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Corporações multinacionais contrataram serviços de monitoramento de manifestantes

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Conforme documentos vazados para o jornal The Guardian e para o consórcio de jornalistas Bureau for Investigative Journalism, grandes multinacionais contrataram os serviços de empresas de segurança para monitorar e espionar indivíduos ou grupos considerados como ameaças. As empresas de segurança possuíam membros infiltrados em grupos ambientalistas e civis que organizavam manifestações contra as multinacionais envolvidas.

Logo da British Airways

Corporações e instituições como Porsche, Caterpillar, British Airways, Royal Bank of Scotland, entre outras, aparecem nos documentos vazados. De acordo com os mesmos, as multinacionais contrataram os serviços das companhias C2i International e Inkerman Group, tidas como referências em um mercado que raramente é observado e/ou regulado.

Policiais britânicos já alertaram sobre o escopo das empresas de espionagem corporativa e estimam que elas possuem mais membros infiltrados em grupos políticos do que o contingente de policiais infiltrados em organizações criminosas e afins.

Logo da Caterpillar

O tipo de atuação delas consiste na infiltração e coleta de informação a respeito de manifestantes, indivíduos e grupos políticos. Nos documentos, a C2i International alega possuir “recursos de inteligência em tempo real” em uma variedade de campanhas ambientais, incluindo as do Greenpeace e do Friends of the Earth.

Em um caso específico, a Caterpillar, uma das maiores fabricantes de maquinários pesados do mundo, contratou os serviços da C2i International para espionar e monitorar a família da estudante Rachel Corrie, de 23 anos, que morreu esmagada por um dos tratores da Caterpillar quando estava protestando contra a destruição de casas palestinas na fronteira com Israel, em 2003.

Logo da Porsche

A família de Corrie processou a empresa acusando a multinacional de cumplicidade em crimes de guerra, por supostamente saber que os tratores e maquinários utilizados por Israel seriam usados na destruição de abrigos palestinos. Conforme divulgado, durante e após o processo, a C2i International infiltrou membros no grupo de manifestantes que apoiava a família e reportou informações a respeito do avanço do processo, e da organização de protestos e manifestações contra a Caterpillar.

A expansão do mercado de espionagem e monitoramento já foi previamente observado no CEIRI Newspaper. No entanto, tratava-se de Estados contratando empresas de segurança cibernética para espionar jornalistas, políticos, entre outros. O recente vazamento de informações evidencia uma prática similar no setor privado, porém, trata-se de uma abordagem mais especializada por envolver membros infiltrados fisicamente em manifestações. Ainda não foram obtidas informações do escopo das operações de empresas de espionagem e monitoramento corporativo no ciberespaço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Um dos tratores produzido pela Caterpillar” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=10417010

Imagem 2Logo da British Airways” (Fonte):

https://www.britishairways.com/

Imagem 3Logo da Caterpillar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Caterpillar_logo.png

Imagem 4Logo da Porsche” (Fonte):

https://www.porsche.com/

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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