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Diante de protestos, Governo de Camarões bloqueia à Internet

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Desde o início de 2017, Camarões, país africano bilíngue, se encontra vivendo protestos da parcela populacional de idioma inglês (anglófonos) contra o governo, que é falante da língua francesa (francófonos). Os manifestantes alegam discriminação econômica e política, e pedem até mesmo a separação da região da Ambazonia, onde se concentra a maior parte da população falante do inglês.

Bandeira de Camarões

Mediante as crescentes tensões internas, o Governo de Camarões interrompeu o acesso à Internet nas partes anglo-linguísticas do país. O governo, falante da língua francesa, detém o controle da infraestrutura de comunicações e vêm interrompendo esporadicamente o acesso na Ambazonia e demais regiões anglófonas à Internet, logo a redes sociais, como WhatsApp e Facebook, e demais aplicativos utilizados para a organização de manifestações.

O bloqueio já totalizou 150 dias no ano de 2017 e ele é possível porque a Camtel, empresa estatal de telecomunicações, detém o monopólio das infraestruturas de redes e provedoras de Internet que permitem a conexão no país. O bloqueio tem afetado também empresas e centros de pesquisa, que estão se retirando de Camarões.

O presidente Paul Biya vêm se posicionando contra as tecnologias de informação e comunicação, alegando até mesmo tratar-se de “uma nova forma de terrorismo”, perpetuada por “amadores, cujas fileiras, infelizmente, continuam a aumentar e que não têm senso de etiqueta e decoro”.

A prática de bloqueios à Internet não é exclusiva a Camarões e compõe um quadro crescente no continente africano, no qual países como Uganda e Etiópia estão bloqueando acesso à Internet em momentos políticos sensíveis, sejam eleições ou manifestações. De fato, estima-se que a interrupção de serviços e prejuízos para o crescimento econômico já custaram centenas de milhões de dólares aos governos africanos.            

Vale ressaltar que o cancelamento de acesso à Internet ou qualquer tipo de comunicação fere a recente determinação da ONU de que acesso à Internet é um direito básico da humanidade, conforme comentado anteriormente no CEIRI NEWSPAPER.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente de Camarões, Paul Biya” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APaul_Biya_2014.png

Imagem 2Bandeira de Camarões” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AFlag_of_Cameroon.svg

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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