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Curdos, nação apátrida influente nos conflitos da Síria e da Turquia

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Depois do colapso do Império Otomano e a criação dos EstadosNação pelos britânicos e franceses, o Curdistão[1] foi dividido entre quatro países: Irã, Iraque, Síria e Turquia. Após tal divisão, os curdos tornaram-se uma nação apátrida[2] (sem Estado), de religião mulçumana sunita e a minoria étnica mais importante do Oriente Médio, que se encontra dispersa em território que abrange partes da Turquia, do Iraque, do Irã, da Síria e da Armênia.

A Província Curda do Iraque foi a primeira a conseguir autonomia. Com o término da Guerra do Iraque, os curdos foram duramente reprimidos na Turquia[3], pois o Governo de Ancara temia que, com a queda do Governo de Saddam Hussein, os curdos iraquianos ampliassem e consolidassem a presença em território turco. Na Síria, declararam independência e vivem divididos em três regiões autônomas[4], cada uma com seu governo e suas próprias leis. No Irã, as forças de segurança iranianas adotam uma campanha de prisões contra os curdos na cidade de Mahabad.

Partido de maior importância política entre os curdos, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que se declara um partido marxista e nacionalista[5], defende abertamente a luta armada pela libertação da sua região e pela instalação de seu Estado Nacional. O PKK, no entanto, é considerado pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia uma organização terrorista. Na Síria, as regiões curdas estão sob o comando do Partido da União Democrática (PYD) e seu braço armado, que aplica políticas de igualdade entre os sexos, respeito aos direitos das minorias, o secularismo e tem como objetivo assegurar e salvaguardar a natureza pacífica desse levante popular e impedir toda e qualquer possibilidade de transformar tal movimento em um conflito curdo-árabe. Em Istambul, na Turquia, surge o Partido Democrático do Povo (HDP), novo partido político[6] com diversidade de ideias.

O resultado[7] das eleições para o Parlamento na Turquia, realizadas no dia 7 de julho, traz um cenário de mudanças. O Partido Democrático do Povo (HDP), regido por um sistema paritário entre homens e mulheres e com plataformas para o meio ambiente e os direitos LGBT (inclusive abrigando o primeiro candidato abertamente gay da Turquia), tornou-se o novo instrumento político acolhedor de uma plural diversidade de forças e sensibilidades.

O HDP conquistou aproximadamente 13% dos votos (entre 75 e 80 assentos) e terá representantes no Parlamento pela primeira vez, o que, segundo o vicelíder do HDP Selahattin Demirtas, “Não é apenas um êxito nosso, é a vitória de todos os povos do Oriente Próximo[8]. No entanto, para que a nação curda concretize o sonho de estabelecer um Estado Curdo, o Curdistão necessitará do reconhecimento da comunidade internacional.

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Imagem (Fonte):

http://laurocampos.org.br/2014/12/a-revolucao-curda-em-rojava-uma-alternativa-popular-nao-sectaria-e-anti-imperialista-de-democracia-radical-no-oriente-medio/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://mundialissimo.blogfolha.uol.com.br/2014/10/17/por-que-os-curdos-nao-tem-estado/

[2] Ver:

http://noticias.terra.com.ar/mundo/quienes-son-los-kurdos-y-por-que-todavia-no-tienen-un-estado,365fcaf6b0219410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html?utm_content=buffer7f0d2&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

[3] Ver:

http://pt.gatestoneinstitute.org/6165/turquia-estado-islamico-curdo

[4] Ver:

http://www.france24.com/en/20150730-who-are-kurds-turkey-syria-iraq-pkk-divided

[5] Ver:

http://revistaforum.com.br/digital/157/curdos-entre-o-cerco-islamico-e-os-avancos-politicos/

[6] Ver:

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/HDP-o-partido-rebelde-contra-o-autoritarismo-de-Erdogan/6/33901

[7] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150607_turquia_eleicoes_resultado_rb

Izabel Sales Afonso - Colaboradora Voluntária Júnior I

Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; Pós-graduanda em Política Internacional pela Faculdade Damásio, Pós-graduanda em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela Universidade de Araraquara(UNIARA); Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; atua como voluntária no Instituto de Reintegração do Refugiado(ADUS).

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