LOADING

Type to search

Japão radioativo: as conseqüências para a economia do país

Share

O mundo está atento às ações dos responsáveis japoneses para conter um novo desastre nuclear, enquanto representantes da “Comunidade Internacional” cobram resultados do governo do Japão, que ainda passa internamente por uma grande preocupação: a contaminação dos alimentos e da água.

No noticiário japonês já é comum encontrar manchetes de agricultores que chegaram a se suicidar devido à perda de suas produções. Foi o caso de um agricultor de 64 anos que se matou quando foi impedido de vender a produção em Sukagawa, província de Fukushima.

No jornal “Asahi Shimbun” (um dos cinco maiores jornais nacionais japoneses) saiu a entrevista da família deste cidadão, que acusou o acontecimento na “Usina Nuclear” pela morte do mesmo, denominando o ocorrido como “assassinato”.

A situação no Japão é grave, pois grande parte de sua produção (tanto a voltada para o mercado interno como a destinada às exportações) foi atingida, impossibilitando responder à demanda nacional e ao mercado exterior, com grandes prejuízos para a economia japonesa. O país teve que adotar um meio de classificar sua produção como “infectada e não infectada” para que possa vender seus produtos ao exterior.

O Brasil já anunciou que só poderá importar alimentos japoneses que tenham indicações das autoridades sanitárias de estarem com índices de radiação dentro dos padrões internacionais, não colocando em risco a saúde da população brasileira. A Índia adotou uma medida mais rígida: suspendeu a importação de produtos japoneses durante três meses.

Em consultas e entrevistas, foi estabelecido contato* com entidades brasileiras no Japão e também no Estado de São Paulo. Foi percebida grande preocupação por parte dos japoneses que ainda dependem de doações estrangeiras, parte significativa destas realizadas por brasileiros.

Também foi feita consulta com Alexandre Imamura, residente japonês no Brasil e colunista do “International Press”. Ele informou que a população está preocupada com a contaminação de laticínios, água potável e de alguns alimentos, como o espinafre, algo que compromete grande parte da produtividade, pois a produção japonesa é muito regionalizada, ou seja, alguns itens são localizados em determinadas regiões e, caso elas sejam afetadas, o governo terá de importar estes produtos.

A situação para o Japão é extremamente complicada, pois a tragédia afetou a economia, os suprimentos, a confiança da população em relação ao seu Governo e em relação às companhias que cuidam dos reatores nucleares, mas é neste momento delicado que as relações nipo-brasileiras podem ser fortalecidas por meio de ação dos brasileiros que poderão trabalhar em socorro do país.

—————————————————————————————-

* As entrevistas foram realizadas por Fabrício Bonjardim.

Tags:
Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!