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Eleições Presidenciais no Egito têm o Marechal Abdel Fattah el-Sisi como provável vencedor

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O Egito se prepara para realização das “Eleições Presidenciais” marcadas para os dias 26 e 27 de maio deste ano, segundo informou, no último domingo, a “Comissão de Eleições Presidenciais”. Após o anúncio do ato eleitoral, os presidenciáveis passaram a ter a obrigação de reunir, no mínimo, 25 mil petições notariais entre os cidadãos egípcios de 15 províncias diferentes com, pelo menos, 1.000 assinaturas cada, para dar legitimidade à candidatura e para serem elegíveis[1]. Na quarta-feira da semana passada, 26 de março, o marechal Abdel Fattah el-Sisi, de 59 anos, “Chefe das Forças Armadas Egípcias” e “Ministro da Defesa” apresentou a sua demissão para poder concorrer às Eleições[2].

Na corrida presidencial no Egito, quem aparece com as maiores possibilidades de vitória é el-Sisi, principal protagonista na queda de Muhammad Morsi, em 2013. A atuação do Marechal no processo de deposição de Morsi e no período subsequente permitiu ao militar conquistar popularidade entre os egípcios que se manifestaram contrários à política adotada pelo Presidente deposto. Hoje, el-Sisi é considerado, por muitos cidadãos de seu país, como o homem capaz de estabelecer a “ordem” num Egito que se encontra em convulsão desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011[3]. Porém, o candidato enfrenta a oposição da “Irmandade Muçulmana” que o vê como o “mentor” do golpe de estado que afastou Morsi e como o repressor dos membros daquela organização[4].

É visível o antagonismo entre o atual “Governo do Egito” e a “Irmandade Muçulmana”. A recente condenação à morte de 529 membros da Irmandade[5] fortaleceu ainda mais a rejeição dos muçulmanos apoiadores de Morsi contra o Executivo. Até à última segunda-feira, dia 31 de março, Hamdeen Sabbahi era o único opositor à candidatura de el-Sisi. Sebbahi é um político nasserista que alcançou o 3º lugar nas presidenciais de 2012.

Em 3 de maio será divulgada a lista com os candidatos aprovados para concorrer às “Eleições Presidenciais” e, no dia seguinte, terá início a campanha com duração de três semanas, tempo considerado insuficiente pela equipe de campanha, o que tem gerado preocupação. A previsão para o resultado do primeiro turno é o dia 5 de junho, sendo que a votação no segundo turno está prevista para os dias 16 e 17 de junho mas, segundo a imprensa local, é provável que a segunda etapa da eleição não ocorra, pois el-Sisi poderá vencer as eleições logo no primeiro turno[6].

A provável vitória de Abdel Fattah el-Sisi representa a permanência da “Irmandade Muçulmana” na ilegalidade e a continuidade dos protestos iniciados durante a “Primavera Árabe”, que se esvaziou quanto aos objetivos de mudança e de democratização. A princípio, aquilo que a “revolução” conseguiu alcançar de fato foi a alternância de líderes no poder, mantendo intacta a estrutura do regime político. Esta situação coloca o Egito na posição de país instável e leva ao clamor uma significativa parcela da população que reclama uma “ordem social” diferente a partir de um pulso forte. Isto gera a incerteza quanto à efetivação de um regime político democrático e a estabilidade interna do Egito a partir de ajustes políticos, econômicos e sociais que contemplem os anseios do conjunto da sociedade.

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Imagem Marechal Abdel Fattah el-Sisi” (Fonte):

http://media2.s-nbcnews.com/i/MSNBC/Components/Photo/_new/130703-egypt-el-sisi.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/97951/Egypt/Politics-/Egyptians-begin-filing-recommendation-forms-for-pr.aspx

[2] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/03/30/world/meast/egypt-elections/

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/03/30/world/meast/egypt-elections/

[4] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/03/30/world/meast/egypt-elections/

[5] Ver:

http://www.dailynewsegypt.com/2014/03/25/concern-condemnation-egypt-court-sentences-529-death/

[6] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/97951/Egypt/Politics-/Egyptians-begin-filing-recommendation-forms-for-pr.aspx

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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