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A dependência alemã ao gás russo poderia limitar, efetivamente, a soberania europeia

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Em entrevista concedida à imprensa, na última segunda-feira, o Primeiro-Ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que a Alemanha, assim como outros países europeus, deveria reduzir sua alta dependência de fontes energéticas russas, caso contrário aPolítica Externa Comum da União Europeia (UE)” continuará fortemente prejudicada.

Para Tusk, “nós [UE] não seremos capazes de resistir com sucesso, no futuro, contra as medidas agressivas ou expansionistas da Rússia, se tantos países europeus continuarem dependentes do gás [russo] (…)”[1].

Nesta quarta-feira (12 de março), a “Chanceler da Alemanha”, Angela Merkel, visitou o Primeiro-Ministro polonês para discutir questões relativas à crise na Ucrânia. Na opinião de Tusk, a forte dependência alemã à energia russa* atrapalhou uma resposta rápida e eficaz aos problemas políticos e sociais enfrentados na Ucrânia e embora a situação alemã não seja a única** ela representa o exemplo mais emblemático.

Em tom alarmante, Tusk afirmou antes do encontro que “a dependência alemã ao gás russo poderia limitar, efetivamente, a soberania europeia. (…) O crescimento do custo da energia na Europa, devido as exorbitantes ambições climáticas e ambientais, também pode significar uma maior dependência em fontes energéticas russas. Por isso, irei falar [para Merkel], acima de tudo, de que forma a Alemanha poderia corrigir o seu comportamento econômico, de modo que a dependência do gás russo não paralise a Europa quando precisarmos agir rapidamente e de forma inequívoca[2].

Além do gás, a Rússia exporta altas quantias de petróleo e carvão para a Europa. Conforme apontam especialistas, uma mudança de fornecedor destas duas matrizes energéticas é relativamente fácil de ocorrer na Europa, contudo, devido a necessidade de gasodutos fixos, para o transporte do gás, é impossível que a Europa possa conseguir um novo fornecedor em um curto período de tempo.

A Polônia é um dos países da UE que atuam, com maior veemência, na tentativa de obter gás através dos Estados Unidos da América”, diminuindo a dependência em relação aos vizinhos russos. Entretanto, o alto preço demandado pelos americanos é ainda um grande entrave para a concretização do negócio.

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* 40% do gás consumido no país tem essa origem.

** Já que países como a Finlândia, Bulgária e Lituânia apresentam uma maior dependência ao gás russo.

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/Premier_RP_D_Tusk.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://euobserver.com/foreign/123410

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/03/10/poland-germany-ukraine-idUSL6N0M71JA20140310

Thiago Babo - Colaborador Voluntário

Mestrando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (Usp); Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP). Colaborador do Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional (NACI) e do Núcleo de Estudos de Política, História e Cultura (Polithicult). Experiência profissional como consultor de negócios internacionais. Atua nas áreas de Política Internacional, Integração Europeia, Negócios Internacionais e Segurança Internacional. No CEIRI NEWSPAPER é o Coordenador do Grupo Europa.

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