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BRASIL E CHINA SÃO FOCOS DOS INVESTIDORES (PARTE 1): DESTAQUES ECONÔMICOS DIANTE DA INCERTEZA COM RELAÇÃO ÀS ECONOMIAS DAS GRANDES POTÊNCIAS [Errata: acrescidas fontes de pesquisa (Rodapé) e dados sobre a economia japonesa (&10)]

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Na economia internacional, quando se fala dos países emergentes e do futuro da economia global, Brasil e China estão dentro das especulações de investimentos e das projeções de recuperação mundial, em face à “crise econômica” que tem abalado o planeta ao longo dos últimos dois anos e meio.

 

Estes países são considerados “chaves”, pois são vistos como especiais em relação aos outros emergentes, apesar de todos estarem implicados na mesma projeção para esta recuperação. Para entender a importância das duas nações, o “Banco Mundial” (apresentando-se pelo Bird) divulgou uma pesquisa sobre a importância dos emergentes na recuperação econômica para este ano, 2011, disseminada por várias “agências de notícia”.*

Segundo o estudo, as economias emergentes são ou serão responsáveis por, aproximadamente, 50% da recuperação da economia internacional, prevendo o crescimento destes países em uma média de 6 pontos percentuais. Além disso, afirmam que os países emergentes ultrapassaram os países ricos, que vivem incertezas em suas economias, altas taxas de desemprego e turbulências no mercado financeiro.

Após uma expansão de 3,9% da economia mundial no ano passado (2010), é esperada a sua redução para o biênio 2011-2012, calculando-se um crescimento de apenas 3,3% e 3,6%, respectivamente. Na projeção feita, os países emergentes representarão, em 2011, pelo menos 46%  do crescimento do “Produto Interno Bruto” (PIB) em todo o mundo.

Dentre estes, os membros do grupo “BRICS” (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) serão as economias de maior importância, devido aos seus crescimentos durante e após “crise econômica internacional”. Comparando-os com os países desenvolvidos, que têm previsão de crescer apenas 2,4% em 2011, eles tornam-se atrativos para os investidores. Observando as duas médias de crescimento (dos emergentes e dos desenvolvido), ambas as nações (Brasil e China) apresentam os mercados mais interessantes e mais competitivos entre todos.

Neste quadro, o Brasil apresenta previsão de crescimento real de 4,5% de seu PIB, para 2011, e 4,1%, para 2012. “É um sinal encorajador, não apenas da saúde dessas economias, mas também do crescente papel que elas vêm desempenhando na economia global” (“BBC Brasil / “Portal Terra”), afirmou Andrew Burns, gerente de “Macroeconomia Global do “Grupo de Perspectivas de Economias de Desenvolvimento do Banco Mundial”.

Ressalte-se que todas estas expectativas podem ser alteradas, caso haja algum agravamento fiscal dos países europeus. “Essa possibilidade não apenas reduziria o potencial de crescimento da economia européia, como também poderia resultar em conseqüências negativas em países emergentes” (“BBC Brasil / Portal Terra”), declarou ainda Burns.

Pelo ponto de vista econômico, no entanto, esses dados são suficientes para aumentar o “entusiasmo” dos investidores internacionais, que apostam nos mercados do Brasil e da China. Ambos estão na lista dos 10 maiores destinos de investimentos mundiais, apresentando o Brasil taxas de expansão superiores as de Beijing, segundo dados da “Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento” (Unctad).

Entre 2009 e 2010, houve significativo crescimento na compra de empresas brasileiras por estrangeiros, deixando grande volume de recursos. O número de aquisições foi superior ao da China e duas vezes maior que as aquisições mundiais na França, por exemplo.

Para visualizar tal dimensão, nos últimos dois anos, viveu-se um cenário em que os investimentos mundiais estiveram estagnados, tendo 2010 apresentado investimento 0,7% maior que o de 2009, ano da crise. No ano passado, os investimentos somaram U$ 1,12 trilhão, contra U$ 1,11 trilhão do ano anterior (2009). Esta estagnação ocorreu por conta dos países ricos, que registraram queda de 7% nos investimentos recebidos, sendo os europeus os principais responsáveis, com queda de 22%, e o Japão, cuja economia contraiu e está estagnada, pois, de acordo com os dados apresentados, houve queda de 83% na captação de investimentos. Estas condições de incerteza das grandes economias contribuíram para o crescimento dos investimentos em terras brasileiras e chinesas, pois ambos os países passaram pela “Crise” sem significativos “danos econômicos”.

Segundo os dados da Unctad, o investimento estrangeiro direto no Brasil aumentou 16,3% no ano passado, a maior taxa dos países da América Latina. Contudo, em termos de valores absolutos, este crescimento representa menos de um terço do montante investido na China, apesar de o número de aquisições realizados ter sido maior. Isto reflete a diferença de poder, de potencial e de significado dos empreendimentos adquiridos e realizados aqui, no Brasil, e lá, na China.

O Brasil recebeu U$ 30,2 bilhões no ano de 2010, já a China teve investimentos com o montante de U$ 101 bilhões, sendo considerada como “performance emblemática” pelo Relatório. O investimento no Brasil foi inferior ao de “Hong Kong”, que chegou a U$ 62 bilhões. Acrescente-se que, se for somado ao investimento no restante da China, chega-se ao impressionante resultado de U$ 163 bilhões.

Estes dados têm gerado especulações, pois, se forem considerados os números dos BRICs, os investimentos em terras brasileiras superaram apenas os ocorridos na Índia, que apresentaram U$ 23,7 bilhões (algo preocupante para os indianos, pois eles tiveram uma queda de 31% em relação a 2009) e ficaram atrás da Rússia, que recebeu U$ 39,7 bilhões. Do grupo, a China mantém sua hegemonia em termos de atração de investimentos e surpreende com suas altas taxas de crescimento.

Assim, observa-se que o Brasil está vivendo um momento em que o equilíbrio econômico o coloca em situação atraente para o mundo, mas há algo estrutural em sua economia que gera dúvidas sobre o desenvolvimento brasileiro, bem como sobre a permanência de seu atual status internacional. Isto pode ser melhor explicitado se apresentados aspectos das ações e planejamentos chinês e brasileiro, o que será feito na segunda parte desta análise.

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* Dentre as fontes abertas usadas para fazer esta análise (Parte 1 e Parte 2), pesquisou-se o “Wall Street Journal”, “Financial Times”, “Valor Econômico”, “Estadão”, “BBC Brasil” e “Portal Terra”. No texto, foram colocados o “BBC Brasil” e o “Portal Terra”, por questões de economia de espaço e para maior facilidade de pesquisa do leitor brasileiro, que poderá acessar estes dados e informações.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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