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“Acordo Nuclear Chile-EUA”

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Na sexta-feira, próxima, dia 18 de março, os EUA e o Chile assinarão um “Acordo de Cooperação Nuclear” sobre o qual não foram divulgados grandes detalhes, mas que se acredita envolverá a construção de usinas para geração de energia (fins pacífico).

Chile e EUA têm significativo histórico de relações econômicas, trocas comerciais e alianças políticas. Mesmo durante o período do governo de centro-esquerda da “Concertación”, os Acordos foram assinados e as parcerias desenvolvidas.

Ao longo das últimas décadas a questão nuclear constantemente foi posta para a sociedade chilena devido a carência energética do país. O Chile apresenta grande dependência do gás boliviano, o qual é fornecido pela Argentina. O intermédio argentino se deve aos problemas diplomáticos gerados pelos contenciosos políticos e territoriais entre Bolívia e Chile, apesar das constantes negociações  entre os dois países acerca de uma saída boliviana para o mar.

O Acordo que será assinado antes da visita de Barack Obama (que chegará no dia 21 de março, segunda-feira), está sendo criticado pela oposição ao governo chileno, pois ela considera que há precipitação no processo, já que não houve discussão na sociedade, há perigos que não foram considerados e se exige um profundo debate.

Segundo o integrante da “Comissão de Recursos Naturais”, Patricio Vallespín, que também é o chefe do partido de oposição na “Câmara de Deputados” chilena, o “Democracia Cristã”, “a assinatura deste convênio é antecipada e carente de suporte dos envolvidos”, ressaltando que “nem foi aberta uma discussão sobre este tipo de energia”, algo que requer “um profundo debate”, pois “não sabemos do que se trata, a quem envolve ou quais são seus objetivos finais”.

Rebatendo o argumento do oposicionista, Juan Lobos, um deputado do partido de situação “União Democrata Independente” (UDI) declarou que o ocorrido no Japão “não justifica uma suspensão no desenvolvimento nuclear no Chile”, pois seu país tem vantagens que outros não apresentam. Ele destaca que é possível “construir estas usinas a centenas de quilômetros dos centros populacionais, como no deserto, e incorporando tecnologia de última geração para evitar qualquer perigo às pessoas e ao meio ambiente”.

Analistas tendem a concordar com o deputado Juan Lobos, pois afirmam que além dessas vantagens excepcionais, a questão nuclear já é considerada no Chile há décadas como uma saída para a carência de fornecimento de energia, ao contrário do que afirma o deputado opositor.

Além disso, destacam que o país sofre crises constantes de abastecimento, com estimativas de esgotamento para os próximos 15 anos, fato importante a ser acrescentado à grande dependência externa.

Afirmam ainda que as relações constantemente produtivas com os EUA permitem que seja realizado um Acordo dentro dos parâmetros internacionais e, devido aos laços de confiança estabelecidos entre os dois países, que os interesses estratégicos chilenos tenderão a não ser afetados.

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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