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A corrida global pelos supercomputadores: o poder absoluto na linha de chegada

“Quanto mais poderoso o computador, mais realistas são os modelos, que, por sua vez, fornecem aos cientistas previsões mais confiáveis ​​sobre o futuro e recomendações mais concretas acerca do que as empresas e os governos precisam fazer dentro dos cenários previstos.”

Daniela Alves
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No dia 11 de janeiro, quinta-feira passada, a Comissão Europeia anunciou que vai investir 1 bilhão de euros no desenvolvimento de supercomputadores exascale até 2020, com o objetivo de acompanhar as condições das pesquisas nos Estados Unidos e na China. Um supercomputador exascale representaria um quintilhão de cálculos por segundo. Para efeito comparativo, cinco Exabytes (EB) equivaleriam a todos os tons de cada palavra já pronunciada pela humanidade

O Comissário de Pesquisa da União Europeia (UE), Carlos Moedas, admitiu que a Europa ficou atrás dos EUA e da China em pesquisa de tecnologia. “Com os computadores de alto desempenho os países europeus poderiam ter outra chance de competir em campos emergentes, como a inteligência artificial”, argumentou.

Por sua vez, Andrus Ansip, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Mercado Único Digital, afirmou que “os supercomputadores são o motor da economia digital. Nesta dura competição, a UE está ficando para trás: nenhum dos nossos supercomputadores figura na lista dos 10 melhores do mundo. (…) queremos dar aos pesquisadores e às empresas, até 2020, uma capacidade de computação de vanguarda mundial, para que possam desenvolver tecnologias, como inteligência artificial, e conceber as aplicações quotidianas do futuro em áreas como a saúde, a segurança ou a engenharia”.

Duas vezes por ano, uma organização chamada TOP500 publica uma lista dos supercomputadores mais rápidos do mundo. A versão mais recente da lista apresenta que os cinco principais são da China, Suíça, Japão e Estados Unidos.

Titan: o supercomputador mais rápido dos EUA

Ao ver que está perdendo posições, os EUA querem voltar ao topo da lista, por isso, em 2017, o Departamento de Energia norte-americano concedeu um total de 258 milhões de dólares a seis empresas para promoverem a pesquisa e o desenvolvimento do primeiro supercomputador exascale do mundo.  

As empresas dos EUA que receberam o financiamento do governo – Hewlett Packard, Intel, Nvidia, Advanced Micro Devices e Cray – trabalharão com o sistema para resolver problemas de eficiência energética, confiabilidade e desempenho geral. Em contrapartida, as empresas que receberam as subvenções cobrirão pelo menos 40% do custo dos próprios projetos de pesquisa.

A computação em nível de exascale permitirá aos cientistas realizar simulações digitais extremamente precisas de sistemas biológicos, o que poderia revelar respostas a questões urgentes como mudanças climáticas e crescimento de alimentos que possam resistir a seca. Quanto mais poderoso o computador, mais realistas são os modelos, que, por sua vez, fornecem aos cientistas previsões mais confiáveis ​​sobre o futuro e recomendações mais concretas acerca do que as empresas e os governos precisam fazer dentro dos cenários previstos.

Acredita-se que a computação exascale também terá um grande impacto na segurança nacional dos EUA, pois permitirá a coleta e processamento de um número muito maior de dados que serão analisados ​​rapidamente para avaliar e prever ameaças potenciais. 

Mapa da Província chinesa de Shandong

Por sua vez, de acordo com o South China Morning Post, a China pretende concluir, em 2019, a construção de uma máquina exascale na costa da província de Shandong para apoiar a pesquisa oceânica no Mar da China Meridional e impulsionar a expansão marítima do país.

A questão mais importante para nós não é se a China pode construir um computador exascale, ou com que rapidez, mas por que”, afirmou Hong An, professor de ciência da computação da Universidade de Ciência e Tecnologia da China em Hefei. “Existe realmente uma corrida entre as nações em supercomputadores, mas essa não é nossa preocupação. Nossa preocupação é o oceano”, complementou o professor.

Em poucos anos os chineses efetivamente apertaram seu controle sobre o Mar da China Meridional, descartaram as reivindicações de numerosos vizinhos sobre águas disputadas, adquiriram portos militares no sul da Ásia e na costa leste africana, desenvolveram alguns dos submarinos nucleares mais avançados do mundo com movimentação eletromagnética, exploraram vastas áreas do fundo do mar para depósitos de energia e minerais e lançaram a Iniciativa Belt and Road (Nova Rota da Seda) para fortalecer os laços econômicos com outros países.

Ainda de acordo com o portal South China Morning Post, os navios chineses, os postos navais e as instalações de monitoramento não tripulados – incluindo uma rede global de bóias, satélites, sensores do fundo do mar e planadores subaquáticos – geram inúmeros dados a cada segundo. De acordo com pesquisadores marinhos, esses dados contêm uma grande variedade de informações, como leituras de corrente do mar, produtos químicos traçados, clima regional e anomalias na densidade da água, que podem ser usadas para ajudar os submarinos a evitar turbulências para a negociação de cortes nas emissões de gases de efeito estufa.

Imagem Ilustrativa – Supercomputadores & Dados

Para Feng Liqiang, diretor operacional do Centro de Dados de Ciência Marinha em Qingdao (China), o computador exascale seria capaz de juntar todos os conjuntos de dados relacionados à marinha para realizar a análise mais abrangente de todos os tempos. “Isso ajudará, por exemplo, a simulação dos oceanos em nosso planeta com resolução sem precedentes. Quanto maior a resolução, mais confiáveis ​​são as previsões sobre questões importantes como El Niño e as mudanças climáticas”, disse ele. “Isso dará à China uma maior influência sobre os assuntos internacionais”, acrescentou Feng.

A corrida global pelo supercomputador exascale está em ritmo acelerado e o país que conseguir concluí-lo primeiro conseguirá formas mais avançadas e precisas de prever o futuro e entender o presente, colocando este país muito além dos demais em termos de realização científica e tecnológica, o que, por sua vez, se traduz em poder econômico e capacidade política e militar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Sunway TaihuLightsupercomputador chinês é o mais rápido do mundo” (Fonte):

https://www.top500.org/static//featured/TaihuLight.jpg

Imagem 2 “Titan: o supercomputador mais rápido dos EUA” (Fonte):

https://nextshark-vxdsockgvw3ki.stackpathdns.com/wp-content/uploads/2016/06/800px-Titan2.jpg

Imagem 3 “Mapa da Província chinesa de Shandong” (Fonte):

https://6lli539m39y3hpkelqsm3c2fg-wpengine.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2017/08/shandong-province-map.gif

Imagem 4 “Imagem Ilustrativa  Supercomputadores & Dados” (Fonte):

https://cdn.nanalyze.com/uploads/2017/11/Quantum-Computers-vs-Mainframes-vs-Supercomputers-Teaser.jpg

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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