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Possível agravo da situação de fome no Sahel, “Golpe de Estado” no Mali, crises políticas pela região. Analistas internacionais estão apontando alguns efeitos colaterais da “Crise na Liba” e queda do “Governo de Muammar Khadafi”. Dois deles estão gerando tensão atual na “Comunidade Africana” e preocupando a “Comunidade Internacional”.

 

A região do Sahel, que perpassa partes de mais de dez países (Burkina Fasso, Chade, Djibouti, Eritréia, Etiópia, Mali, Níger, Senegal, Mauritânia, Nigéria, Somália e Sudão, havendo citações que incluem Argélia, Camarões, Gâmbia e Cabo Verde) vive uma seca que está gerando fome, cuja tentativa de solução está sendo dificultada pela crise política que assola vários Estados ao sul da Líbia (com ações rebeldes no Níger – fronteiriço a Líbia – Nigéria e Mali), a qual foi estimulada após a rebelião e queda do governo Khadafi.

Tal situação está dificultando quaisquer ações de combate ao flagelo que assola a área, com previsões catastróficas, mesmo com os alertas do “Programa Mundial de Alimentos” (WFP/ONU) que corre em busca recursos para combater o que poderá ser uma das maiores crises de fome da história regional.

De acordo com  declaração de Stéphane Doyon (coordenador da campanha de desnutrição da “Organização Não-Governamental Internacional” “Médicos Sem Fronteiras”) o trabalho humanitário está sendo dificultado pela crise política. Em suas palavras: “A maior preocupação é com Mali. No Níger, não temos problemas de acesso, mas a segurança está reforçada. (As tensões) podem dificultar o acesso à população (desnutrida)”*. Em nota, o “Programa Mundial de Alimentos” informou que a combinação da seca com a Criseé uma receita para o desastre numa parte do mundo em que a maioria das pessoas vive do que consegue plantar”*.

Segundo o porta-voz do WFP no oeste da África, Malek Triki, “Desde o golpe no Mali, e o ataque das forças rebeldes no norte do país, o Programa Mundial de Alimentos teve de suspender suas operações ali e na região central de Mopti, onde a situação de segurança está se deteriorando rapidamente. (…). Por causa da violência, da inoperância da lei e da onda de saques, o WFP perdeu estoques de comida que tinha em seus depósitos. Isso tornará ainda mais difícil retomar nossas operações com a rapidez que gostaríamos, quando a situação de segurança melhorar”**.

A questão política apresenta o aspecto mais complexo. Há menos de mês (21 de março), um “Golpe de Estado” no Mali derrubou o presidente Amadou Toumani Touré. Foi realizado por tropas rebeldes que colocaram uma “Junta Militar” de transição, a qual havia se comprometido com o retorno de um governo civil, mas não se tem certeza do que resultará, uma vez que a região norte está dominada por tuaregues que desejam a sua autonomia. O grupo que assumiu o controle da área norte lutou na Líbia ao lado de Khadadi e, ao retorno, manteve uma organização com fins políticos emancipacionistas: o “Movimento Nacional de Liberação Azawad” (MNLA).

A situação tende a piorar, uma vez que as crises se espalharam e veio a tona sentimentos opositores que estavam sob controle com o sentimento de estabilidade política na região norte da África, ainda que em realidade ela fosse aparente e mantida sob violência. 

Abdul Aziz Kebe, especialista em relações árabe-africanas na “Universidade de Dacar”, no Senegal, declarou a BBC que “As potências ocidentais subestimaram o fato de que a derrubada de Khadafi teria sérias repercussões na região do Sahel”**.

Há suspeita de que a região se corporifique como o centro do radicalismo regional e base de operações para o mundo, pois o espaço pretendido pelos tuaregues estava se tornando base de atuação de traficantes de drogas, radicais islâmicos, dentre eles militantes da Al-Qaeda.

O receio da “Comunidade Internacional” está relacionado também com o fato de que o Mali estava se mostrando um exemplo de implantação da Democracia para os países da região***, pois, mesmo que Amadou Touré fosse militar e tenha assumido o poder em 1991 após desferir um “Golpe” contra um regime militar, ele convocou eleições e passou a construir uma base de instituições democráticas durante certo período, vindo a retomar sua posição por eleição em 2002.

Além disso, buscava formas de trabalhar com os grupos insurgente o que gerou descontentamento dos grupos militares e civis, principalmente depois de os tuaregues retornarem da “Guerra Civil” na Líbia mais organizados e com novos adeptos para sua luta emancipacionista.

A tendência entre os observadores é de que novas crises ocorrerão e se espalharão pela região, agravando os problemas sociais e a carência de recursos, gerando um ciclo que dificilmente poderá ser estagnado.

Teme-se que mais guerras civis se desenvolvam num momento em que a “Comunidade Internacional” carece de argumentos para buscar auxílio e a “Sociedade Internacional” não tem recursos suficiente para atuar, devido a “Crise Econômica” que ainda assola o globo, em especial as grandes potências européias e os EUA, que continuam trabalhando para controlá-la. O temor é de que a África, que vinha num ascendente, possa ter um retrocesso com graves conseqüências.

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Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/noticias/0,,OI5712562-EI188,00-Faixa+que+engloba+oito+paises+vira+de+foco+de+crise+de+fome+na+Africa.html

** Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/04/120404_fome_sahel_2_pai.shtml

*** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5712568-EI17615,00-Crise+de+fome+evidencia+efeitos+do+conflito+libio+na+Africa.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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