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Dhlakama assinará acordo de paz em Moçambique até o final de 2017

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Em anúncio à imprensa nesta última quinta-feira (30 de agosto), Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), afirmou que assinará um acordo de paz com o presidente moçambicano Filipe Nyusi até o final de 2017. A declaração sinaliza um fim definitivo à crise política que se instaurou no país desde 2014, logo após as eleições gerais.

Dhlakama e Nyusi já haviam se encontrado há pouco menos de um mês para a discussão dos termos necessários para pôr fim ao conflito entre os dois partidos. A esperança pela estabilidade, principiada nesse encontro, se torna ainda mais palpável após o anúncio de Dhlakama.

Principal partido de oposição, RENAMO almeja maior representatividade com reformas almejadas

Mais além de ataques discursivos ou acusações políticas, nos últimos anos a tensão entre as duas agremiações partidárias também se deu no campo armado. A RENAMO, com o fim das eleições gerais, passou a reivindicar o governo de seis províncias na região norte e central de Moçambique – reivindicação que demandava uma reforma na Constituição.  Os ataques entre os braços armados de ambos os partidos trouxeram de volta o medo da repetição de episódios similares àqueles do período da guerra civil. Não à toa, aproximadamente 15 mil pessoas migraram para o Malauí, país vizinho.

No anúncio feito na última quinta-feira, Dhlakama afirmou que uma das principais condições postas pela RENAMO para a assinatura do acordo são as eleições diretas aos cargos de governador, bem como a integração de membros do Partido ao alto escalão das Forças de Defesa e Segurança. O líder da oposição demandou cautela aos seus colegas partidários e aos observadores internacionais, demonstrando haver a necessidade da observação atenta ao cumprimento de todos os requisitos que foram postos.

O que está acordado é que o Presidente da República não pode anunciar a data das eleições em 2019 sem estes documentos estarem aprovados pela Assembleia da República, principalmente, para a eleição dos governadores”, reiterou ainda. Será o terceiro acordo de paz que o líder da RENAMO assina desde o fim da guerra civil – um fora em 1992 e o outro em 2014.

Os sucessivos acertos do passado falharam em consolidar um cenário institucional sólido, que orquestrasse o funcionamento harmônico de um sistema democrático ainda incipiente. Neste sentido, o acordo a ser anunciado ainda no fim deste ano (2017) representará um importante marco político em Moçambique: ou ele configurará como nova referência institucional de um novo sistema político, ou somar-se-á ao rol de tentativas fracassadas de articulações de interesses.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Para a consolidação do acordo de paz, Dhlakama e a RENAMO reivindicam algumas mudanças no sistema político” (Fonte):

https://www.africametro.com/headline/governor-helena-taipo-asks-afonso-dhlakamas-father-help-secure-peace

Imagem 2Principal partido de oposição, RENAMO almeja maior representatividade com reformas almejadas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Resist%C3%AAncia_Nacional_Mo%C3%A7ambicana

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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