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Com a crise sectária no Iraque trazendo mais elementos para abalar a ordem de um Oriente Médio costumeiramente instável, os governos ocidentais e vizinhos da antiga Mesopotâmia analisam medidas para tentar amenizar o que pode em pouco tempo se tornar uma guerra civil aos moldes da Guerra Civil Síria.

As agências de notícias e “think tanks” internacionais noticiam e analisam diariamente aquilo que pode ser o início de uma reconstrução do Oriente Médio tal qual é conhecido atualmente. Nesse sentido duas possibilidades monopolizam os debates quanto aos próximos capítulos desse imbróglio que além da disputa sectária, converge pontos de crise humanitária, política, econômica, social e militar.

Alguns analistas de política internacional acreditam que o propósito do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Islamic State of Iraq and al-Sham – ISIL, na sigla em inglês) é criar um califado sunita que contemplaria a Síria e o Norte do Iraque, formando uma nova unidade política independente. Outra interpretação remete a semelhanças do atual cenário ao modelo da antiga Iugoslávia, fragmentada em sete novos Estados (Sérvia, Croácia, Macedônia, Eslovênia, Montenegro, Bósnia e Kosovo, este último ainda não reconhecido totalmente pela comunidade internacional como estado independente) e resolvendo em certa medida as diferenças religiosas e culturais.

Entretanto a “balcanização” do Oriente Médio é tratada com precaução, não obstante o desenho geopolítico proposto nas entrelinhas pelo ISIL, que denuncia uma predisposição de moldar novos Estados cada qual condizente com a linha religiosa do islã, ou seja, fundação de unidades territoriais autônomas para sunitas e xiitas.

Nos Estados Unidos, a Administração Obama mostra-se cética em responder por vias militares ao avanço dos insurgentes no Iraque, por acreditar que uma ação nessas proporções poderia novamente colocar o país como potencial alvo de extremistas islâmicos, além de entender que tomar partido por uma vertente do islã causaria um impacto negativo nos seguidores muçulmanos, aumentado ainda mais o sentimento antiamericano.

O posicionamento de Washington é pela busca de um diálogo com os diferentes grupos étnicos que compõe a nação, medida esta já idealizada por Obama desde o processo de retirada das tropas em meados de 2011. Na ocasião, o presidente norte-americano já alertara seu homônimo iraquiano, Nouri Al-Maliki para estruturar um governo de inclusão evitando, portanto, situações que colocassem em cheque todo o esforço feito para tentar reconstruir e estabilizar o Iraque pós-Saddam.

O presidente Nouri Al Maliki, no entanto, foi na “contramão” das sugestões da Casa Branca, primeiro não assinando um acordo com os americanos para manter grupamentos de “rangers”, forças especiais e de treinamento na tentativa de garantir a continuidade no processo de estabilização. Depois, segregando e perseguindo os 33% da vertente sunita do país, talvez por acreditar que os investimentos em equipamentos militares adquiridos dos Estados Unidos e o treinamento dos cerca de 900 mil homens das forças de segurança seriam suficientes para garantir a segurança e a estabilidade do Estado árabe.

A ineficiente política de Maliki, atrelada a pouca perspectiva do povo iraquiano após a Guerra iniciada em 2003, reacendeu questões sectárias que direcionam para uma reestruturação política através da força, com pesados investimentos sauditas e catarianos (de maioria sunita) que almejam uma disposição geopolítica que privilegie uma ordem no Oriente Médio favorável a seus interesses e não aos interesses dos persas de Teerã. Estes, por usa vez, são de maioria xiita e retomaram um diálogo amistoso com Washington, causando tensão e preocupações tanto no rio Potomac*, como no Eufrates e no restante do vulnerável e instável Oriente Médio.

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* Rio Potomac: É o rio que banha Washignton D.C, além dos Estados de Virgínia Ocidental, Maryland e Virgínia. Suas águas desabam na baía de Chesapeake.

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Imagem (Fonte):

https://news.bbcimg.co.uk/media/images/75641000/jpg/_75641781_022768685.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.cubadebate.cu/noticias/2014/06/16/lo-que-se-dijo-sobre-la-guerra-contra-iraq-un-legado-de-majaderias-verbales/

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http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/06/13/blame_america_intervention_iraq_us_military?utm_content=buffer33d7d&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

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http://app.ihs.com/e/er?utm_campaign=E14%20DF%20NL%20SECURITY%2006_17_2014&utm_medium=email&utm_source=Eloqua&s=1571&lid=27369&elq=406a738b14ad44519074211403ace8a8

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http://www.janes.com/article/39550/iraqi-abrams-losses-revealed

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http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/06/17/there_is_no_al_sham_iraq_isis_syria_levant_maps?utm_content=buffer0e936&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

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http://blogs.cfr.org/cook/2014/06/17/a-requiem-for-iraq/?cid=soc-facebook-in-a_requiem_for_iraq-061714

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http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,grande-bem-armado-e-treinado-isil-tem-alto-poder-de-fogo-imp-,1513317

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http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,obama-condiciona-ajuda-ao-iraque-a-mudancas-politicas,1511374

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http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,mudanca-na-diplomacia-imp-,1513874

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http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304068704579626824129071730.html?dsk=y&linkSource=valor&mg=reno64-wsj&url=http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304068704579626824129071730.html?linkSource=valor

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http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Exercito-Islamico-leva-guerra-para-alem-das-fronteiras-do-Iraque/6/31178

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http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/O-fracasso-americano-no-Oriente-Medio/31143

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http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Como-e-que-o-Iraque-perdeu-um-terco-do-territorio-para-o-EIIL-em-tres-dias-/6/31146

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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