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[:pt]Crise de governança na União Europeia (UE): um desafio para a nova Presidência Eslovaca[:]

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A União Europeia enfrenta um crescente problema de governança desde o início da crise financeira internacional em 2008, que se alastrou pela Europa, dando lugar a maior crise econômica desde a II Guerra Mundial, afetando, principalmente, as economias do Mediterrâneo.

A balança de poder aos poucos se inclinou para a Alemanha, frente a um enfraquecimento contínuo da França, à crise econômica e política na Espanha e Itália e a uma relação difícil com o Reino Unido, que, recentemente, chegou ao seu fim. Dessa forma, as principais economias da região perderam o delicado equilibro existente no Bloco, aumentando as tensões internas e evidenciando as assimetrias na formulação política e na economia da região.

Vários desafios colocam em risco o futuro da União Europeia. Podem ser listados: o aumento do euroceticismo; o desgaste da liderança alemã; as tensões sociais e econômicas no Bloco; o aumento das tensões regionais com os países do Oriente Médio e Europa do Leste; e as crises de governabilidade, enfrentadas por países importantes para a União Europeia, tais como Itália e Espanha (3ª e 4ª maiores economias do Bloco, respectivamente).

A Itália, após 3 tentativas de instituir um Presidente eleito pelas urnas, não conseguiu alcançar um consenso no Parlamento, pelo que o atual Presidente, o Sr. Sergio Mattarela, Magistrado do Tribunal Constitucional, assumiu a Presidência do país. A Espanha enfrenta um problema parecido, já que acaba de realizar suas segundas Eleições, por não conseguir instituir como Presidente o Sr. Mariano Rajoy, ganhador das eleições realizadas em dezembro de 2015 e das novas eleições realizadas no dia 26 de junho de 2016. Os partidos espanhóis que formam o Parlamento seguem negociando em uma tentativa de instituir o Sr. Mariano Rajoy, ou impedir sua nomeação para o Governo, razão pela qual não se descarta a possibilidade de uma terceira eleição.

Portugal está sendo governado por uma aliança política formada pelos maiores Partidos, que, aos poucos, tratam de cumprir com as exigências da União Europeia. A Grécia sofre com a crescente crise de representatividade, após as diversas tentativas de negociar com a União Europeia e após a contradição gerada pelo Referendum organizado pelo país – pelo qual grande parte da população se negou a aceitar o resgate da economia grega, mediante financiamento internacional e aumento da dívida – e que não foi implementado. A França sofre com as tensões do sociais causadas pelas reformas que o Governo precisa implementar para conter o gasto público e frear o avanço do desemprego.

Os países da Europa do Leste estão cada vez mais reticentes em relação às políticas de imigração e auxílio aos refugiados pactuadas pela União Europeia e cobram maior representatividade nas decisões fundamentais que atingem o Bloco.

Uma saída de Angela Merkel nas próximas eleições da Alemanha previstas para o ano que vem (2017) pode levar a União Europeia a sua maior crise de governabilidade. As tensões internas de cada um dos países membros, frente aos desafios enfrentados pela UE, estão cada vez mais acirradas, trazendo o aumento do sentimento europeu de não se ver representando em nenhum dos seus líderes, ou seja, gerando um abismo entre a população e a governança.

Os resultados da saída do Reino Unido ainda não foram ao todo quantificados e já dividem opiniões, tanto dentro da União Europeia quanto fora.

A nova Presidência rotativa do Conselho da União Europeia, agora liderada pela Eslováquia, deverá enfrentar todos esses desafios e inserir um novo ponto de vista, ao levar a pauta da imigração para as principais negociações que já atingem o Bloco e uma visão mais nacionalista e conservadora que se alastra no coração da União Europeia.

A estrutura da Europa começa a engessar os países membros e a dificultar cada vez mais a ação isolada de seus membros, não havendo outra maneira de superar os desafios que não seja mediante o consenso, ainda que para isso muitos governos estejam, aos poucos, perdendo sua legitimidade interna pela instabilidade social existente no continente e dentro de seus respectivos países.

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Imagem (Fonte):

https://images.cdn.impresa.pt/sicnot/2016-06-24-roberto-fico.jpg?v=w960

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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