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Egito se prepara para “Eleições Presidenciais”

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Nos dias 23 e 24 de maio deste ano ocorrerá o “Primeiro Turno” das “Eleições Presidenciais” no Egito, que, da perspectiva das autoridades do país, será o desfecho de um processo iniciado com a deposição de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. O segundo o turno está previsto para ocorrer nos dias 16 e 17 de junho, caso nenhum dos candidatos consiga obter mais que 50% dos votos, levando a que os dois primeiros colocados permaneçam no páreo, no qual será declarado o vencedor.

 

Até o momento, foi anunciado que mais de 500 cidadãos se apresentaram para concorrer ao cargo, algo complexo e difícil de gerenciar, mas que tem sido considerado pelos mandatários atuais do Egito como um sinal de contentamento do povo egípcio*, porém é visto pelos analistas como o indicativo de que as instituições políticas do país ainda precisam ser construídas e organizadas.

Independente desta avaliação os egípcios caminham para o que estão considerando como um processo democrático e partiram para a “cooperação técnica” com outros países, no caso o México, em busca de informações e conhecimentos que poderão auxiliar na administração do processo eleitoral.

Neste sentido, será realizado um intercâmbio no qual uma Comitiva de 15 pessoas participará de um Seminário sobre o tema, entre os dias 22 e 24 de março, para treiná-los. Ela será composta de magistrados da “Corte Suprema de Justiça do Egito”, juízes do “Comitê Supremo para as Eleições Presidenciais” (CSEP), servidores públicos da chancelaria e pessoas vinculadas à votação, ou seja, especialistas legais juízes e servidores públicos governamentais do Egito.

Intitulado “Intercâmbio de experiência sobre administração e justiça eleitoral”** é uma parceria entre o “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento” (PNUD) no Egito e o “Instituto Federal Eleitoral” (IFE) do México.

Analistas têm apontado que as Eleições poderão correr de forma pacífica, mas o Egito ainda está reconstruindo suas instituições, mostrando que a urgência pela realização do Pleito se deve aos temores da população em relação ao “Conselho Supremo das Forças Armadas” (CSFA), sobre os quais caem suspeitas de quererem interferir na escolha do Presidente, visando à vitória de um candidato que lhe seja favorável, ou dependente de seu poder para garantir a governabilidade, tendo como contrapartida a manutenção do status dos militares, bem como a preservação dos seus privilégios e a recusa de punir os membros das “Forças Armadas” que estiveram ao lado de Mubarak ao longo dos anos, dentre eles Hussein Tantawi que foi seu ministro daDefesa e hoje lidera os militares, que prometeram entregar o poder a um civil após o anúncio do vencedor em 21 de junho.

Observadores acreditam que o processo egípcio será lento e conflituoso, com grandes momentos de tensão, enquanto não forem reestruturadas as instituições e, principalmente, entendidos os fundamentos das instituições democráticas, apesar dos sobressaltos que estão sendo dados, os quais fazem emergir fraquezas como o pouco tempo para a campanha eleitoral (começa em 30 de abril e durará apenas três semanas) e o excesso de candidatos, aspectos que certamente resultarão na pulverização dos votos, tornarão os debates superficiais e reduzirão os discursos aos conteúdos fundamentalistas, ou populistas, além de demagógicos.

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Fontes:

* Ver:

http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=488785&Itemid=1

** Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/20521/cerca+de+500+pessoas+se+inscrevem+para+concorrer+a+presidencia+do+egito.shtml

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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