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A CHINA E O RESGATE DA “ZONA DO EURO”

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O jornal “La Tribune” (Jornal francês sobre finanças) destacou que Pequim está acompanhando com certa preocupação o desenrolar dos “Conselhos Europeus” que, desde o início de 2010,  tentam acalmar os mercados com relação à crise financeira.

Em declaração disseminada pelo “Shanghai Securities News”, o “Ministro do Comércio da China”, Chen Deming, afirmou que as medidas tomadas na Europa para resolver a crise da dívida soberana “estão transformando uma doença grave numa doença crônica. (…). É difícil dizer se as nações em crise poderão se recuperar dentro de três a cinco anos”.

 

Não é a primeira vez que o ministro do Comércio chinês se mostra “descrente quanto à capacidade de os países europeus vencerem a Crise, mas a China continua disposta a ajudar financeiramente a “Zona do Euro”, uma vez que a estabilidade européia é fundamental para que ela mantenha o crescimento econômico, pois a expansão do seu comércio precisa ser consistente com o aumento dos mercados dos países desenvolvidos.

A postura de apoio à Europa foi reforçada pelo vice-primeiro-ministro chinês, Wang Qishan, por ocasião do “3º Diálogo de Alto Nível para Economia e Comércio China-UE”, que ocorreu dia 21 de dezembro. Ele também declarou a China pretende apoiar a recuperação econômica nos países da “Zona do Euro” que estão em dificuldades, conforme relatado pelo jornal “Financial Times”.

A Governo chinês se comprometeu em comprar títulos da dívida da Grécia e Portugal, mas ainda não assumiu qualquer compromisso sobre o tamanho do investimento. Uma reportagem no jornal português, “Jornal de Negócios”, divulgou que Pequim está pronta para comprar até cinco bilhões de euros em Títulos portugueses para ajudar o país a superar suas dificuldades.

Neste momento, identifica-se que o apoio da China para o Euro está sendo orientado: (1) pelo desejo de garantir que seu maior parceiro comercial mantenha a compra de seus produtos, incrementando as importações da produção chinesa; (2) para que a UE reconheça a China como uma plena economia de mercado e flexibilize as restrições ao comércio bilateral de produtos de alta tecnologia, (3) a fim de promover o desenvolvimento amplo das relações econômicas e comerciais.

Os analistas, entretanto, recorrem a história  e a geopolítica para mostra que os interesses mútuos, vão além das simples questões comerciais, investindo também em reflexões de cunho geoestratégico para demonstrar a natureza das aproximações.

Os chineses têm consciência de que a Europa caminha sem retorno no processo de integração de nova unidade política e, para tanto, a estabilidade econômica é essencial. Neste sentido, para a China, a “União Européia” torna-se o contrapeso á Rússia reerguida e, estando a Europa economicamente reforçada, também será o ponto de equilíbrio em relação ao poderio norte-americano, que poderá contrapor-se à expansão chinesa no momento em que os interesses vitais dos EUA forem afetados. Além disso, enquanto a Europa não finaliza o processo de unificação, os chineses ganham também com as relações bilaterais efetuadas com os Estados europeus.

Nos últimos cinco anos, as relações comerciais ascenderam  para acima dos 200 bilhões de dólares, sendo os alemães os países que mais efetuam transações comerciais, seguidos pelos “Países Baixos”. Além disso, europeus e chineses caminham em passos largos para a construção de um projeto em que a associação entre ambos se constitua numa alternativa de coordenação do “sistema internacional”, uma vez que seriam os pinos articuladores das relações entre a Europa e a Ásia. Considerando a Europa um único país, seriam “União Européia” e China duas das três primeiras economias do mundo. Responsáveis, neste momento futuro, provavelmente, por aproximados 40% da economia global.

Periodicamente, tem ocorrido a “Cimeira ASEM” (“Encontro da Ásia-Europa”), que se tornou o espaço de debates políticos, econômicos e de busca por caminhos para acabar com as dificuldades geradas pelas diferenças culturais e civilizacionais.

Resultados imediatos podem ser vistos, por exemplo, no fato de a “República Popular da China” ser, desde 2004, o primeiro Estado não europeu a tomar parte do “Programa Galileo”, o “Sistema Europeu de Navegação por Satélite”, algo que gerou benefícios tecnológicos ao país.

Os chineses estão reforçando que as parcerias com a Europa são imprescindíveis, ao ponto de assumirem que vão melhorar o ambiente de investimentos, preservando e respeitando a “propriedade intelectual”, algo caro aos países da “União Européia”. Com isso, conseguirão ter acesso à alta colaboração no setor de tecnologia de ponta, o que levará a China a dar mais saltos econômicos. Desejam, como contrapartida, que os europeus recuem no protecionismo.

Além disso, esperam que se resolva a questão do comércio de armas, acabando com as restrições que a Europa impõe ao comércio de armamentos com a China. Se isso ocorrer, será uma resposta aos EUA em sua colaboração militar com Taiwan, embora os norte-americanos também estejam negociando de forma tranqüila com a “União Européia” e conseguido convergência de opiniões com os países que a compõem sobre as questões mais relevantes para o equilíbrio do sistema internacional e para a preservação da segurança global.

Analistas afirmam que é importante notar que chineses e europeus estão percebendo suas economias como complementares, se forem consideradas realistas as declarações que esporadicamente são feitas por autoridades da China e da Europa.

Neste, sentido, eles também tem apontando que o papel da Rússia passa ser cada vez mais relevante para a garantia do equilíbrio entre as potências que regularão o “sistema internacional” ao longo do século XXI, razão pela qual todos estão vendo positivamente o processo de modernização deste país, empreendido pelo seu governo.

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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