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Crise Hídrica na Etiópia atinge níveis alarmantes

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As mudanças climáticas observadas ao redor do mundo neste ano pelo El Niño levaram a uma severa crise hídrica na Etiópia. O cenário de risco, a longo tempo relatado neste jornal e na mídia como um todo, chega agora a níveis alarmantes em termos de risco e vulnerabilidade social, uma vez que se aproxima a data de plantio da safra do ano que vem (2017).

As mais variadas atividades agropecuárias no país, desde o café, passando pelo cultivo dos abacates e pela pecuária, vem sendo consideravelmente afetadas pela seca. A abrupta redução dos rendimentos dos agricultores familiares diminui a capacidade destes adquirirem as sementes necessárias para o plantio da próxima safra.

Tendo isto em vista, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou, na semana passada, um plano de distribuição de sementes aos agricultores etíopes. Segundo a Organização, seriam necessários, ao menos, 10 milhões de dólares em compra e distribuição de sementes nas próximas duas semanas, a fim de viabilizar o plantio no período correto.

A temporada meher* será crucial para a melhoria da segurança alimentar das famílias e sua autossuficiência em 2016. A distribuição de sementes que permita o plantio da próxima safra e a produção de alimentos deveria ser uma prioridade humanitária”, afirmou o representante da Etiópia junto à FAO, Amadou Dallo.

Segundo a Organização, 10 milhões de pessoas já estão em condições de extrema vulnerabilidade devido à seca, a pior nos últimos 30 anos. A conjuntura pode piorar, segundo a FAO, caso o montante financeiro para mitigar os efeitos climáticos não sejam arrecadados a tempo.

A dificuldade na arrecadação, por sua vez, evidencia que as principais instituições internacionais ainda não estão totalmente preparadas para lidar com a questão das mudanças climáticas, as quais tendem a se acentuar cada vez mais nas próximas décadas. Países situados nos trópicos, como a Etiópia, tendem a ser os que mais sofrerão com os impactos da mudança no clima, sendo assim crucial que as principais instituições globais estejam preparadas para assisti-los, tanto financeiramente como tecnicamente.

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* A Etiópia conta com duas principais estações de colheita de alimentos: a estação “belg”, menor e que dura entre os meses de fevereiro e abril, e a estação “meher”, que vai de maio a setembro, ocorrendo durante o período mais chuvoso do ano.

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Imagem (FonteMadote):

http://www.madote.com/2015/11/the-socio-political-and-governance.html

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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