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BUROCRACIA É UMA DAS PRINCIPAIS BARREIRAS PARA O INVESTIMENTO JAPONÊS NO BRASIL

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Na sexta-feira passada, dia 16 de abril, ocorreu a “III Reunião do Comitê Conjunto de Promoção Comercial e de Investimentos”, realizada em Brasília, quando a delegação japonesa reclamou que a burocracia brasileira é uma das principais barreiras que impedem o aumento de investimentos das empresas se seu país no Brasil.

 

Durante a reunião, apresentaram dados estatísticos positivos nas relações comerciais Brasil-Japão, para o primeiro trimestre do ano de 2010. Estas relações bilaterais apresentaram um crescimento aproximado de 14% neste período. Um crescimento positivo, pois no ano de 2009, devido à crise econômica, as relações comerciais entre eles tiveram um recuo de 25%.

Segundo Ivan Ramalho, “Ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior” (MIDIC), “isso indica que possivelmente possamos voltar ao mesmo nível de comércio de 2008”. Para o Ministro, 2010 será ótimo para as relações nipo-brasileiras e ambos os países poderão voltar a apresentar relações comerciais como as que aconteceram em 2008, quando chegou ao montante de US$ 13 bilhões.  

Além da espera por melhoras dessas relações comerciais, durante o encontro bilateral com o Primeiro Ministro Japonês, Yukio Hatoyama, na “Cúpula Nuclear” realizada em Washington, o presidente Luis Inácio Lula da Silva solicitou maior envolvimento de empresas japonesas no “Projeto do Trem-Bala” (TAV), que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Os dois líderes conversaram sobre os investimentos japoneses no Brasil e investimentos no Japão, procurando formas de aumentar essas relações.

Por outro lado, apesar deste otimismo do Brasil por um aumento nessas relações com os japoneses, há uma forte barreira para ser quebrada: o processo burocrático brasileiro. Hiroyuki Ishige, “vice-ministro para Relações Internacionais” do “Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão”, afirmou que “o Brasil é uma das economias mais significativas do mundo. Porém, a nossa impressão é que algumas instituições continuam na época em que o Brasil não tinha essa projeção”.

A delegação japonesa presente no Comitê contou com 80 representantes do governo e da iniciativa privada, deixando claro o interesse no Brasil e o desejo de fomentar ainda mais as relações entre os dois países, abrindo espaço de investimentos.

Por haver interesse, foram apresentadas dificuldades que as empresas japonesas enfrentam na realização de negócios e investimentos, gerando casos como a desaceleração de transferência de tecnologia japonesa para o Brasil, devido ao prazo de pagamento de royalties cobrados pela transferência tecnológica.

Estas tecnologias são um esforço muito forte e de anos das empresas japonesas”, disse Hiroyaki, complementando que o prazo de pagamento de cinco anos, prorrogável para mais cinco ainda é muito curto.

A lei brasileira é pouco imprecisa em relação à confidencialidade que deve acompanhar este tipo de contrato. Não estabelece claramente proteção às informações importantes no âmbito da tecnologia. Removidas as restrições, acreditamos que a transferência de tecnologia se dará de maneira mais intensa e mais fluida“, acrescentou.

O lado brasileiro pediu melhoras para as exportações da carne suína e do café para o mercado japonês, pois, de acordo com o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, esses produtos sofrem com barreiras sanitárias impostas pelo governo do Japão.

A burocracia brasileira e as barreiras comerciais japonesas para alguns produtos de exportações brasileiras foram a principal discussão do Comitê. Porém, a dificuldade de transferência de tecnologia para o Brasil é uma desvantagem para um país que deseja desenvolver seu pólo tecnológico. A tecnologia japonesa é uma das mais avançadas do mundo e pode ser uma importante contribuição para o desenvolvimento do país.

A defesa brasileira por maior abertura para produtos brasileiros no mercado do Japão é relevante contribuição para o crescimento dos setores deste produtos. Por outro lado, o empresariado brasileiro também pode fomentar e aproveitar as aberturas do governo japonês para a entrada de investimentos em seu país.

Hiroyuki insiste que “algumas instituições continuam na época em que o Brasil não tinha essa projeção“. É um problema que, segundo ele, deve ser resolvido para um benefício mútuo e para induzir o setor empresarial brasileiro a ser mais ousado em investimentos fora do país.

Ivan Ramalho, Secretário-Executivo do “Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”, confiante, afirmou que o comércio entre os dois países voltará a crescer e as autoridades competentes trabalharão de forma a contribuir para que essas relações voltem ao mesmo nível, senão maiores que as relações do ano de 2008.

Ele afirmou: “Temos confiança de que o Japão continuará sendo um grande investidor no Brasil“, mas a questão que fica aberta é quanto ao número de investidores brasileiros no Japão, país que já abriu para o mercado estrangeiro a venda de títulos do governo japonês.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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