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Cresce a desaprovação popular à adesão da Geórgia à OTAN

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Em pesquisa realizada em abril de 2017, e recentemente divulgada pelo Caucasus Research Resource Center (CRRC), 21% dos georgianos declararam não apoiar a adesão de seu país a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ao passo que 68% se mostraram favoráveis. Apesar de ainda serem larga minoria, os respondentes contrários à OTAN mais que dobraram nos últimos cinco anos. Em 2012, em uma consulta popular conduzida pelo mesmo instituto, apenas 6% dos entrevistados se disseram avessos a integração da Geórgia na aliança militar ocidental.

Tanque de combate russo na Ossétia do Sul

Desde que reconquistou sua independência, em 1991, a Geórgia busca se afastar de seu passado soviético e vem orientando sua política externa em direção ao Ocidente. O país trava uma relação conturbada com a Rússia, que não vê com bons olhos a perda de sua influência sobre a ex-república socialista. A deterioração chegou ao ápice com a guerra russo-georgiana de 2008, cujo o resultado foi a perda definitiva das regiões separatistas da Ossétia do Sul e Abecásia. Sofrendo intensa pressão de Moscou e sem meios de prover sua própria segurança, a Geórgia crê que o único caminho para garantir a independência seja por meio da adesão ao Tratado euro-atlântico, objetivo declarado de todos os governos que passaram por Tbilisi nas últimas duas décadas.

Logo da Cúpula de Bucareste de 2008

Os 29 países que formam a OTAN se dividem a respeito da expansão da aliança para o Cáucaso do Sul. Os EUA lideram o bloco favorável à medida, que também conta com a maioria dos Estados do Leste Europeu. Em oposição está o bloco liderado pela França e Alemanha, contrário a absorção de novos membros por temer uma provável confrontação com a Rússia. Diante desse impasse, a decisão de oferecer o convite de associação à Geórgia continua em compasso de espera. Em 2018 terão se passado dez anos da Reunião de Cúpula de Bucareste, cuja declaração final contava com a promessa de que a Geórgia, e também a Ucrânia seriam admitidas na Organização. Tamanha demora causa frustração, que agora começa a ser verificada pelas pesquisas.

Apesar da maioria da população ainda ser a favor da integração com o Ocidente e o Governo publicamente demonstrar seu apoio, observa-se uma dissipação do clima essencialmente anti-russo que vigorava entre a sociedade e a classe política nos últimos anos. A administração atual vem adotando um tom menos beligerante em seu diálogo com Moscou e um partido abertamente pró-Rússia conseguiu, de maneira inédita, conquistar assentos no Parlamento nas eleições realizadas em outubro de 2016. Seguindo essa tendência, e caso a inação da OTAN persista, corre-se o risco de que o convite de adesão seja recusado quando finalmente chegar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Logo OTAN” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_do_Tratado_do_Atlântico_Norte

Imagem 2Tanque de combate russo na Ossétia do Sul” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Russo-Georgiana

Imagem 3 Logo da Cúpula de Bucareste de 2008” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2008_Bucharest_summit

Rodrigo Monteiro de Carvalho - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em História também pela UFRJ. Atua na área de Política Internacional, formação de alianças e segurança regional. Desenvolve pesquisas com enfoque específico no estudo dos países do Cáucaso do Sul, Eurásia e espaço pós-soviético. É membro do Grupo de Pesquisas de Política Internacional (GPPI/UFRJ) e do Laboratório de Estudos dos Países do Cáucaso (LEPCáucaso).

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