LOADING

Type to search

BRASIL E CHINA CAMINHAM PARA FORTALECER SEUS LAÇOS COMERCIAIS (PARTE – 2)

Share

Como afirmado na Análise anterior, além das “Bolsas de Valores”, o “Banco do Brasil” (BB) declarou seu interesse em entrar de vez no mercado chinês. O Banco anunciou que está trabalhando formas de participação no gigante asiático, além de estar negociando a compra de uma corretora em Cingapura e a compra de um Banco nos Estados Unidos.

 

Na China, o “Banco do Brasil” está representado por um escritório administrativo, o qual pode se transformar em uma “Agência Bancária” para prestar serviços às empresas brasileiras instaladas no país e facilitar as operações financeiras de empresas do Brasil para a China e vice-versa.

O vice-presidente de negócios internacionais e atacado do BB, Allan Toledo, disse à “Agência Estado” que a realização deste feito vai permitir que o Banco conceda empréstimos na moeda local, o Yuan, sem a necessidade de Câmbio. “Nós temos um grande comércio entre Brasil e China, mas a presença de empresas brasileiras lá é pequena”, disse o executivo do BB.

Como dito, o Banco também está negociando a compra de uma corretora em Cingapura. A intenção em operar na China e em Cingapura é para atender as empresas brasileiras instaladas na região, apesar de, segundo Allan, a Ásia não ser o foco do “Banco do Brasil”, que está priorizando sua atuação nas Américas.

O interesse em investir mais na China e a realização de mais “Acordos de Cooperação Financeira” entre os dois países pode ser um grande passo para resolver os problemas comerciais entre os dois países.

Alguns elementos que impedem a entrada de investimentos no Brasil foram apresentados em “Análise de Conjuntura” no “Site do CEIRI”, intitulada “Burocracia brasileira continua sendo criticada por investidores asiáticos”, na qual também se mostrou a opinião de representantes chineses na questão de investimentos para equilibrar a balança comercial Brasil-China.

Comparando os atuais números de investimentos do Brasil na China com os de chineses no país, percebe-se uma grande diferença. No primeiro semestre de 2008, o “Ministério de Comércio da China” relatava que os investimentos brasileiros no país chegaram a US$ 250 milhões e os investimentos da China no Brasil estavam em baixa, apontando apenas US$ 150 milhões.

Já em 2010, os investimentos chineses no Brasil chegaram à casa da dezena de bilhões de dólares, enquanto os investimentos brasileiros na China quase não sofreram alterações. Segundo artigo publicado pelo jornal brasileiro “Valor Econômico”, no ano passado, os investimentos chineses em atividades produtivas quase atingiram a marca de US$ 19 bilhões, sendo que US$ 16 bilhões foram ligados a commodities e US$ 2,9 bilhões se destinaram aos setores de infra-estrutura, energia elétrica e manufaturados. Esta segunda cifra foi comparada ao total investido pelo Japão no Brasil no mesmo ano.

O setor de petróleo foi o que recebeu o maior volume de investimentos da China, US$ 10,1 bilhões. Deste montante, somente a empresa Sinopec investiu US$ 7,1 bilhões na compra de 40% da Repsol, criando a  “Repsol Sinopec Brasil”. Outros US$ 3 bilhões foram pagos pela Sinochem para adquirir 40% do “Campo de Peregrino”, que pertencia à norueguesa Statoil.

O “Banco de Desenvolvimento da China” fechou um empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras no ano de 2009, com prazo de dez anos, acertando um aumento da exportação do petróleo para o país asiático. Nos outros setores de commodities, os investimentos chegam a US$ 2,1 bilhões em mineração; US$ 3,5 bilhões em siderurgia e US$ 330 milhões ligados à soja.

Para alguns economistas e especialistas em logística, o aumento planejado da participação de investimentos chineses ou de outros estrangeiros em infra-estrutura de transportes e nos Portos brasileiros pode contribuir para o aumento  das exportações do país para o exterior, devido a diminuição do tempo transcorrido entre a produção e o escoamento dos produtos, além da diminuição dos risco de perda. Investimentos em outros setores, como o financeiro podem ser aproveitados por parte de alguns empresários brasileiros, como meio de desenvolver novos negócios, novos serviços e realizar modernização.

As relações Brasil-China ainda têm um leque de opções de negócios não explorados.  Muitos criticam que as burocracias e as divergências entre setores impedem avanços significativos de “Tratados de Comércio” e Cooperação. Embora existam discussões comerciais, comuns nas relações entre Estados, o país não tem como ignorar a importância da China para a economia brasileira, juntamente com os Estados Unidos, já que as mudanças econômicas no país asiático também podem desestabilizar a economia do Brasil.

Para manter bons laços, o ministro das “Relações Exteriores” brasileiro, Antonio Patriota, confirmou sua visita oficial a Beijing, entre os dias 2 e 4 de março. Ele se encontrará com o seu homólogo chinês Yang Jiechi, com o primeiro-ministro Wen Jiabao e com o vice-primeiro-ministro, Wang Qishan.

Desde 1974, quando China e Brasil estabeleceram relações, e especialmente desde o início da sociedade estratégica, as duas nações melhoraram muito a confiança mútua e o comércio (…) está disposto a aprofundar a cooperação e os intercâmbios”, disse o porta-voz da Chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu.

A visita de Patriota à China será uma preparação para a visita de Estado da presidente Dilma Rousseff a este país ainda neste ano, que será um dos primeiros países na Agenda da nova “Chefe de Estado” brasileira.

Observando os Acordos e os interesses comerciais e diplomáticos, percebe-se que existem muitas oportunidades de negócios em diferentes seguimentos destas economias, mas ainda não ocorre um aproveitamento adequado destas oportunidades, sendo possível resumir as relações Brasil-China nas palavras do presidente do “Conselho Empresarial Brasil-China”, Sérgio Amaral: “É positivo que a China invista no Brasil, mas é preciso haver um equilíbrio nessa relação (…). Nós não estamos aproveitando adequadamente as oportunidade do mercado chinês”, lembrando que existe a falta de reciprocidade nas relações comerciais.
Tags:
Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.