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As análises acerca da surpreendente campanha do magnata do ramo imobiliário, Donald Trump, nas prévias do Partido Republicano, ainda foram insuficientes para esclarecer o fenômeno da sua liderança entre todos os candidatos republicanos nas primárias e caucus (assembleia eleitorais) até aqui disputados.

As vitórias em New Hampshire, Carolina do Sul e Nevada, além de sete Estados da Super Terça (Geórgia, Alabama, Tennessee, Massachusetts, Virgínia, Arkansas e Vermont), o qualificaram como favorito a levar a indicação do Partido Republicano para disputar o pleito que definirá o substituto de Barack Obama na Casa Branca, em 8 de novembro deste ano (2016).

Nesse sentido, o modo peculiar e, por muitas vezes dicotômico, de direcionar a campanha, além dos inúmeros eufemismos e adjetivos a ele elencados, trouxe para a legenda uma preocupação quanto ao futuro no sufrágio presidencial, uma vez que as principais lideranças republicanas entendem que o sucesso do candidato nas primárias não será suficiente para vencer qualquer dos adversários do Partido Democrata.

Em pesquisas recentes, fomentadas e compiladas pelo site Real Clear Politics, Donald Trump perderia para Hillary Clinton, que obteria 45,4% contra 42%, que seriam destinados ao republicano. Por outra via, caso Bernie Sanders seja o nomeado do partido governista, a derrota republicana seria ainda mais contundente, 49,8% para Sanders, contra 41,8% para Trump. Nessa ótica, para o establishment republicano há, até o presente momento, pouca margem de manobra para reagir e implementar um nome de consenso que seja menos radical que o atual candidato, que é líder da preferência, talvez por omissão do próprio Partido, que não acreditou que Trump iria longe, tal qual a maioria dos observadores e especialistas em ciência política.

O fator surpresa deixou enfim de ser roteiro da campanha do bilionário que flerta, ora com o conservadorismo mais latente, como, por exemplo, na questão da imigração, como também com a esquerda sindical, ofertando reaver as fábricas que se instalaram em países em desenvolvimento e que, por conseguinte, na sua visão, “roubaram” os empregos dos cidadãos médios. Aliado a tais questões, suas vitórias, além de amplas, foram representativas e chanceladas, pois atendem a uma base de eleitores brancos, muitos dos quais sem curso superior e que sucumbiram duramente na crise financeira iniciada em 2008.

Ainda dentro daquilo que pode ser observado na campanha, Trump, com um movimento plural, conseguiu conquistar tanto Estados moderados e laicos, caso de Massachusetts, quanto evangélicos e conservadores, ao sul, dentre os quais Alabama, Geórgia e Tennessee. A flexibilidade do empresário de adaptar os discursos às características de cada Estado permitiu ainda, ao longo do processo, desfazer o bloco tradicional republicano e aumentar o fosso que separa este eleitorado do Partido dos seus respectivos políticos com mesmo viés, fato este já observado pelo agora ex-candidato e atual governador de New Jersey, Chris Christie, que desistiu da corrida à Casa Branca, e pelo Senador pelo Estado do Alabama, Jeff Sessions, dois nomes importantes que acabam por legitimar o poder de Trump como candidato mais bem preparado para enfrentar os democratas.

Contudo, com a possibilidade de se tornar o candidato de consenso, antes de julho, na Convenção Republicana, em Cleveland/Ohio, nos bastidores do establishment há uma movimentação para tentar emplacar um nome à altura, que minimize o efeito Trump e consiga devolver aos republicanos a possibilidade de vitória no fim de 2016, haja vista que existem correntes mais extremadas no seio dos republicanos, como o senador por Nebraska, Ben Sasse, que afirmou recentemente que, caso uma vitória de Trump seja confirmada nas prévias, os conservadores norte-americanos terão que procurar uma terceira opção. Outro integrante do establishment, Pete Wehner, ex-assessor na gestão do presidente George W. Bush (2001-2009), entende como “catastrófica” uma vitória do magnata e sugere iniciativas para formar um novo Partido.

No âmbito das alternativas mais plausíveis, a primeira opção seria apostar tudo no senador texano Ted Cruz, polarizando a disputa, porém, seu conservadorismo ainda não convence os principais nomes da legenda, aliado ao fato de posições extremadas, em linha com os ultraconservadores do Tea Party, não ser a via certa a seguir, uma vez que tal posicionamento muito provavelmente não seria suficiente para angariar o número de delegados para a convenção nacional.

Outra possibilidade, ainda vinculada a atual conjuntura, seria manter Marco Rubio e John Kasich na disputa, ao lado de Ted Cruz, desde que obtenham uma quantidade significativa de delegados para impedir Trump de vencer pela maioria na Convenção Nacional. Essa análise está atrelada a votação dos 2.472 delegados republicanos que seriam responsáveis pela decisão do nomeado. Para que essa manobra seja viável, será necessário que os delegados dos três atuais concorrentes de Donald Trump, ou seja, Cruz, Rubio e Kasich, bem como outros pré-candidatos, se unam em prol de um único nome.

O mês de março, portanto, será decisivo nessa empreitada alternativa, que já começou no último sábado, dia 5, com vitórias de Cruz nas primárias do Kansas e Maine e derrotas na Louisiana e em Kentucky, cujo vencedor fora Trump. Concomitantemente, para que passe a existir chances dentro das viabilidades expostas, será de fundamental importância que as primárias da Flórida, Estado natal de Rubio, e Ohio, onde Kasich é governador, não sejam conquistadas por Trump, pois, uma vez isso ocorrendo, a corrida pela nomeação estará próxima do fim e o Partido Republicano estaria envolto em um dos momentos mais ameaçadores de sua história.

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Imagem (Fonte):

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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