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No dia 20 de dezembro de 2015, a Espanha celebrará as eleições presidenciais mais acirrada desde a restauração da democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.  O pais Ibérico foi um dos mais afetados pela Crise Financeira Internacional de 2008, que se alastrou pela região mediterrânea, resultando em uma profunda recessão econômica, acompanhada de elevadas taxas de desemprego – A Espanha chegou a registrar mais de 25% de desemprego – e somente voltou a crescer em 2014, após implementar uma série de políticas de austeridade ditadas pela União Europeia e de reduzir ao máximo os gastos e investimentos públicos.

O PP (Partido Popular) foi o responsável por implementar as medidas desde sua vitória em 2011, substituindo ao PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol) que fora por grande parte da população responsabilizado pela fragilidade econômica da Espanha no início da crise.

Embora as medidas de austeridade tenham obtido o resultado desejado na economia espanhola – cujo PIB voltou a crescer e deve aumentar entre 2,5 a 2,7% em 2015 – o desgaste social promovido pela aplicação da mesma abalou a popularidade do PP, que perdeu grande parte do apoio popular nas eleições municipais e autonômicas realizadas ao longo de 2015.

Outro efeito do desgaste na população espanhola e dos reflexos da crise econômica, foi o surgimento e/ou fortalecimento de novos partidos políticos, dentre os quais se destacam: Podemos e Cidadãos, sendo o primeiro muito parecido ao Syriza, da Grécia, e movido por ideais socialistas e revolucionários, e o segundo uma nova opção conservadora, que se considera centro-direita.

O debate político na Espanha se concentra em dois assuntos: por um lado a recuperação do estado de bem-estar e a redução do desemprego; por outro, o projeto nacionalista da Catalunha e a necessidade de defender a integridade territorial e a legitimidade do Estado espanhol.

Com os resultados positivos da economia, a ameaça de uma cisão territorial promovida pela Catalunha assim como os reflexos dos atentados de 13 de novembro em Paris, a população aos poucos se decanta pelos partidos de direita. O PP lidera as intenções de voto e pode voltar a governar, mas vai precisar de uma aliança com o Cidadãos para obter maioria absoluta no Congresso. Já o partido de oposição PSOE permanece como segunda maior força política da Espanha, porém com menos expressão, já que muitos dos seus eleitores mudaram seu voto para o Podemos, não havendo no horizonte a possibilidade de uma aliança entre ambos.

Barômetro realizado pelo jornal Elpais.com

Barômetro realizado pelo jornal Elpais.com

À diferença de Portugal e Grécia, a Espanha parece se alinhar aos interesses da União Europeia e ao crescimento da centro-direita no continente. O país é a 4ª maior economia do Bloco e possui uma considerável participação na Eurocâmara (a mesma usa o critério populacional para distribuir o número de eurodeputados), sendo importante seu apoio para a aprovação e consecução de projetos da União.

Com o aumento do discurso de integração entre os países membros e a recuperação gradual do Bloco, a Espanha pode sair fortalecida após 6 anos de crise e participar de forma mais ativa na política da região.

Estas eleições são decisivas para o futuro da Espanha, pois não somente ditará o caminho a seguir em relação a preservação da unidade territorial do Estado e uma possível mudança na Constituição para resolver o embate, como também o alinhamento do país com as mudanças geopolíticas na Europa, orientando-se em direção ao eixo Paris-Berlim e se consolidando como um player importante na formulação política e na tomada de decisão da União Europeia.

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Imagem 1 – “Barômetro realizado pelo jornal  Elpais.com” (Fonte):

https://estaticos01.expansion.com/assets/multimedia/imagenes/2015/12/03/14491564466977.jpg

Imagem 2 (Fonte):

http://elpais.com/elpais/2015/12/03/media/1449142505_535753.html

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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