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CHINA: A MAIOR EXPORTADORA DO MUNDO AINDA NÃO É UMA POTÊNCIA COMERCIAL

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A China fechou o ano de 2009 como a maior exportadora do mundo, conquistando o posto que pertencia à Alemanha. Embora as economias mundiais ainda sofressem com os efeitos da Crise Econômica Mundial, segundo as dados divulgados no início de janeiro pela “Alfândega Geral da China”, o país atingiu US$ 1,2 trilhão em suas exportações.

 

De acordo com os informes reunidos pela “Global Trade Information Services Inc.”, a China exportou US$ 958 bilhões nos 10 primeiros meses do ano de 2009, enquanto a Alemanha vendeu um total de US$ 918 bilhões. Desde o mês de abril do ano passado, as exportações chinesas excederam as alemãs em todos os meses.

Em meados de 2009, a OMC (Organização Mundial do Comércio) já fazia previsões de que as exportações chinesas superariam as da Alemanha. Essas previsões foram comprovadas com os dados apresentados no final do ano.

No cenário internacional, a China apresentou 8,86% da parcela do comércio exterior durante o ano de 2008 e, para 2009, era esperado que o país ultrapassasse a marca dos 9%. Ela manteve sua margem de crescimento com certa estabilidade, mesmo com a Crise mundial, sendo um dos países que conseguiu passar por ela sem sofrer grandes danos em sua economia.

Embora tenha apresentado resultados satisfatórios em diversos setores econômicos que contribuíram para o seu crescimento, alguns especialistas chineses ainda não consideram o país como uma “potência comercial”. Para eles, o país ainda não pode ser considerado dessa forma em função da estrutura dos produtos de exportação, da capacidade de inovações autônomas e da competitividade nuclear setorial envolvida na produção nacional.

Para Song Hong, Diretor da “Faculdade de Comércio Internacional da Academia de Ciências Sociais da China”, já era previsto que o país seria o maior exportador do mundo, mas não era esperada essa posição já no ano de 2009, ou em 2010. Ele apresentou dados de que nos últimos dez anos o país cresceu muito e o seu volume de vendas foi crescendo uma média de 20% ao ano. Por isso, se o país continuasse neste ritmo de crescimento já seria um dos maiores, senão o maior exportador nos próximos anos. No entanto, o que acelerou a ascensão, ao ponto de ultrapassar os alemães em 2009, foi a Crise Econômica e Financeira Internacional. Ou seja, foi um elemento da conjuntura.

Em suas palavras, “na realidade, existem dois motivos que explicam a tomada da dianteira pela China: primeiro, o ritmo do crescimento econômico chinês na última década e, em especial, nos últimos anos – um crescimento muito superior ao da Alemanha. Por isso, era apenas uma questão de tempo até que a China passasse à frente. Em segundo lugar, a crise financeira. O comércio de todo o mundo foi gravemente afetado e a Alemanha sofreu um impacto maior que a China”.

Deve-se acrescentar na explicação que os produtos exportados por ambos os países são diferentes. Os alemães exportam muitos artigos de luxo e produtos de novas e altas tecnologias, enquanto a China exporta produtos de uso cotidiano e de baixo preço. Devido à crise econômica, os produtos exportados pelos alemães perderam demanda, pois a primeira medida tomada pelos países e pelas empresas foram às reduções de custos, afetando esse tipo de exportações. Com a China foi diferente, pois os produtos de baixo preço e de uso cotidiano sofreram menos impacto com a Crise mundial.

Esses elementos também estão claros no argumento de Song, pois afirma que, “em termos de dimensão, a China cresce mesmo muito rápido. Mas, se olharmos as bases de exportação, o alicerce das nossas vendas está em fatores de produção de baixo custo, especialmente mão-de-obra barata. Os países avançados exportam produtos de alta tecnologia, como chips de computador, telas de cristal líquido e aeronaves. O nosso país vende, sobretudo, itens que utilizam mão-de-obra intensiva em suas linhas de produção, como roupas e sapatos“.

No entanto, de acordo com notas da imprensa estrangeira, a Alemanha não está preocupada pelo fato de a China tê-la ultrapassado como maior exportadora mundial, exatamente por causa desta diferença de produção. Pelo contrário, os empresários alemães consideram que o reforço do poder financeiro do “dragão asiático” trará mais oportunidades para as empresas alemãs e, desta forma, poderá contribuir para a recuperação de seu país.

Ademais, pesa na avaliação dos analistas germânicos o fato de que, dentre os produtos exportados pela China, 60% são fabricadas por empresas com maior participação de capital estrangeiro, tal qual é apresentado pelas estatísticas liberadas pelo Ministério do Comércio da China. São dados que reforçam a tese de que o país ainda não se pode considerar uma “potência comercial”.

Song compartilha dessa percepção e aponta que, para adquirir tal status, o país precisa efetuar de forma bem elaborada a reestruturação e a atualização setorial das empresas exportadoras.

Resume tal avaliação afirmando que “temos que fazer mudanças nos seguintes aspectos: elevar o nível de nossos produtos, para auxiliar sua escalada ao topo da linha de qualidade; e, o mais importante, promover o desenvolvimento de tecnologias próprias pelas empresas nacionais e a criação de produtos de marca própria por meio de inovações autônomas, orientadas por políticas científicas e tecnológicas“.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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