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A Crise de Glas: o efeito Odebrecht no Equador

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As revelações sobre a rede de corrupção sustentada pela Construtora Norberto Odebrecht não se restringem ao Brasil. O jornal brasileiro “O Globo” tem denunciado o pagamento de propinas pela Odebrecht ao vice-presidente do Equador, Sr. Jorge Glas. Foi revelado áudio de conversa entre o executivo da empreiteira brasileira, José Conceição dos Santos Filho, e o ex-Controlador Geral do Estado, Carlos Pólit. Nesta gravação, Glas é mencionado pelo executivo da multinacional. Ele afirma: “Jorge Glas me havia pedido dinheiro para todos os contratos. Queria em todos os contratos”.

Lenín Moreno, atual Presidente do Equador, durante sua posse, em 24 de maio de 2017

A denúncia tem repercutido amplamente na imprensa equatoriana. As manchetes são as mais variadas. O jornal “El Universo” publicou matéria com a seguinte manchete: “O Globo: delator da Odebrecht pagou pelo menos $ 14 milhões em suborno a Jorge Glas”. A reportagem afirma que o alto executivo da empresa brasileira pagou ao Vice-Presidente pelo menos 14 milhões de dólares em suborno, entre 2012 e 2016. Em 1o de julho, o Jornal La Republica publicou: “Glas dice que hay una grabación de una reunión entre funcionarios de Odebrecht y él” (em português, “Glas diz que há gravação de uma reunião entre os funcionários da Odebrecht e ele”).

Na reunião de prefeitos em Congope, ocorrida no dia 2 de agosto (quarta-feira da semana retrasada), o presidente Lenín Moreno fez uma declaração sobre o envolvimento de seu vice: “Não vou me manifestar, tomar decisões, sim”. No dia seguinte (quinta-feira, 3 de agosto) publicou Decreto em que retira de Glas todas as funções no governo atribuídas à Vice-Presidência, dentre elas: articulação do Conselho Setorial de Produção e no Conselho Consultivo Produtivo e Tributário. No Decreto está escrito: “Derroga-se todas as normas de igual ou menor hierarquia que contenha delegações ao Vice-Presidente da República”. Ele se encontra assinado pelo Presidente. Em seu twitter, Glas afirmou “que lastima o presidente Moreno só aceitar críticas e opiniões dos opositores e não escutar quem tem lutado ao seu lado para colocá-lo onde está agora” (publicado em 03.08.2017). 

Glas é engenheiro elétrico e foi eleito em 2013 como vice de Rafael Correa. Foi responsável pela mudança da matriz energética. No seu mandato, esteve à frente da construção das hidrelétricas de Mazar, Bulubulu e Sopladora e de diversas barragens. Recebeu acusações por setores opositores, (particularmente pelo líder da oposição, o ex-candidato à Presidência, Sr. Guillermo Lasso) como politicamente responsável por casos de corrupção na estatal do petróleo Petroecuador, durante a administração Correa. O ex-presidente Rafael Correa defendeu Glas ao afirmar que Lenín Moreno pretende “destituir, por qualquer meio, o vice-presidente Jorge Glas, o maior estorvo às suas ambições”.

vicepresidente Jorge Glas em homenagem ao aniversário de 482 de Guayaquil

Na sexta-feira passada, dia 11 de agosto de 2017, Lenín Moreno anunciou em sua conta no twitter que o ex-ministro de hidrocarbonetos Carlos Pareja Yannuzzelli se entregaria. Ele estava foragido, acusado de suborno e corrupção pela Justiça do Equador na empresa estatal de petróleo Petroecuador. São investigados 17 contratos principais e 18 complementares envolvendo um montante de 258 milhões de dólares. Na noite do mesmo dia, Pareja foi recebido pela polícia ao desembarcar no aeroporto de Tababela, vindo dos Estados Unidos.

O efeito Odebrecht pode ser encontrado em toda a América Latina. Em países como Brasil, Colômbia, Argentina, Peru, Panamá e Equador as investigações estão ocorrendo e já são revelados documentos e gravações que comprovam o envolvimento da classe política destes países. Estas recebiam suborno para favorecer a empreiteira multinacional na concessão de construção de estradas, pontes, ferrovias, barragens e hidrelétricas. Contudo, tem causado surpresa que, no caso do Equador, a denúncia tenha vindo de fora do país, ou seja, do Brasil, através de matéria publicada no jornal “O Globo”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Jorge Glas em Isla Trinitária, setor sul de Gayaquil” (Fonte):

https://twitter.com/JorgeGlas/status/883857043274297344

Imagem 2 Lenín Moreno, atual Presidente do Equador, durante sua posse, em 24 de maio de 2017” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Len%C3%ADn_Moreno

Imagem 3 vicepresidente Jorge Glas em homenagem ao aniversário de 482 de Guayaquil” (Fonte):

https://twitter.com/Vice_Ec/status/889861342491967489

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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