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No último domingo, 6 de outubro, durante as comemorações dos quarenta anos da “Guerra do Yom Kippur”, o Egito viveu uma nova onda de violência que deixou cinquenta mortos e duzentos e sessenta e oito pessoas feridas. Os confrontos tiveram lugar entre os partidários do Presidente deposto, Mohamed Morsi, e as “Forças de Segurança” egípcias[1]. A “Irmandade Muçulmana” nega as acusações de incitação à violência, pois não associa os últimos acontecimentos às atividades de militância desenvolvidas pelos seus membros.

Nesta semana vive-se a expectativa de novos protestos a partir da convocação dos partidários de Morsi, que acusam as “Forças Armadas” de desencadearem a violência contra os membros da “Irmandade Muçulmana”. Em contrapartida, domingo passado, no Sul do Sinai, registrou-se uma explosão nas proximidades do prédio das “Forças de Segurança” que, de acordo com informações recolhidas junto aos médicos, causou a morte de três pessoas e ferimentos em outras quarenta e oito[2]. Este ataque se deu em “Abu Zuer”, província de Ismailia, localizada a Noroeste do “Canal de Suez”, depois de um homem armado, ao Norte da cidade, ter atirado contra os militares. Nas últimas semanas, há o registro da presença de  milicianos que, em várias ocasiões,  perpetraram ataques contra as “Forças de Segurança[3].

Na segunda-feira, duas pessoas também ficaram feridas num ataque à estação de satélites estatal, no Cairo[4]. A tentativa, por parte das “Forças Armadas do Egito”, de controlar os protestos da “Irmandade Muçulmana” não tem conseguido atingir a capacidade de mobilização de seus membros. De acordo com a imprensa da região, a insurgência islâmica está a ganhar força três meses após a deposição do Presidente islâmico e da tomada do poder pelas “Forças Armadas[5].

Segundo David Hartwell, analista do “Oriente Médio”, ante a possível existência de mais explosivos no Cairo, é provável que os grupos insurgentes do Sinai estejam se infiltrando no Norte do Egito, se encontrem expandindo para além do Sinai ou, ainda, que a capacidade dos mesmos esteja sendo usada por outros grupos não ligados à Irmandade[6]. Ante estes acontecimentos, as autoridades garantem estar preparadas para conter eventuais atos de violência.

Enquanto prossegue a disputa entre asForças de Segurançae a oposição islâmica radical, o Egito permanece sem unidade nacional. A união, que congregou o país quando da guerra contra Israel, em 1973, parece não existir no presente. Esta data, que no passado significou a união da população egípcia, deixa claro que o presente é marcado pela cisão da sociedade a partir dos últimos acontecimentos. Neste sentido, é urgente a convocação de novas eleições presidenciais, bem como a abertura do diálogo dos atuais governantes com a “Irmandade Muçulmana”.

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Imagem (Fonte):

http://hereandnow.wbur.org/2013/08/14/egypt-us-policy

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2013/10/confrontos-no-egito-mataram-pelo-menos-50-pessoas-diz-governo.html

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/10/07/us-egypt-protests-idUSBRE99506720131007

[3] Ver:

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/107762-egipto-explosion-fuerzas-seguridad-sinai

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/10/07/us-egypt-protests-idUSBRE99506720131007

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Calm-returns-to-streets-after-Egypt-death-toll-hits-53-328065

[6] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/10/07/us-egypt-protests-idUSBRE99506720131007

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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