratégia, uma comitiva representando o governo do Estado da Bahia foi até a província de Shandong, com o objetivo de renovar os acordos de irmanamento  e lá permaneceram entre os dias 17 e 26 de setembro.

Shondong é uma das mais importantes províncias de comércio exterior da China e conta com mais de 1727 empresas no exterior. Sua capital, Jinan, é um dos mais importantes pólos de produção tecnológica chinesa.

No final da viagem, a comitiva do governo da Bahia conseguiu renovar os acordos para aumentar a cooperação entre os Estados (no caso a província chinesa e o Estado brasileiro) irmanados no âmbito institucional, cultural, tecnológico e turístico, por mais dez anos.

Seguindo o exemplo, o estado do Pará caminha para também obter benefícios e investimentos chineses ao seu Estado. Por exemplo, o vice-governador do Pará, Odair Corrêa, foi o único representante brasileiro na “10a Expo Internacional do Oeste da China”.

O vice-governador paraense convidou as empresas chinesas para investirem no Brasil, baseando-se nas palavras do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, quando, em discurso proferido na abertura do evento, disse: “Pelas palavras do próprio ministro chinês, que ouvi agora a pouco na abertura desse evento, que falou sobre questão energética e de transporte, entendo que a bilateralidade das ações a serem desenvolvidas por Brasil e China tem muitos resultados positivos a oferecer. E, havendo possibilidade, também de interação com o estado do Pará.

Durante o evento, além de propor o aumento de investimentos chineses no Brasil, Odair Corrêa assinou, no dia 15 de outubro, o “Acordo de Estados e Províncias Amistosos de Sichuan-Pará”, junto com o governo provincial de Sichuan. Com este Acordo, ambos esperam consolidar a cooperação e o aprofundamento dos laços de amizade entre os povos.

As duas nações, Brasil e China, têm interesses em aumentar a relações e a cooperação em diversas áreas e a paradiplomacia, juntamente com o mecanismo das cidades irmãs, é um caminho que, se for adequadamente explorado, pode ser uma ferramenta mais eficaz para a aproximação de forma benéfica dos dois grandes emergentes.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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