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Crise nas Relações Russo-Turcas após o abate do bombardeiro russo Sukhoi Su-24

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Em 24 de novembro, depois de a Força Aérea turca ter derrubado um Sukhoi Su-24, acusado de ter violado o espaço aéreo da Turquia nas imediações de Yayladagi, província de Hatay, a Guerra Civil síria adquiriu novos desdobramentos, fazendo aumentar as tensões internacionais. O avião, que participava da campanha russa na Síria, destinada a apoiar o regime de Bashar al-Assad, foi acusado de penetrar no espaço aéreo turco, não tendo respeitado, segundo as autoridades daquele país, as 10 advertências emitidas durante 5 minutos. Porém, para o Comandante-em-chefe da Força Aérea Russa, o General Viktor Bondarev, o avião foi vítima de uma emboscada. O General chegou a esta conclusão mediante a análise dos dados dos radares russos e sírios. Conforme informações, o tempo de voo de 1h15 gasto pelos dois F-16 turcos, não corresponde aos horários de decolagem desses aviões da Base Aérea de Dyarbakir. Enquanto as dúvidas pairam, num ambiente bastante hostil entre os russos e os turcos, para os analistas israelenses, não era necessário abater o avião, o que demonstra a divisão de opiniões da comunidade internacional e, ainda, as incertezas quanto à veracidade dos fatos envolvendo a potência militar russa e um Estado-membro da OTAN.

Na sequência deste acontecimento, elevaram-se as inquietações no Oriente Médio, ultrapassando os limites regionais e ampliando-se perigosamente para o plano internacional. Neste contexto, a Rússia anunciou a implantação de mísseis anti-aéreos S-400 Triumf na Síria, enquanto o país insiste na hipótese de que o seu avião foi abatido a partir de uma ação premeditada. O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em pronunciamento à TV russa, referiu-se ao incidente como algo semelhante a “uma provocação planejada”. O Presidente russo, Vladimir Putin, após confirmação de que o avião havia sido destruído pela Turquia, afirmou que “a perda de hoje é uma facada nas costas que foi dada pelos cúmplices dos terroristas”.

Todas as acusações transcendem o plano de combate ao inimigo comum, que é o terrorismo, o qual, até agora, em certa medida, tem sido vencedor, dada a dispersão das forças militares estrangeiras que começaram a dar sinais de possíveis enfrentamentos entre si, revelando os antagonismos existentes entre elas. A Rússia afirma que a Turquia vem fornecendo armamentos aos militantes islâmicos vinculados à Frente al-Nusra e ao Estado Islâmico. De mesmo modo, as suspeitas recaem sobre a Turquia no que se refere ao contrabando de petróleo pelo Estado Islâmico, o que, de fato, não é uma novidade, pois as investigações até hoje realizadas apontam o leste da Turquia como sendo um mercado importante dos radicais para a venda desse combustível em estado bruto ou refinado.

Enquanto permanece a troca de acusações entre os russos e os turcos, a Rússia anunciou um conjunto de sanções a ser aplicado à Turquia, o que, segundo analistas, poderá afetar seriamente a economia turca. Em 28 de novembro, Vladimir Putin ordenou o cumprimento de 7 medidas restritivas à Turquia que visam “proibir as importações de certos produtos procedentes da Turquia, proibir ou suspender a atividade das empresas que se encontram sob jurisdição turca, proibir os empregadores russos de contratarem cidadãos turcos, a partir de 1 de janeiro de 2016, enviar para a Turquia urgentemente uma notificação sobre as mudanças nas leis de migração […], suspender a colaboração com o setor turístico turco por parte das empresas turísticas russas, cancelar todos os voos charter entre [a] Rússia e [a] Turquia enquanto o decreto atual seguir em vigor e aumentar o controle fronteiriço nas águas do Mar Negro e do Mar de Azov para prevenir a permanência e o trânsito ilegais de embarcações estrangeiras nos portos marítimos da Rússia”.

Neste embate entre russos e turcos, encontramos duas forças políticas internacionais importantes combatendo o mesmo inimigo, num mesmo conflito bélico, mas em campos opostos. Porém, a cada dia, a Guerra Civil síria evidencia os interesses díspares e uma disputa de poder através de uma relação de forças não somente por meio dos grupos rebeldes, mas entre os diferentes países diretamente envolvidos. Se, presentemente, as consequências para o futuro ainda são incertas, há acontecimentos como este último, envolvendo um membro OTAN, que acendem a luz amarela para os riscos de um conflito maior. Por outro lado, se as sanções russas forem desrespeitadas, nomeadamente aquela voltada às questões fronteiriças no Mar Negro, a situação poderá se tornar mais complexa. Neste momento, não é precipitado dizer que há a hipótese de uma escalada militar no Oriente Médio e uma possível formação de alianças internacionais se as ambições particulares permanecerem canalizando disputas e rivalidades, individuais e de grupo.

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Imagem O Sukhoi Su24 é bombardeiro tático russo, supersônico, concebido como aeronave de ataque e reconhecimento. O aparelho efetuou o primeiro voo em 1967, tendo entrado em serviço em 1974. A aeronave foi produzida entre 1967 e 1993, tendo sido construídas cerca de 1.400 unidades” (Fonte):

http://cdn.trend.az/pictures/2015/11/24/plane_su_24_241115.jpg

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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