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Descobrimento de novas reservas de hidrocarbonetos anima Governo angolano

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A atual queda do preço internacional do petróleo trouxe expressivos impactos negativos às contas do Estado angolano. A dependência da commodityem 2015, o petróleo representou 95% da pauta de exportação do país – demandou cortes orçamentários nos últimos anos, principalmente em setores como a educação e a saúde.

Não à toa, organizações internacionais vêm alertando para os riscos de uma crise fiscal no país, bem como aumento dos conflitos entre o Estado e a Sociedade Civil, tendo em vista o corte orçamentário em setores sociais. Em junho do ano passado (2015), o Banco Mundial concedeu um empréstimo de 450 milhões de dólares ao Governo angolano, tendo em vista auxiliar na reforma orçamentária perante a queda nos preços do petróleo.

Com tal cenário como pano de fundo, o Governo angolano e a Sonangol, empresa estatal de exploração de hidrocarbonetos, animaram-se com a recente descoberta de novos campos offshore de petróleo e gás natural. No mês passado, a Sonangol anunciou a descoberta de um enorme campo com capacidade de produção estimada em 2 milhões de barris de petróleo por dia. Se a estimativa estiver correta, a produção de Angola duplicaria, uma vez que o país, em 2015, produziu uma média de 1,76 milhão de barris ao dia.

Já na semana passada, a empresa estadunidense Cobalt anunciou a descoberta de novas reservas de gás natural no campo Zalophus #1. Atualmente, o campo é administrado de maneira partilhada, onde a Cobalt possui 40% da exploração, 30% pertence a Sonangol e 30% a British Petroleum.

No entanto, não se sabe ainda quão rentável podem ser tais reservas. Localizadas no pré-sal, a exploração de ambas seria um processo extremamente custoso, demandando alta tecnologia para tanto. Somado com o baixo preço do petróleo no mercado internacional, há alta probabilidade de que sua exploração não seja uma atividade financeiramente viável. A Cobalt, por exemplo, anunciou no começo deste ano (2016) que suas operações em Angola obtiveram um prejuízo de 30,8 milhões de dólares, no seu primeiro trimestre.

Esta conjuntura evidencia os riscos macroeconômicos de pautar a economia nacional na exploração de hidrocarbonetos. Flutuações dos preços internacionais afetam os balanços fiscais de governos como o de Angola, prejudicando a oferta dos principais serviços públicos, como saúde e educação. A consequência direta destas crises fiscais, por sua vez, é sentida diretamente na população mais vulnerável, a qual depende dos serviços públicos para educar-se e para tratamento individual. Soma-se a isso que não só em termos econômicos a diversificação da economia angolana deve ser defendida, mas também em termos ambientais.

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ImagemCentral Africa Business” (Fonte):

http://centralafricanbusiness.net/sector/oil-gas/bmi-on-oil-and-gas-sector-in-angola-congo-and-equatorial-guinea/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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