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Drones, África e al-Shabaab: a política externa norte-americana para o continente africano

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As tentativas de controle global perpetradas pela política externa estadunidense oferecem resultados múltiplos, com desdobramentos passíveis de questionamento por parte de analistas críticos. Tais resultados, por vezes, culminam em efeitos contrários, que agravam e inviabilizam os objetivos que eram visados na conjuntura em que a política foi aplicada.

A política de “Guerra ao Terror”, promovida após o “11 de Setembro de 2001”, como contexto chave para determinar medidas de controle das matrizes de segurança internacional, promove, desde então, modelagens em que o papel hegemônico empreendido pelos Estados Unidos cria medidas para justificar suas ações, como defesa preventiva contra o terrorismo fundamentalista, e padronizando táticas militares para ter acesso a alvos em Estados que têm sua soberania afetada, em função dos interesses estratégicos norte-americanos.

Um dos enquadramentos mais elucidativos acerca dos modelos de controle utilizados por nações hegemônicas remete ao uso de Drones em diversos continentes, mais rotineiramente na África, e, em especial, para o caso que queremos ilustrar, na Somália.

Apenas no último mês, a tática de eliminar insurgentes, com o uso de tecnologia e menor envolvimento possível de suas tropas no combate em terra, resultou na morte de supostos 150 terroristas do al-Shabab, “The Youth”, em inglês. Tal iniciativa é crescente no chifre da África e em mais algumas porções de Estados africanos, dentre os quais Mali e Nigéria, envolvidos indiretamente com extremistas islâmicos da Al-Qaeda do Magreb Islâmico e Boko Haram, respectivamente, e também na Líbia.

A crítica sobre os usos desse tipo de ferramenta tática acarreta em discussões e inúmeros paradoxos, pois, ao passo que gera números atraentes para o comando militar no Pentágono, há também efeitos colaterais graves, que ferem os princípios básicos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e inflam as sociedades atacadas, que, entorpecidas pela propaganda insurgente, aumentam o sentimento antiamericano nessas regiões.

Ao utilizar a Somália como ponto central da reflexão, é importante salientar, paralelamente, as atividades do al-Shabab, comandado pelo Sheikh Hassan Dahir Aweys, ex-coronel das forças de segurança da Somália e atual líder espiritual do referido grupo. Ainda dentro dessa ótica, de acordo com analistas internacionais e diplomatas somalis, os resultados alcançados até o presente momento, incluindo o último ataque que também teve participação de forças especiais do AFRICOM (United States Africa Command), não são condicionantes para definir o fim do grupo insurgente, pelo contrário, uma vez que os ataques feitos em anos anteriores demonstraram o quão poderosa é a capacidade de reorganização do grupo.

Nesse sentido, as preocupações tendem a aumentar, pois, além da capacidade de regeneração rápida, os militantes passaram a exibir armamento com alto grau de sofisticação tecnológica. Um exemplo recente remete a uma bomba escondida dentro de um laptop, que ocasionou na ruptura da fuselagem de um jato comercial, matando apenas o indivíduo que portava o artefato explosivo.

Ao justificar as ações de Drones, por intermédio do desenvolvimento tecnológico e institucional alcançado pelo grupo islâmico, outras nações, dentre as quais Grã-Bretanha, Israel, China e Irã compreenderam as vantagens que tal ferramenta bélica detém, como tática principal de segurança nacional e pela eficiência. Além disso, tem-se como certeza que os Drones são responsáveis pela diminuição dos custos das operações militares, seja na esfera financeira, seja na humana, criando também menos atritos com a sociedade.

No que tange à política externa estadunidense para a Somália, há, portanto, entendimentos claros de evitar tornar Mogadíscio refúgio para grupos terroristas, como a al-Shabab, e, segundo a Casa Branca, evitar que planos de ataques contra o território norte-americano se consolidem. Nesse sentido, de acordo com analistas consultados, além de ações de contraterrorismo em campo, desde 2007, Washington forneceu mais de meio bilhão de dólares em treinamento e equipamentos para as forças da União Africana que lutam contra o al-Shabab.

Concomitantemente, no campo diplomático, a administração Obama, em 2013, reconheceu formalmente o Governo somali, após um hiato de vinte e dois anos. Porém, o primeiro Embaixador dos EUA em Mogadíscio só pode atuar através da missão baseada na embaixada dos EUA em Nairóbi, no Quênia. Apesar do tom protocolar da iniciativa de Obama, a manobra tem como objetivo prestar assistência à Somália, bem como a seus vizinhos, parceiros de muitas das potências ocidentais.

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Imagem (Fonte):

https://prod01-cdn04.cdn.firstlook.org/wp-uploads/sites/1/2016/03/reaper-drone1-article-header.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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