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Irã adverte e ameaça a Arábia Saudita

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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadnejad, afirmou ontem, dia 16 de março, que a repressão contra os manifestantes no Barein, feita pelo governo deste país, poderá ameaçar a estabilidade da região. Segundo alegado pelo iraniano, a repressão dirigida contra a minoria xiita está sendo realizada com o apoio da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA.

A questão diz respeito ao fato de o governo do Bahrein ter solicitado apoio dos sauditas, que enviaram mil soldados para auxiliar o governo bahreinita no controle da ordem interna. Usando da constante tática de propaganda, que direciona possíveis culpas para um inimigo específico com o objetivo de unificar a resposta do povo iraniano, Ahmadinejad afirmou que o envio de tropas foi articulado pelos norte-americanos.

Autoridades norte-americanas declararam que não souberam antecipadamente do envio de tropas sauditas,  algo que foi autorizado pelo “Conselho de Cooperação do Golfo”*, grupo que reúne seis países da região: Omã; Emirados Árabes Unido; Arábia Saudita, Qatar, Bahrein e Kwait.

Analistas estão considerando que as afirmações das autoridades norte-americanas são verdadeiras, pois a situação não seria positiva para os EUA, que estão envoltos em ações outras, as quais não lhes permitiriam participação em problemas bélicos na região, embora o controle da situação na pelos árabes seja positivo para os norte-americanos.

Ahmad Vahidi, ministro da Defesa do Irã, declarou à Agência de notícias (semi-oficial) Fars que o envolvimento militar saudita “vai aumentar a tensão e romper a estabilidade e a segurança da região. (…) Caso esse tipo de ato ilegal e não-estudado se torne rotineiro, a região será o centro de fogo, animosidade e conflito”.

Pelo divulgado, os membros do parlamento iraniano não solicitaram envolvimento armado imediato de seu país, mas ameaçaram, exigindo que seja dado “um ultimato à Arábia Saudita para deixar o solo do Barein imediatamente”.

Mohammad Dehqan, membro do Parlamento declarou: “A República Islâmica do Irã tem capacidade e poderio para ameaçar os interesses da Arábia Saudita e os Emirados (Árabes Unidos) em todos os lugares, e tem capacidade para fazer a Arábia Saudita se arrepender do que fez”.

Como o governo iraniano tem buscado transformar as rebeliões na região em movimentos islâmicos, a sua tendência é transformar as rupturas entre os governos e os povos como a resposta dos islâmicos contra a presença Ocidental e buscar atribuir a culpa aos EUA  tentando unir todos os muçulmanos contra eles.

Neste caso a questão segue a mesma lógica estratégica de Ahmadnejad, mas a razão apresentada pela Arábia Saudita muda o entendimento do problema, pois diz respeito ao temor do governo saudita de que as manifestações adquiram o caráter de confronto entre sunitas e xiitas em seu próprio país, levando a que os grupos xiitas na Arábia se manifestem contra a liderança sunita do governo. Ou seja, a ação tem as características de contraposição entre grupos islâmicos.

Ahamdinejad, contudo está mantendo a postura de culpar os EUA e ameaçar os governos que lhes são aliados o que explica o procedimento de considerar as manifestações como anti-ocidentais e não contra a pobreza, a violência interna, os alegados abusos de corrupção e o desrespeito aos Direitos humanos executados pelos governos dos países do Norte da África e do Oriente Médio.  Se considerar o problema desta perspectiva, verá o discurso voltado contra si, pois o governo iraniano está entre os principais que desrespeitam os Direitos Humanos no mundo.

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* O Conselho tem como objetivos fazer a coordenação, a integração e interpenetração entre os membros em todos campos visando reforçar os laços entre os povos, sociedades e governos. Neste sentido, também há cooperação militar e de Segurança.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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