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Jamais na história da humanidade houve um número tão elevado de jovens formados e preparados para assumir o desafio do mercado global em todos os países. Ainda assim, o desemprego é um problema crescente em diversos locais do planeta e ameaça o crescimento da economia mundial, assim como a manutenção dos Estados em todos os continentes.

A globalização promoveu a internacionalização do sistema produtivo, reduzindo custos na produção, mas gerando enormes assimetrias no mercado laboral. A concentração da população e o êxodo rural das ultimas décadas – principalmente em países emergentes – e outros efeitos, tais como a integração regional, a internacionalização das empresas, a financeirização e as migrações, desestabilizaram o mercado de trabalho gerando ilhas de empregos e continentes de desemprego.

A economia do novo milênio se caracteriza pela concentração do mercado em grupos de empresas nacionais e multinacionais cuja necessidade administrativa é cada vez mais centralizada nas chamadas capitais financeiras, frente às operações que são cada vez mais expandidas, gerando a necessidade localizada de mão de obra altamente qualificada nas regiões onde se localizam as matrizes e, por outro lado, à demanda por mão de obra barata da qual se alimenta o sistema produtivo dessas empresas.

Hoje, o desemprego não se concentra apenas em países pouco desenvolvidos, mas é também uma realidade de países desenvolvidos localizados na periferia das grandes potências, tais como Espanha, Itália, Portugal etc. Assim como nos países emergentes, cujas economias oscilam entre a formação de novos polos financeiros e a existência de um vasto mercado produtivo de baixa remuneração.

Fatores sociais e demográficos além dos produtivos e econômicos também explicam o desequilíbrio do mercado de emprego, já que o crescimento econômicos dos países está fortemente ligado a mudanças sociais e demográficas que redesenham o panorama laboral das nações, sendo a integração no mercado de consumo uma forma estendida pela própria globalização como fator de sucesso e mobilização social, o problema que se deriva dessa movimentação é que a mão de obra barata é cada vez mais escassa e concentrada em países que possuem bônus demográfico.

O trabalhador do mundo atual deve enfrentar não somente as forças que moldam o mercado laboral local, como também a influência do mercado externo, já que a concorrência é cada vez mais globalizada e o avanço das telecomunicações acelera esse processo. Atualmente, um trabalhador localizado em Nova York pode ser responsável financeiro de diversas regiões do planeta sem sair do seu escritório em Manhatan.

As constantes mudanças no mercado financeiro global e no panorama político internacional e seu impacto nas atividades das empresas geram também ciclos de desemprego, pois uma multinacional que detecta problemas para produzir em um determinado país pode encerrar suas operações e concentrar suas atividades em outro país vizinhos, mantendo, assim, sua lucratividade e sua produção. Infelizmente, o trabalhador já não possui a mesma flexibilidade e a circulação de profissionais em escala global ainda é muito reduzida e só atinge setores com elevada especialização.

A baixa mobilidade formal dos recursos humanos promove ciclos migratórios que muitas vezes geram a precarização do trabalho nos países receptivos, obrigando o Estado a intervir mediante leis que protegem o mercado de trabalho e as regras para a migração, o que gera novas barreiras e dificulta mais ainda a transferência de profissionais.

A OIT (Organização Internacional de Trabalho) alertou em seu último informe sobre o aumento do desemprego em praticamente todas as regiões do planeta, ainda assim, a discussão das causas que geram o desemprego e as possíveis soluções ainda são discutidas em âmbito doméstico, sendo talvez o momento de começar a discutir o desemprego de forma internacional, já que as atividades financeiras e produtivas já foram há muito tempo globalizadas.

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Imagem (Fonte):

http://www.five365.com/wp-content/uploads/2014/01/aumenta-el-desempleo-mundial.jpg

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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