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Eleições no Equador em 2017 e o contexto político sul-americano

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Na semana passada, terça-feira, dia 16 de maio de 2017, o Conselho Eleitoral Equatoriano diplomou Lenín Moreno, Presidente eleito do Equador. Sua eleição reflete o momento vivido na política sul-americana, momento de instabilidade, divisão política, crises e denúncias de corrupção. Moreno ganhou por margem apertada (51,7%) e teve a vitória contestada pelo seu opositor, o candidato Guillermo Lasso, que obteve 48,93% no pleito. A eleição de Moreno foi marcada por denúncias de fraude eleitoral feita pela Oposição. Lasso não reconheceu a vitória de Moreno, pediu a recontagem dos votos e afirmou que possuía provas do que acusava.

Dia de votação. Fonte: Twitter Lenín

Já no dia 3 de abril, logo após a eleição, o candidato derrotado havia convocado uma vigília para “evitar que se instale um governo ilegítimo no Equador”. O novo Presidente eleito foi vice-presidente de Rafael Corrêa até 2013 e é cadeirante desde 1998, após um assalto em que foi vítima. Ele é militante da causa dos portadores de deficiência e foi Enviado Especial das Nações Unidas para Deficiência e Acessibilidade. Moreno tem como primeira missão dar fim à polarização política na qual o país se encontra.

Situação semelhante ao Equador ocorreu no Peru, em abril de 2016, ou seja, com a eleição apertada entre Pedro Kuczynki, que obteve 50,12%, e Keiko Fujimori, com 49,88%. No caso do novo Presidente peruano, ele não possui maioria no Parlamento, pois os fujimoristas ocupam 73 das 130 cadeiras parlamentares.

Moreno e o presidente do Peru P. Kuczynski. Fonte: Teitter Lenín

Pode-se afirmar que, no Equador, a eleição de Moreno representou uma vitória da esquerda sul-americana, no momento em que a região faz uma conversão ao neoliberalismo com Macri na Argentina e Temer no Brasil, e a esquerda tem encontrado fortes oposições, como é o caso da Venezuela, onde o Governo Maduro enfrenta protestos de rua cada vez mais numerosos, tendo como último lance da crise o papel atribuído ao Tribunal Superior de Justiça, assumindo as funções do Parlamento, ou seja, significando que o órgão máximo de Justiça da Venezuela passaria a ter também a função de legislar.

No Brasil, o Governo Michel Temer tenta aprovar reformas extremamente impopulares, como a trabalhista e previdenciária, em um Parlamento que tem entre seus membros deputados e senadores investigados pela denominada Operação Lava Jato, a qual tem se dedicado ao combate à corrupção no país, centralizada no envolvimento de empresas privadas, parlamentares, membros do governo e funcionários da Petrobras. Alguns destes políticos, inclusive, já se encontram na condição de réus no Supremo Tribunal Federal.

Na América do Sul, os presidentes e ex-presidentes sul-americanos começam a ser implicados na Justiça por favorecimento à construtora brasileira Odebrecht por obras construídas em seus países. Este é o caso do Nobel da Paz, o presidente colombiano José Manuel Santos e também são as situações dos ex-presidentes Alejandro Toledo e Ollanta Humala do Peru, da presidente Cristina Kirchner na Argentina e de autoridades de países da América Central, como Guatemala, Panamá e República Dominicana.

As eleições no Equador demonstram polarizações políticas e fazem pensar que a eleição de Lenín Moreno é a única e solitária vitória recente da esquerda sul-americana. Este é um período de instabilidades e contestações políticas na América do Sul e de grandes desafios à democracia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Lenín Moreno em Campanha Presidencial” (Fonte):

https://twitter.com/lenin

Imagem 2 Dia de votação” (Fonte):

https://twitter.com/lenin

Imagem 3 Moreno e o presidente do Peru P. Kuczynski” (Fonte):

https://twitter.com/lenin

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Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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