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Egito, Etiópia e Sudão se reúnem para debater construção de usina no rio Nilo

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Autoridades políticas do Egito, da Etiópia e do Sudão se encontraram na semana passada para discutir questões técnicas envolvendo a construção da usina hidrelétrica Grand Renaissance. Com um total construído de aproximadamente 64%, o empreendimento irá represar as águas do rio Nilo para a geração de energia elétrica aos três países, com uma capacidade de produção estimada de 6.000 Megawatts (MW) por ano.

Entretanto, esta grande obra de infraestrutura também está envolvida em uma série de contradições socioambientais, à medida que o Sudão e, principalmente, o Egito temem alterações drásticas no fluxo ao longo do rio. Estes câmbios hídricos poderiam prejudicar a pesca e a irrigação de plantações agrícolas locais, impactando o modo de vida de populações que dependem diretamente do nível de água do rio para a sua subsistência.

Com vistas a mitigar estas consequências, lideranças dos três países têm se encontrado recorrentemente ao longo dos últimos quatro anos (2014-2018). O encontro da semana passada foi pautado essencialmente pelos resultados de uma consultoria técnica realizada por duas empresas francesas, as quais avaliaram os riscos socioambientais envolvendo a construção da barragem.

Neste sentido, por pressão egípcia, a última conferência foi realizada às pressas, com o intuito de debater as questões técnicas envolvendo a capacidade da usina no que diz respeito à geração de energia elétrica e o volume de água a ser liberado pelas suas comportas. Ao longo do encontro, muito se argumentou – em especial por parte do Primeiro-Ministro Etíope, Abiy Ahmed – sobre como o represamento não gerará alterações drásticas no escoamento de água.

Lideranças etíopes e sudanesas discutiram aspectos técnicos envolvendo a implementação da Grand Renaissance e a delimitação de fronteiras entre ambos os países

Na ocasião, outras questões geopolíticas também foram discutidas, para além daquelas exclusivamente associadas à construção da Grand Renaissance. O Presidente sudanês, Omar al-Bashir, e o Primeiro-Ministro etíope, por exemplo, travaram uma longa discussão relacionada à demarcação de fronteiras entre os dois países, especialmente a divisa situada na região de Al-Fashaga.

Historicamente envolvida em longas disputas entre ambas as partes pelas terras férteis deste local, al-Bashir e Ahmed declararam que os limites estão claros e satisfatoriamente traçados pelos dois Estados, os quais irão prosseguir a partir de agora com a implementação de guardas de fronteiras e sinais de delimitação do território. “No que diz respeito à demarcação entre os nossos dois países, nós não temos nenhum tipo de divergências nos mapas. Nós somente precisamos acelerar o trabalho técnico para evitar futuras disputas”, declarou o Presidente do Sudão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Rio Nilo receberá uma das principais usinas hidrelétricas de todo o continente africano” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:River-Nile-near-Aswan.jpg

Imagem 2Lideranças etíopes e sudanesas discutiram aspectos técnicos envolvendo a implementação da Grand Renaissance e a delimitação de fronteiras entre ambos os países” (Fonte):

http://www.sudantribune.com/spip.php?article65328

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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