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UE e “América Central” assinam “Acordo de Livre Comércio”

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Ontem, quarta-feira, dia 19 de maio, um “Acordo de Livre Comércio” foi assinado pela “União Européia” e um grupo de países da “América Central” (Panamá, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua) criando uma inédita “área de livre comércio” para um conjunto de produtos que beneficiará ambas as regiões, incrementando as relações comerciais e produzindo investimentos.

A ação está sendo denominada como um “histórico acordo de associação”, pois, como foi dito pelo presidente do “Conselho Europeu” *, o belga Herman Van Rompuy, “se refere pela primeira vez ao plano comercial, político e de cooperação”.

O “Primeiro-Ministro” da Espanha e atual “Presidente do Conselho da União Européia”, José Luiz Rodriguez Zapatero, completou o teor desta declaração afirmando que “fará aumentar as exportações da região [América Central] em 2,6 bilhões de euros e as da União [Européia] em 2,4 bilhões de euros”.

Foram vários acordos firmados, podendo ser citados:

(1) A abertura por 10 anos para a entrada de automóveis europeus nos países americanos que fazem parte do acordo.

(2) A redução, por parte da Europa, da taxa de importação de bananas oriundas da região centro-americana. Ressalte-se que o comércio entre os países das duas regiões chegou a, aproximadamente, US$ 12,32 bilhões (10 bilhões de euros), em 2009.

(3) Os fabricantes de automóveis europeus terão acesso aos mercados da “América Central” por 10 anos, e companhias do setor de serviço também terão acesso à região.

(4) Para os países centro-americanos, haverá redução das taxas de importação de bananas para 75 euros por tonelada, frente aos 114 euros anteriores, de acordo com a definição feita em Genebra, no ano de 2009.

(5) A “União Européia” abrirá o mercado para a importação de 10 mil toneladas de carne bovina e de 20 mil toneladas de arroz para os países da “América Central”. Acredita-se que o mercado potencial criado para os países da região será de 50 milhões de euros, ao ano.

(6) Quanto à exportação de produtos laticínios, a Europa aceitou reduzir a cota de 4 mil toneladas de leite e de 4 mil toneladas de queijo, para 1,9 mil toneladas de leite em pó e 3 mil toneladas de queijo.   

São alguns pontos assinalados de um projeto de associação de longo prazo que tem sido visto tanto por europeus, quanto por centro-americanos como “a consolidação de laços de preferências por uma região (América Central) considerada geoestratégica”, para os europeus, por isso a intenção de torná-la sócia de grande amplitude, pois se acredita ainda que pode ser “um motor para a recuperação econômica”.

De acordo com o “Comissário do Comércio da União Européia”, Karel De Gutch, durante uma coletiva de imprensa,  “acertou-se a possibilidades de acesso de mercado para os exportadores de ambas as partes em produtos industrializados, agrícolas, automotivos, eletrodomésticos, bancários, de telecomunicação e ambientais”.

Embora as cotas não tenham deixados felizes todos os produtores, houve concordância de que o avanço foi inédito e, apesar das críticas pontuais, o resultado tem sido visto com um sucesso pelos países envolvidos na negociação.

O processo de implantação dos Acordos será acelerado, inclusive pelo fato de já haver aceitação de Honduras, por parte dos países que assinantes. Tanto que foi dado o alerta, em especial ao Brasil, de que a “VI Cúpula da União Européia-América Latina e o Caribe” não tinha o caso hondurenho como tema.

O recado foi dado pelo embaixador da Espanha no Brasil, Carlos Alonso Zalvidar,  quando afirmou que ficará “enormemente surpreso” se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou “algum alto funcionário brasileiro” (referência direta ao “Assessor Especial para Asuntos Internacionais da Presidencia da República”, Marco Aurélio Garcia) tocassem no assunto.

Disse aos jornalistas, no dia 17 de maio: “Seria curioso e contraditório, porque o Brasil foi o primeiro a dizer que a Europa não tem nada a ver com isso. Se não tem, a questão não pode ser discutida nesse foro. Eu estranharia muitíssimo, ficaria enormemente surpreso”.

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* Para maiores esclarecimentos sobre a organização política da União Européia, consultar o site oficial: http://europa.eu/

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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