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Desafios da Segurança Pública durante dos Jogos Olímpicos em Sóchi

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Um mês antes de o presidente da Rússia Vladímir Pútin[1] dar início aos “Jogos de Inverno de Sóchi  de 2014[2], o país lançou “a maior operação de segurança da história olímpica[3]. A entrada de motociclistas é controlada e o acesso à cidade de 350 mil habitantes é proibida aos veículos procedentes do exterior que não tenham uma “autorização especial”. Ressalte-se que a “navegação no Mar Negro” também está limitada[4].

As “Forças de Segurança” foram reforçadas, embora já estivessem presentes em grande número nesta estação balneária localizada entre o “Mar Negro” e as montanhas do Cáucaso. Cerca de 37 mil agentes da Polícia e de unidades do Exército fazem parte da operação para garantir a segurança[5]. As “Olimpíadas de Inverno” vão acontecer entre 7 e 23 de fevereiro, mas as medidas de segurança vão ser mantidas até o dia 23 de março, uma semana depois do final dos “Jogos Paralímpicos”, que ocorrerão entre os dias 7 e 16 de março.

Trata-se do maior evento internacional organizado pela Rússia desde a queda da “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (СССР, na sigla em cirílico), em 1991, e um acontecimento ao qual o presidente Vladímir Pútin tem concedido muita importância, já que deseja transformá-lo em uma vitrine para o país. Algumas pessoas já tem chamado essa Olimpíada de “os Jogos de Putin”. Não se pode esquecer que, em 2018, Sóchi  se tornará a cidade-sede da “Copa do Mundo de Futebol da FIFA”.

Por causa do tamanho dos Jogos em Sóchi, muitos analistas fazem comparação com os “Jogos Olímpicos de Munique”, ocorridos no verão de 1972[6]. Naquela época, no entanto, em vez de o Evento ficar na história graças ao seu gigantismo, a Olimpíada foi marcada pela matança de 18 pessoas, entre atletas israelenses, terroristas palestinos e policiais. O responsável pelo acontecimento foi o grupo terrorista palestino denominado “Setembro Negro[7].  Pela primeira vez, o maior evento esportivo do mundo foi paralisado. Cogitou-se suspender os Jogos, mas o “Comitê Olímpico Internacional” (COI) decidiu manter a programação original.



Recentemente, três atentados terroristas aconteceram na cidade de Volgogrado (conhecida como Stalingrado durante a era soviética), a 600 km de Sóchi , entre os dias 15 de outubro e 30 de dezembro de 2013. Até o momento, Dóku Umárov[8], o líder do Дагестанский вилайет (Dagestáni Villayét)[9] foi o único separatista muçulmano que ameaçou os “Jogos de Sóchi”. O temor de novos atentados terroristas transformou a cidade  numa fortaleza, protegida por milhares de policiais e soldados acompanhadas de  medidas de segurança raramente vistas.

Após os ataques em Volgogrado, o presidente Putin afirmou que “aniquilaria todos os terroristas” na Rússia. O deslocamento das “Forças Armadas” e de “Agentes da Inteligência” na região dos “Jogos Olímpicos”, no entanto, prejudicará a “Segurança Pública” em Moscou, São Petersburgo” e outras cidades de um país enorme. As ameaças feitas antes do Evento começarem podem ser só uma “intimidação falsa”, mas é possível ocorrer a realização dos “ataques terroristas em outro(s) lugar(es). Dentre as dificuldades existentes em Sóchi que podem problematizar a “Segurança Pública” podemos destacar: a aproximação do litoral do “Mar Negro”; as rodovias estreitas (feitas na “Era de Stálin”); os engarrafamentos e relevo montanhoso.

A delegação dos “Estados Unidos”, como sempre, será grande. Nesse sentido “a cooperação” entre os serviços federais da inteligência e segurança russas e americanas tornou-se a palavra chave com a finalidade de prevenir atos terroristas e a cooperação entre Rússia e EUA poderia ser mais adequada no caso dosIrmãos Tsarnáevi e das viagens do Tamerlán no Dagestão. James Comey, diretor do Federal Bureau of Investigation” (FBI)[10], declarou estar satisfeito com o nível de interação com as estruturas de segurança da Rússia. Conforme sua afirmação, cerca de duas dezenas de agentes do FBI irão permanecer em Moscou e cerca de mais uma dezena em Sóchi.

A Rússia colocou as forças de segurança em alerta de combate na região de Stavropól, Sul do país, após a descoberta de cinco corpos com marcas de tiros e explosivos. Os corpos foram encontrados em quatro carros em dois bairros diferentes da capital de Stavropol, na região do Cáucaso, onde a Rússia enfrenta a insurgência de militantes islâmicos que ameaçam impedir a realização da Olimpíada.

Um artefato explosivo não identificado também foi encontrado perto de um dos veículos. As regiões de conflito (“Karacháy-Cherkésia” е Kabardíno-Balkária”), são próximas de Sóchi, por isso sobressaltam-se várias dificuldades, as quais podemos citar: 1) a instabilidade e o terrorismo no Cáucaso Norte” que atinge outras regiões (por exemplo, o ataque ao Aeroporto Internacional Domodedovo”, em 2011); 2) o assunto da controvérsia Circassian[11]; 3) a relação bilateral Geórgia-Rússia[12]; 4) a política russa com relação à República Abkházia[13] e 5) a dinâmica no Região de Krasnodár[14].

O primeiro aspecto da Segurança Pública” durante as Olimpíadas é cuidar fisicamente dos civis, esportistas e turistas e o modelo do acontecimento terrorista em Volgogrado, cometido por uma “terrorista suicida” no dia 29 de dezembro de 2013, que detonou uma bomba no posto de controle de armas na entrada da principal estação de trens, é um excelente estudo de caso de como isso poderá ser feito.

Uma das ações possíveis é o estabelecimento de um “Posto de Controle Preliminar” antes do posto ao lado da entrada do metrô, aeroporto, porto, sala, edifício, estádio, arena, pista etc. Assim, o “Espaço da Segurança” será maior do que normalmente, mas as condições nas cidades como Volgogrado obrigam a levar em consideração tais medidas. A finalidade é a prevenção de atentados terroristas e os “danos colaterais” menores. De forma que os únicos ameaçados passam a ser os agentes de segurança, mas esses riscos são inerentes à profissão.

Por sua vez, casos como o segundo atentado em Volgogrado, quando ocorreu um atentado suicida em um ônibus elétrico e foi efetuado por uma mulher-bomba, não oferecem muitas opções, pois a intenção e o lugar de realização de atos terroristas com homens-bomba tendem a ser imprevisíveis. Por isso, apresenta-se como um fator essencial a avaliação do risco de ocorrência de um atentado terrorista e o desenvolvimento continuado da Inteligência Estratégica”.     

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Imagem (Fonte):

http://www.cbc.ca/news/world/sochi-security-the-mystery-group-behind-russia-s-islamist-insurgency-1.2490522

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Fontes:

[1] Ver:

http://putin.kremlin.ru/bio

[2] Ver:

http://www.sochi2014.com/en

[3] Ver:

http://www.fsb.ru/

[4] Ver:

http://www.sochiadm.ru/

[5] Ver:

http://mvd.ru/

[6] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Munich_massacre

[7] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Black_September_%28group%29

[8] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Dokka_Umarov

[9] Ver:

http://vdagestan.com/

[10] Ver:

http://www.fbi.gov/

[11] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Circassian_nationalism

[12] Ver:

http://ria.ru/analytics/20140115/989374999.html

[13] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Abkhazia

[14] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Krasnodar_Krai

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Ver tambémHistory as a Weapon, The Circassian Issue Standing Between Russia and Georgia. 24 september 2011. Sergei Markedonov”:

http://eng.globalaffairs.ru/number/History-as-a-Weapon-15335

Ver também Analysys: Circassian Issue and Abkhazia – Historic Moments and Modern Challenges Circassian Issue and Abkhazia – Historic Moments and Modern Challenges. Written by Arda INAL-IPA”:

http://apsnypress.info/en/analytic/628.html

Ver também “Circassian Issue” in the Information War of Georgia against Russia”:

http://www.peacekeeper.ru/en/?module=news&action=view&id=15187

Ver também Concerns and controversies at the 2014 Winter Olympics”: http://en.wikipedia.org/wiki/Concerns_and_controversies_at_the_2014_Winter_Olympics

Ver também:

http://www.huffingtonpost.com/tag/sochi-olympics-security


Wladimír Tzinguílev - Bulgária

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).

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