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A liberação de Mosul, uma das principais cidades do Iraque e palco de atrocidades contra cidadãos de diversas etnias durante a campanha militar que expulsou o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) da região, não significou a liberdade para todos os seus habitantes. Findadas as provações à população da cidade, marcadas por violentos combates, restrições diversas e até execuções em massa, esperava-se poder retornar ao cotidiano vivido por Mosul antes da ocupação por parte dos terroristas. Nesse período, a cidade foi considerada peça chave para a ampliação do autoproclamado califado do Estado Islâmico, que tinha dentre seus objetivos a ocupação da região do Levante, a qual compreende territórios dos atuais Iraque e Síria. Entretanto, retornar a um cotidiano pacífico após três anos de jugo pela mencionada organização extremista islâmica não tem sido simples, principalmente para os cristãos.

Cristãos em Erbil, no Curdistão iraquiano

Apesar de se tratar de uma minoria religiosa naquela cidade, aproximadamente 35 mil de seus habitantes eram cristãos, o que acaba por ser um número bastante significativo. Quando do domínio de Mosul, terroristas do EI exigiram que os cristãos se convertessem ao Islamismo, pagassem uma taxa para “não-muçulmanos” ou que então deixassem a cidade. Após a liberação da cidade, a população cristã esperava poder retornar a suas casas e retomar seu quotidiano, como todos os outros. O que se tem verificado, contudo, é que antigas desavenças devido a questões religiosas têm causado enormes dificuldades entre muçulmanos e cristãos no local, devido à disseminação da ideologia salafista, propagada justamente pelo Estado Islâmico, valendo-se do fato de a maioria de sua população ser sunita.

Assim, grande parte dos moradores cristãos continua a enfrentar dificuldades para se restabelecerem em suas casas e seus empregos.  No caso de residências, por exemplo, muitas das que pertenciam a cristãos simplesmente foram ocupadas por integrantes das forças militares que lutaram justamente pela libertação da cidade. Outros têm tido dificuldades para retomar suas antigas profissões, devido ao preconceito que têm experimentado pelo simples fato de pertencerem a uma minoria religiosa. Por esse motivo, muitos temem acabar por ficarem desabrigados e sem melhores perspectivas. Apesar dos esforços de efetivos da Organização das Nações Unidas que lá atuam, o panorama para os cristãos que procuram retornar não tem sido encorajador, e esperam ainda mais dificuldades pela frente.

Já aqueles que tiveram oportunidade e condições deixaram Mosul definitivamente e estabeleceram-se em outros importantes centros urbanos, como Erbil, capital do Curdistão iraquiano. Lá, um território que nunca foi ocupado pelo EI, cristãos não enfrentam problemas devido ao seu credo, e têm tido oportunidade de recomeçar suas vidas aproveitando-se do fato de que o Estado e as empresas curdas têm recebido financiamento externo para seu desenvolvimento, o que significa boas oportunidades de vida neste momento tão conturbado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Manifestação por ajuda aos cristãos iraquianos” (Fonte):

https://1.bp.blogspot.com/-8hgIIrCqTtw/U8y1R4xXf1I/AAAAAAAAQLw/8AaMjIUvE_w/s1600/Iraqi+Christians.jpg

Imagem 2 Cristãos em Erbil, no Curdistão iraquiano” (Fonte):

https://twitter.com/Nadim_Nassar?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.christiantoday.com%2Farticle%2Fmosul.empty.of.christians.for.the.first.time.in.history%2F38966.htm

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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