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Crise na Venezuela: propostas regionais e postura das potências

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A 72ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que ocorreu semana passada (19 a 25 de setembro), tornou-se um momento profícuo para os países do continente americano debaterem a situação venezuelana. O país bolivariano atravessa atualmente importante crise de desabastecimento e instabilidade política, agravada pela convocação de uma Assembleia Constituinte não reconhecida por parte significativa da população. Os recorrentes protestos têm sido respondidos de forma repressiva pelo Governo Maduro.

Em vistas desse contexto, os Estados do continente têm se articulado para discutir a questão, formar consensos e buscar soluções. Antes do início do evento da ONU, no dia 18 de setembro, terça-feira passada, os Presidentes do Brasil, Michel Temer, da Colômbia, Juan Manuel Santos, dos Estados Unidos, Donald Trump, do Panamá, Juan Carlos Varela, e a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, reuniram-se para discutir a situação. Os líderes convergiram em que a solução passa pela retomada da democracia, mas os latino-americanos insistiram que as pressões devem ocorrer pela via diplomática.

Representantes do Grupo de Lima

Os Estados Unidos haviam se posicionado de forma mais dura anteriormente. Além de sanções impostas ao país, em 11 de agosto passado, o presidente Trump afirmou não descartar uma “solução militar”. As posições dos países do continente americano são divergentes, sendo que a possibilidade de uma intervenção é rechaçada na América do Sul, que busca soluções pacíficas por meio do diálogo e da diplomacia.

Ainda em paralelo à Assembleia Geral, na quarta-feira, 20 de setembro, houve um encontro do grupo de doze países latino-americanos que assinou a Declaração de Lima, em oito de agosto deste ano (2017). Este comunicado condenava a “ruptura da ordem democrática” e manifestava a intenção contribuir pacificamente para o seu retorno. No encontro, os países diagnosticaram o agravamento da situação e apoiaram a iniciativa de diálogo exploratório entre governo e oposição venezuelana, que deve contar com a mediação de países da região.  Embora a busca do diálogo seja um avanço, não há garantia que o esforço terá resultados. A Unasul já atuou para promover a interlocução no país e falhou em diminuir a polarização.

Além dos países da América do Sul, uma solução pela força é também refutada por potências não ocidentais. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, condenou as afirmações americanas e, em seu discurso na Assembleia Geral, afirmou que as intervenções são inaceitáveis. Já a China, reitera o princípio da não-interferência e defende que, como um país soberano, a solução deve ser encontrada pela própria Venezuela.

Tais desdobramentos mostram que o escalamento da crise venezuelana tem tornado a questão um tema não apenas hemisférico, mas global. Na ausência de soluções sul-americanas, o posicionamento das potências em relação ao assunto tende a se tornar cada vez mais destacado. Nesse sentido, as declarações de Donald Trump sugerem que o risco de intervenção externa, embora bastante baixo, é reforçado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa bandeira da Venezuela” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag-map_of_Venezuela.svg

Imagem 2Representantes do Grupo de Lima” (Fonte):

http://www.rree.gob.pe/SitePages/declaracion_conjunta.aspx?id=DC-007-17

Livia Milani - Colaboradora Voluntária

Mestre e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais "San Tiago Dantas" (UNESP,UNICAMP, PUC-SP) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Participa do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP). Pesquisa principalmente nos seguintes temas: Segurança Regional, Política Externa, Integração Regional, Relações Brasil-Argentina, cooperação em Defesa na América do Sul, Relações Inter-americanas.

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