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Crescem as tensões na fronteira entre Índia e China

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Estão aumentando as tensões na fronteira entre Índia e China, mais precisamente na região de Doklam, nos Himalaias, que é um território reivindicado pela China e pelo Butão. As ações começaram no mês de junho deste ano (2017) e a Índia posicionou tropas no Tibete, após ter ocorrido um pedido de ajuda do Butão para a resolução deste impasse. O Governo chinês, por sua vez, alertou que a Índia deve retirar suas tropas imediatamente.

Mapa detalhado da Fronteira entre Índia e China

É importante lembrar que Índia e China já travaram uma guerra por questões fronteiriças* no ano de 1962, durante a Guerra Fria. Naquele contexto a China obteve a vitória, conseguindo anexar uma parte dos territórios em disputa. A conjuntura política e militar do sistema internacional e dos atores envolvidos é muito diferente no período atual e a probabilidade de que estas tensões escalem para um conflito armado é pequena, devido à posse de armamento nuclear por ambas as partes.

Os documentos históricos e tratados internacionais disponíveis fortalecem a posição chinesa na região de Doklam. A Ásia Central e a Ásia Meridional são espaços de disputa geoestratégica, onde diversos atores tentam projetar sua influência. Desta forma, estabelece-se um equilíbrio instável entre as principais potências locais: Rússia, Índia e China, com eventuais movimentos de atores menores, mas que possuem relevância, tais como o Paquistão. Os Estados Unidos, de sua parte, influenciam o complexo regional através de suas boas relações com o Estado indiano e de sua presença no Oriente Médio.

Deve-se ressaltar que o prosseguimento deste impasse poderá apresentar um efeito adverso para o comércio regional. Além disto, partindo de um ponto de vista estratégico, o prolongamento das tensões nos Himalaias serve como incentivo para a aproximação da Índia em relação aos Estados Unidos. Recentemente, o país negou abertamente a participação na Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative), principal projeto da política externa de Xi Jinping, Presidente chinês, fator que exacerba as visões divergentes destes atores acerca do seu espaço regional.

Espera-se que a Cúpula dos BRICS que ocorrerá no mês de setembro (2017), em Pequim, seja uma oportunidade para promover o entendimento acerca de suas fronteiras. A adesão da Índia como membro pleno da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) apresenta outro importante espaço de diálogo e negociação sobre os interesses conflitantes na região da Eurásia.

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Notas e Fontes consultadaspara maiores esclarecimentos:

A fronteira entre Índia e China tem 3.500 quilômetros de extensão

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem estilizada mostrando as bandeiras de China e Índia” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/8/7329/8716448828_dfe9d23b03_z.jpg

Imagem 2 Mapa detalhado da Fronteira entre Índia e China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Sino-Indian_Geography.png

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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