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O pano de fundo do corte orçamentário nos EUA

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No dia 13 de abril, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou o “4o Plano de Corte de Déficit Orçamentário” e apresentou sua perspectiva sobre a questão. Previu-se que seriam reduzidos gastos no valor de US$ 38,5 bilhões ao longo dos próximos seis meses, mas a proposta foi além, com um planejamento de reduzir 4 trilhões de dólares o déficit público ao longo desta década.

O Plano precisa ser votado pelo Congresso neste final de semana. Os observadores acreditam que ele será aceito, pois houve anúncio  de que um acordo só foi possível depois de intensa negociação entre democratas e republicanos acerca da aprovação do orçamento do governo para os próximos seis meses. Nas negociações, os republicanos exigiram que fossem reduzidos, ou extintos, os planos assistencialistas de saúde, pois, de sua perspectiva, o país não tem recursos e são estas políticas as geradoras do déficit.

Os democratas argumentam que a medida correta de redução será o aumento de impostos sobre os mais ricos, retomando o embate realizado no final do ano passado (2010), quando se votou a prorrogação da isenção de impostos, ou redução dos impostos sobre as grandes fortunas.

Nesta época, os democratas acolheram as reivindicações republicanas devido à derrota que sofreram nas eleições legislativas de novembro, mas inseriram uma séria de medidas em defesa das classes mais pobres da sociedade, de forma que todos acabaram tendo suas reivindicações de alguma maneira acatadas, daí ter caído diante do Governo e do Congresso a quebra do orçamento da administração governamental.

Se este é o pano de fundo concreto, ideologicamente há uma discussão acerca dos limites de ação e penetração do Estado na sociedade e na vida do cidadão. O embate em torno desta questão clareia a diferença entre democratas e republicanos, comportando-se os primeiros mais como social-democratas e os segundos como liberais, embora, nos EUA, os liberais sejam normalmente associados à esquerda.

As questões relativas ao plano de saúde pública nos EUA referem-se diretamente a estas questões, tanto que os posicionamentos diante disto são bandeiras programáticas e ideológicas dos dois partidos.

Analistas afirmam que Obama acatará as reivindicações republicanas porque não tem recursos e os democratas são minoria na “Câmara dos Representantes”, mas não poderá desistir do discurso de inclusão social e da aplicação algumas políticas de performance assistencialista.

Como precisa garantir sua reeleição, não pode perder o apoio do “Partido Democrata” e a saída é agir como no ano passado: ceder as propostas republicanas, mas incluir medidas que venham ao encontro das reivindicações de seu Partido. Tal procedimento foi o adotado na quarta-feira, tanto que na declaração feita está explícito o aumento dos impostos aos mais ricos, juntamente com a redução dos recursos destinados às políticas públicas de saúde.

Foi uma forma de contemplar ambos os segmentos para garantir equilíbrio e não atrapalhar seus planos de campanha eleitoral, cujo início já foi anunciado. Apesar da crença de que o “Plano de Corte de Déficit Orçamentário” será aprovado devido à urgência do país, a inclusão do aumento dos impostos dos mais ricos, já está recebendo criticas dos republicanos e isto tornará tenso o diálogo que será travado em breve.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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