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Crise política na Bulgária piora após as eleições legislativas antecipadas

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Novas eleições legislativas antecipadas na Bulgária é um escenario político prognosticado pelo sociólogosO partido Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária” (GERB) venceu neste domingo, dia 12 de maio, as eleições legislativas antecipadas. É o Partido do ex-primeiro-ministro Bóiko Boríssov, que foi obrigado a renunciar em fevereiro, sob a pressão de manifestações.

No entanto, apesar de vencedor, o Partido não conseguiu a maioria absoluta. Com 100% dos votos apurados a “Comissão Eleitoral Central” (CEC) divulgou[1] que o partido de Borissov obteve 30,53% dos votos, enquanto seu principal rival, o partido socialista “Coalizão para Bulgária” (BSP, ex-comunista), conseguiu 26,65%. Os outros dois partidos que superaram os 4% necessários para ter representação no Parlamento” de 240 assentos foram: o “Movimento pelos Direitos e Liberdades (MDL, minoria muçulmana turca)”, com 11,22%, e o partido nacionalista “Ataka”, que obteve 7,31%.

Segundo o “CEC” os números para o “Quadragésimo Segundo Parlamento” são: 97 deputados para o GERB”; 84 para o Coalizão para Bulgária”; 36 para MDL e 23 para Ataka[2]. Desde a queda do “Regime Comunista”, há 23 anos, esta é a primeira vez que um partido é reeleito na Bulgária[3].

Como não conseguiu maioria de assentos[4], o GERB enfrenta dificuldades para formar um “Governo”, já que as possibilidades de coalizão são limitadas. O Ataka apoiou por um tempo Bóiko Boríssov, após a formação de um governo minoritário em 2009, mas, neste domingo, seu líder, Vólen Síderov, descartou esta opção. Por outro lado, uma coalizão entre dois inimigos, o GERB e os socialistas BSP, é pouco provável. Os socialistas e o MDL governaram juntos de 2005 a 2009, sob a direção de Serguéi Staníchev, líder do BSP.

Depois que os primeiros resultados foram revelados, na noite do domingo, o único político do GERB que se pronunciou foi o ex-ministro do Interior e atual vice-presidente do partido Tsvetán Tsvetánov. Ele deu uma entrevista para a “Televisão Nacional da Bulgária mas ninguém do GERB apareceu na tradicional conferência de imprensa depois as eleições legislativas.

Ognián Míntchev, diretor do “Instituto de Estudos Regionais e Internacionais alertou que “A Bulgária precisa de estabilidade, e, se os partidos são responsáveis, deveriam apoiar um gabinete minoritário. (…). Há um grande risco de paralisação do Parlamento [5], apontou Tsvetánov.

A campanha eleitoral, longe de atender às expectativas da população, concentrou-se em um ajuste de contas entre socialistas e conservadores, motivado por um escândalo de Escutas ilegais realizadas dentro do partido GERB. A mais impactante, que anonimamente foi despachada para todas as redações das mídias búlgaras, foi a gravação de uma conversa na residência do ex-premiê Bóiko Boríssov, ocorrida entre ele, o “Ministro da Agricultura e dos Alimentos (Mirosláv Náidenov) e o “Procurador Geral da cidade de Sófia” (Nikoláy Kókinov). O procurador geral da República, Sotír Tsátsarov, assinalou que vai apresentar aos membros do Parlamento as evidências que o Ministério Público colheu sobre o caso Escutas ilegais políticos [5].

Houve apreensão, no sábado, dia 11 de maio, na véspera das eleições. Denunciou-se 350 mil cédulas eleitorais suspeitas na cidade de Kóstinbrod em lugar responsável por imprimir as cédulas das eleições, o que provocou um escândalo. Este local pertence a um vereador do GERB. Os adversários suspeitam de seu envolvimento no caso, algo que o partido conservador desmentiu, alegando um complô político. Os opositores do GERB exigiram que o instituto austríaco Sora realize uma apuração paralela.

A decepção da população se traduziu em uma queda inesperada de sua participação. Segundo as pesquisas, cerca de 50% dos 6,9 milhões de eleitores votaram, contra 60,2% há quatro anos.

Se nenhum governo for formado, o gabinete interino, dirigido pelo diplomata Marín Ráykov, permanecerá no poder até a organização de novas eleições, no outono boreal, um cenário citado por cientistas políticos em Sófia, que agravaria a situação econômica do país[6].

Alguns não descartam a possibilidade de uma nova crise social, como a do inverno passado, em que milhares de búlgaros foram às ruas protestar contra o aumento da conta de luz, que dobrou em janeiro, algo grave e considerado um golpe no cidadão que vive em um país onde o salário médio é inferior a 400 euros[7].

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ImagemNovas eleições legislativas antecipadas na Bulgária é um escenario político prognosticado pelo sociólogos” (Fonte):

http://bnt.bg/bg/news/view/99133/bnt_sys_specialen_sajt_za_izborite

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://results.cik.bg/pi2013/rezultati/index.html

[2] Ver:

http://bnt.bg/bg/news/view/101004/cik_objavi_mandatite_v_42_roto_ns

[3] Ver:

http://bnt.bg/bg/news/view/100879/rezultatite_na_cik_pri_100_obraboteni_protokoli

[4] Ver:

http://www.parliament.bg/

[5] Ver:

http://www.dnevnik.bg/izbori2013/2013/05/14/2060562_sotir_cacarov_shte_poiskam_imuniteta_na_cvetanov_ot/

[6] Ver:

http://www.mediapool.bg/%D0%B8-%D0%B4%D0%B2%D0%B0%D0%BC%D0%B0%D1%82%D0%B0-%D0%BF%D0%BE%D0%B1%D0%B5%D0%B4%D0%B8%D1%82%D0%B5%D0%BB%D0%B8-%D1%81%D0%B5-%D1%81%D1%82%D1%8F%D0%B3%D0%B0%D1%82-%D0%B7%D0%B0-%D0%BF%D1%80%D0%B5%D0%B4%D1%81%D1%80%D0%BE%D1%87%D0%BD%D0%B8-%D0%B8%D0%B7%D0%B1%D0%BE%D1%80%D0%B8-news206325.html

[7] Ver:

http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Minimum_wage_statistics/pt

Tags:
Wladimír Tzinguílev - Bulgária

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).

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