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CHINA FECHA 2009 COMO A MAIOR EXPORTADORA DO MUNDO, ULTRAPASSANDO A ALEMANHA

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O centro de gravidade dos negócios mundiais está se deslocando do Atlântico, onde se manteve nos últimos três séculos, para o Pacífico”. A afirmação é do ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, em artigo publicado no jornal “The Washington Post”, em meados do ano de 2006. Esta “virada” iniciou faz três décadas, tornando-se irreversível quando o país mais populoso do mundo entrou no jogo capitalista e passou a crescer aceleradamente.

 

A Agência de notícias chinesa “CRI” divulgou ontem, dia 27 de dezembro, a declaração do Vice-Ministro do Comércio chinês, Zhong Shan, na qual afirma que a China aumentou sua participação no comércio internacional em 2009 e deve fechar o ano como a maior exportadora no mundo, apesar da crise financeira, ultrapassando a Alemanha.

De acordo com os dados apresentados, em 2008, o comércio exterior da China ocupou 8,86% do cenário internacional e, neste ano de 2009, o número ultrapassará 9%, sendo a economia que mais cresceu em todo globo nos últimos anos.

Para compreender a evolução do crescimento chinês, se faz necessário realizar uma breve retrospectiva histórica, bem como um breve panorama do sistema político e econômico da China.

Atualmente, a China pode ser caracterizada como um país que possui dois sistemas econômicos sob um sistema político, que historicamente é identificado com apenas um deles e visto como antagônico ao outro.

Esta estrutura política-econômica teve seu início nos primeiros 30 anos após a Revolução Chinesa, comandada pelo líder comunista Mao Tse-tung, com a fundação da República Popular da China, em 1949, aaplicação do “sistema de economia planificada” e progressivamente uma estrutura política particular neste país.

No “sistema de economia planificada”, a produção do país é planejada por um órgão central do Estado, visando atender às necessidades sociais identificadas pelo aparelho responsável. Este sistema econômico permitiu o desenvolvimento do país, porém, restringiu o seu dinamismo e ritmo de progresso.

Com relação à estrutura política, desde 1949, o Partido Comunista da China (PCC) tem dirigido o país, sendo o socialismo o sistema fundamental da República Popular da China. Os militares e o Conselho de Estado são as organizações que também dominam o governo chinês.

A estrutura política chinesa pode ser vista, em princípio, como uma estrutura piramidal, onde as organizações partidárias se encontram do topo. Quase todos os líderes militares e do Conselho ocupam cargos de comando no Partido Comunista. Isso significa que o Partido controla firmemente o sistema político chinês, no qual a forma de governo é caracterizada pelos chineses como “ditadura democrática popular”.

Visando enfrentar os problemas relacionados ao crescimento chinês, no final dos anos 70, aChina começou a realizar reformas sobre o sistema econômico e, em 1992, determinou uma nova direção à reforma, estabelecendo o “sistema de economia de mercado socialista”, ou seja, o país usa os mecanismos de mercado do sistema capitalista, mas não adota as instituições (políticas e sociais) que acompanham esses mecanismos nos países ocidentais, como, por exemplo: as eleições diretas, os meios de comunicação com liberdade de expressão, a separação de poderes, entre outros.

Além da reforma no sistema econômico, nos anos90, aChina procurou desenvolver fortemente as relações diplomáticas com os países asiáticos, africanos, da América Latina e da Europa, preparando-se, desta forma, para uma forte atuação internacional.

Em outubro de2003, aChina lançou metas para aperfeiçoar seu sistema econômico, priorizando o desenvolvimento interno e a abertura ao exterior.

Dentro do sistema político vigente na China o poder político está concentrado no Legislativo, que governa o país com o respaldo do PCC. As leis, procedimentos e organizações refletem uma mistura complexa de prioridades do partido, num sistema inspirado no modelo soviético, e de uma gama de legislações novas que visam transformar a economia, modernizando-a, de forma a aproximá-la dos modelos que atraem os investidores e fortaleça o crescimento do país.

Realizando esta amalgama, a China comemora em 2010, o estabelecimento de um sistema de economia de mercado basicamente completo e, prevê que, em 2020, será estabelecido um sistema de “economia de mercado socialista” tido como “perfeito”, que manterá o seu crescimento, visando a meta de se tornar a maior economia do globo.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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