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Crescimento e liberdade não caminham totalmente juntos na África Subsaariana

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Na primeira semana de março, o Banco Mundial divulgou as últimas projeções de crescimento para uma das principais economias africanas: o Quênia ilustra o dinamismo das nações subsaarianas, cujas economias atrelam-se significativamente ao Estado. Segundo o Banco Mundial, se no ano de 2014 este país cresceu 5,4%, nos próximos três anos a taxa média de crescimento econômico será entre 6% e 7%[1].

Sendo uma das principais regiões emergentes do mundo, a África Subsaariana é estudada hoje pelas principais instituições financeiras e think-tanks de todo globo. Por serem países em sua maioria dependentes da exportação de commodities para sustentar o crescimento econômico, comumente vemos recomendações de política econômica por parte dos órgãos internacionais para que privilegiem a criação de um ambiente institucional e fiscal que impulsione a indústria[1].

Em comunicado oficial no dia 5 de março, Diarietou Gaye, Diretor do Banco Mundial para o Quênia, afirmou ser impreterível que este país “continue a investir em infraestrutura e na geração de emprego, bem como melhorar o ambiente de negócios e promover a exportação[1].

As recomendações objetivam dinamizar a indústria e o setor privado em nações cujo peso do Estado é visto por muitos como excessivo. Para muitos analistas, a “mão forte” do Estado mitiga o desenvolvimento humano em tais nações[2]. Em muitas delas, como no Zimbábue e em Angola, há pouca transparência pública, bem como um restrito ambiente para promoção de opiniões divergentes, de críticas ao Governo e de escolha de representantes políticos[3]: os Presidentes de ambas as nações estão no cargo há mais de 30 anos.

Outros, por sua vez, afirmam que a recente expansão econômica na região não seria possível sem a forte presença estatal e que os atuais problemas relacionados ao respeito a Direitos Humanos e a democracias falhas será resolvido no longo prazo[2]. “Sem comida no prato não há espaço para um sistema democrático, pois as pessoas precisam de pão[2], afirmou Haji Gendo, porta-voz do Ministério das Finanças e de Desenvolvimento Econômico da Etiópia.

Contudo, superando o debate econômico se a intervenção estatal é sadia ou não, não se pode negar que o expressivo poder de alguns Governos das nações subsaarianas traz problemas como a falta de transparência e de promoção de liberdades individuais. Não à toa, casos de perseguição política e de repressão a opositores têm sido comumente divulgados pela mídia internacional[4][5].

Na Etiópia, a questão vai além da perseguição política por parte do Governo: críticos afirmam que o Estado, ao liderar o crescimento econômico na região, desrespeita as liberdades individuais e os direitos de cidadãos que são vistos como entraves à expansão econômica. No ano passado, 9 estudantes morreram em protestos contra o Governo; ao redor do país, milhares de pessoas são deslocadas para a construção de obras públicas, sem, na maioria das vezes, receber a compensação adequada[2].

Pertencentes a uma esfera pública pouco democrática e com pouco espaço para emitir opiniões divergentes, inúmeros africanos utilizam das redes de comunicação para expressar sua indignação. Através da comunicação transnacional, por meio de blogs e de redes sociais, suas reivindicações ganham espaço no cenário internacional, incentivando intervenções externas.

Dessa maneira, por meio de conexões internacionais, poderemos testemunhar nos próximos anos uma pressão externa maior sobre as instituições políticas africanas. Porém, é evidente que a consolidação de uma verdadeira democracia somente poderá ocorrer após as condições materiais da população estarem satisfeitas.

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Imagem (Fonte Abramjee.com):

http://abramjee.com/tag/freedom/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Banco Mundial:

http://www.worldbank.org/en/news/press-release/2015/03/05/kenya-among-the-fastest-growing-economies-in-africa

[2] Ver The New York Times:

http://www.nytimes.com/2015/03/04/world/africa/ethiopia-an-african-lion-aspires-to-middle-income-by-2025.html?ref=africa

[3] Ver Human Rights Watch:

http://www.hrw.org/pt/news/2014/11/04/comunicacao-angola-nega-reprimir-media-protestos

[4] Ver Africa on the blog:

http://www.africaontheblog.com/eu-africa-relations/

[5] Ver African Arguments:

http://africanarguments.org/category/politics-now/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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