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POR UM NOVO PARADIGMA DE COOPERAÇÃO APÓS O TERREMOTO DE 12 DE JANEIRO NO HAITI

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O terremoto de 12 de janeiro provocou uma cadeia de solidariedade no mundo para o Haiti, mas, para o pastor Pat Robinson, conhecido por seus impulsos racistas a favor das minorias étnicas dos Estados Unidos, esta foi uma excelente oportunidade para apresentar idéias que discriminam a cultura e a história do país. De acordo com ele, devem-se procurar as causas deste desastre natural no “pacto dos haitianos com o diabo” para conseguir a sua independência.

 

Infelizmente, muitas pessoas e setores do Haiti, sem dúvida por ausência de conhecimento técnico, servem para transmitir estes argumentos falaciosos. Um caso concreto é o cônsul haitiano em São Paulo (Brasil), Sr. George Samuel Anthony, que havia dito em uma entrevista com a jornalista Elaine Cortez, como consta na mídia eletrônica brasileira Folha de São Paulo Online, que o terremoto é também resultado do pacto com o diabo e de nossa origem Africana. (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u679672.shtml)

Neste momento, os observadores e intelectuais são aconselhados a ter a obrigação de concentrar suas energias positivas sobre os aspectos muito mais importantes da vida nacional, em vez de tentar criar uma polêmica sobre essas afirmações obscurantistas. Além disso, Antenor Firmin, o autor de “A Igualdade das Raças Humanas“, “As Cartas de St. Thomas” etc., ainda vivo em sua mente, já deu as respostas adequadas a estas teses insensatas, infundadas e não científicas, durante o século passado.

Hoje, é um momento oportuno para levantar o problema da cooperação internacional seguindo este espírito de solidariedade gerada pelo terremoto destrutivo e está percorrendo o mundo. É importante realizar uma avaliação profunda da qualidade da cooperação internacional durante os últimos 20 anos no país.

Neste sentido, podemos concentrar a nossa análise sobre uma declaração de David Brooks, em um artigo publicado no “The New York Times”, em 14 de janeiro de 2010, afirmando que os micro-projetos financiados pelas multidões de ONGs que trabalham em nome de Deus no Haiti não deram resultados até agora. Em vez disso, elas têm fortalecido a nossa dependência e vulnerabilidade. Ele disse ainda que o Haiti é o país que tem maior número de ONGs per capita que qualquer outro no mundo.

Nesse sentido, acreditamos que a comunidade internacional tem grande responsabilidade neste desastre, tanto quanto os nossos dirigentes. Ela está na contabilidade dos ativos e passivos dos grandes eventos ocorridos durante os últimos 20 anos e seu peso foi significativo na tomada de decisões estratégicas importantes no Haiti, pois sua presença nas instituições públicas do país foi crucial.

A constatação hoje tangível é de que a cooperação internacional é improdutiva. Ela não foi capaz de obter os resultados desejados e está beneficiando apenas o grupo de autoridades estrangeiras locais, muitas vezes gestores incompetentes de ONGs (que recebem altos salários para trabalhar sem sucesso) e dirigentes públicos corruptos, que usam fundos internacionais para beneficiar seus clãs políticos. O escândalo do fundo de emergência de 197 milhões de dólares é um exemplo concreto.

O terremoto de 12 de Janeiro criou uma nova dinâmica de cooperação, mas está se caracterizando pelo mesmo paradigma adotado pelas ONGs até agora: assistencialista e de microprojetos. Se não mudar de rumo, ainda teremos de lamentar os resultados nos próximos 20 anos, pois as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos. Para que a Cooperação Internacional seja durável, eficiente e produtiva, o momento histórico exige que se executem essas duas grandes ações:

1 – No curto prazo, a criação de um “Observatório sobre a Cooperação Internacional no Haiti”, com a participação do governo, do poder judiciário, do poder legislativo e de setores organizados da sociedade civil para monitorar a eficiência dos gastos, a credibilidade dos operadores e a qualidade das medidas adotadas. O observatório deverá implicar no estabelecimento de um quadro abrangente, com o intuito de criar sinergias entre os diferentes atores e setores. É uma ruptura com o paradigma “ONGuista” adotado até agora e com os microprojetos, incapazes de produzir resultados concretos.

2 – A “definição de um plano estratégico de longo prazo”, com as idéias de “Conferência Nacional” e “Contrato Social” defendidas, respectivamente, pelo Dr. Delpé e pelo “Grupo dos 184”*, com a participação e inclusão de todos os componentes da vida nacional, estabelecendo um projeto de desenvolvimento sustentável para os próximos 25 anos.

Após a Guerra da Coréia, no início dos anos 50, a Coréia do Sul dependia totalmente da ajuda internacional. A partir de 1960, por meio de um plano estratégico de ação de 35 anos, com base em 7 planos qüinqüenais, este país tem feito o milagre para o caminho do progresso e do desenvolvimento, de acordo com analistas e observadores da política internacional.

De uma renda per capita de U$ 60.00, no início da década de 60, ele subiu para o nível de U$ 13,000.00,  em 1997. Hoje é uma das economias mais bem sucedidas do mundo moderno, com um nível de desenvolvimento social muito alto. Neste sentido, o milagre haitiano também é possível.

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* O “Grupo dos 184” é um grupo composto por indivíduos e organizações haitianas de vários setores da sociedade civil. Fazem parte dele: empresas, organizações, meios de comunicação, instituições de educação etc., que se uniram na oposição a Jean-Bertrand Aristides e ao seu partido Fanmi Lavalas (o Fanmi Lavalas é visto pelos especialistas em política haitiana como um partido populista de esquerda, tendo como líder o ex-presidente Aristides). O nome do “Grupo dos 184” deriva do número total de organizações que se supõe compô-lo, sendo frequentemente abreviado para G184.

 

ORIGINAL

Cooperation internacionalePour un nouveau paradigme de cooperation  après  le séisme du 12 janvier

Le séisme du 12 janvier a déclenché toute une chaine de solidarité dans le monde envers notre pays, pourtant pour le Pasteur  Pat Robinson connu pour ses élans racistes envers les minorités ethniques des Etats Unis, ce fut une excellente opportunité pour avancer des thèses discriminatoires envers notre culture et notre histoire. D’après lui, il faut rechercher les   causes de ce désastre naturel dans notre pacte  avec le diable pour obtenir notre indépendance. 

Malheureusement  beaucoup de personnes et secteurs en Haïti, sans doute dû au manque de connaissances techniques, servent de relais à ces thèses  fallacieuses. Un cas concret en constitue le Consul Haïtien à Sao Paulo, Brésil, Monsieur Georges Samuel Antoine qui eut à déclarer dans une entrevue  à  la journaliste brésilienne du média électronique, Folha Online de Sao Paulo, Madame Elaine Cortez,   que le séisme est aussi du au pacte avec le diable et à notre origine africaine. (Source : http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u679672.shtml)

A ce moment précis,  les observateurs et intellectuels avisés ont pour devoir de concentrer leurs énergies positives sur des aspects beaucoup plus importants de la vie nationale,  au lieu de chercher à créer une polémique sur ces affirmations  obscurantistes.  D’ailleurs, notre brillant  Antenor Firmin, l’auteur de « l’Egalité des Races Humaines », « Les Lettres de Saint Thomas », etc.,   toujours vivant par sa pensée, en a déjà donné les répliques appropriées durant le siècle passé, à ces thèses insensées,  infondées et ascientifiques.

Aujourd’hui, c’est le moment opportun de poser la problématique de la coopération internationale suite à cet élan de solidarité  généré par ce séisme destructeur à travers le monde.  Il est important de procéder à une profonde évaluation sur la qualité de la coopération internationale durant les 20 dernières années.   En ce sens,  nous  centrons  notre analyse sur une déclaration de David Brooks qui dans un article dans le New York Times en date du 14 janvier 2010 affirme que les microprojets financés par les multitudes d’ONGs qui œuvrent au nom de Dieu en Haïti  n’ont donné aucuns résultats concrets jusqu’a date. Au contraire, elles ont contribue a renforcé notre dépendance et notre vulnérabilité. Il a ajouté, Haïti est le pays qui a le plus grand nombre d’ONG per capita que tout autre pays dans le monde.

En ce sens, nous pensons que l’international au même titre que nos dirigeants, a une grande responsabilité dans notre débâcle, il est aussi comptable des actifs et passifs des grands événements durant les 20 dernières années. Son poids a  été toujours  considérable dans la prise de grandes décisions stratégiques du pays, sa présence dans les  institutions publiques du pays a été décisive.

Le constat aujourd’hui est tangible, la coopération internationale  est improductive. Elle n’a pas su délivrer  le résultat escompté.. Elle bénéficie seulement à la camarilla de fonctionnaires étrangers locaux fort souvent incompétents, aux  directeurs d’ONG qui perçoivent des salaires mirobolants pour un travail sans résultats et  aux dirigeants publics corrompus qui utilisent les fonds internationaux au bénéfice de  leurs clans politiques. Le scandale des 197 millions de dollars des fonds d’urgence en est un exemple concret.

Le séisme du 12 janvier a créé une  nouvelle dynamique de coopération, mais caractérisée par le   même paradigme ONGiste, assistancialiste et de microprojets. Si nous ne changeons pas de cap,  nous aurons encore à déplorer les résultats dans les 20 prochaines années. Les mêmes causes produiront toujours les mêmes effets.  Pour que la  coopération  internationale soit durable, efficace et productive, le momentum historique implique de  prendre ces deux grandes actions:

1-      Dans le court terme, la mise sur pied d’un observatoire sur la coopération internationale avec la participation du gouvernement, du pouvoir judiciaire, du pouvoir législatif et des secteurs organisées de la société civile en vue de contrôler l’efficacité des dépenses, la crédibilité des operateurs et la qualité des  actions. Cet observatoire impliquera la mise en place d’un cadre global pour créer une synergie entre les différents acteurs et secteurs. C’est une rupture avec le paradigme ONGiste et de microprojets incapables de produire de résultats concrets.

2-      La définition d’un plan stratégique sur le long terme à travers les idées de conférence nationale, contrat social, prônées respectivement par le   Docteur  Delpé et le Groupe des 184, avec la participation et l’inclusion de toutes les composantes  de la vie nationale  la mise sur pied d’un projet développement durable sur les 25 prochaines années.  Apres la guerre de Corée au début des années 50, la Corée du Sud dépendait totalement de l’aide international. A partir de 1960, grâce à un plan stratégique d’actions de 35 ans, basé sur 7 quinquennats,  ce pays a opéré un miracle selon les analystes et observateurs de la politique internationale pour emprunter   la voie du progrès et du développement.   D’un revenu per capita de 60 dollars dans le début de la décennie des années  60,  il est passé au niveau des 13,000 dollars en 1997.  Aujourd’hui,  c’est l’une des  économies les plus performantes du monde moderne avec  un niveau de développement social très élevé. En ce sens, le miracle haitien est aussi possible.

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Jean Garry - Porto Príncipe (Haiti)

De nacionalidade haitiana, é formado em Marketing pela Universidad Interamericana de Santo Domingo, possui Pós-Graduação em Gestão de Projetos Sociais pela Universidad Autónoma de Santo Domingo e Mestrado em Economia pela Universidad Internacional de Andalucía (Espanha). É graduado no Curso de Gerenciamento Social do Instituto de Desenvolvimento Social (INDES) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington, e do curso Gestão Estratégica do Desenvolvimento Social e Regional da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL) em Santiago do Chile. Tem experiência como Gerente de Marketing em diversas empresas privadas e trabalhou como consultor em Desenvolvimento Comunitário do Ministério de Obras Públicas do Haiti e em diversos projetos de desenvolvimento.

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