LOADING

Type to search

Economia moçambicana sob o olhar das instituições financeiras internacionais

Share

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a sua última missão a Moçambique, em mais uma etapa de controle e verificação das contas públicas deste país. Desde o ano passado (2016), quando 1,4 bilhão de dívidas contraídas por empresas estatais foram descobertos, investidores e instituições financeiras internacionais acompanham de perto os principais indicadores econômicos do país.

Alguns importantes dados sobre a economia moçambicana foram divulgados ao final da missão. A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% para 2016 preocupa analistas do FMI e investidores internacionais: é a menor taxa desde o ano 2000 e pode impactar negativamente nas arrecadações fiscais do Governo. Analistas preveem somente uma leve recuperação para a taxa de 2017, sendo esta estimada em 4,7%.

FMI configura-se como principal ator no processo de reestruturação da dívida moçambicana

O FMI aguarda a publicação completa da auditoria que está sendo realizada pela companhia Kroll. Esta empresa foi contratada em meados do ano passado para auditar as contas de três empresas estatais que estiveram no epicentro da crise da dívida: a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), a Proindicus e a Mozambique Asset Management (MAM). No entanto, a auditora vem relatando dificuldades de acessar todas as suas demonstrações financeiras.

Os dados financeiros são limitados, incluindo os extratos bancários para alguns períodos e documentação incompleta, tais como acordos de empréstimos e contratos com fornecedores. Dessa forma, tornou-se aparente que um significativo montante de informação originalmente prevista de ser detida pelas companhias moçambicanas não estava disponível”, declarou a companhia Kroll, em nota oficial.

Em contrapartida, em meio a agitação relacionada à divulgação completa da auditoria e o final da missão do FMI, um importante acordo foi selado entre o Governo moçambicano e uma outra instituição financeira internacional. Na semana passada, o Banco Mundial anunciou um programa de financiamento de 1,2 bilhão de dólares a ser implementado no país nos próximos três anos. Andrew Mbumbe, diretor executivo da instituição, declarou que o investimento será canalizado em áreas prioritárias, tais como a saúde, a educação, as infraestruturas e a agricultura.

A parceria selada com o Banco Mundial, no entanto, não será um alívio ao país frente aos problemas relacionados à crise da dívida e a desconfiança dos investidores internacionais. Na verdade, constitui-se somente como um outro lado de uma verdade iminente e arriscada: a dependência do orçamento público frente aos montantes financeiros que chegam em forma de doações e financiamentos externos.

Nessa conjuntura, a capacidade e a soberania estatal moçambicana fica comprometida pelo humor dos investidores internacionais, das agências bilaterais e multilaterais. Uma concentração da arrecadação estatal a partir dos tributos auferidos sobre o produto interno, porém, somente seria possível com um incremento da produtividade e uma consolidação de uma economia nacional sustentada em altos níveis de produção.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Economia moçambicana segue sob o olhar suspeito dos investidores internacionais” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Maputo

Imagem 2 FMI configurase como principal ator no processo de reestruturação da dívida moçambicana” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional

 

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta