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Eleições regionais na Venezuela: choque de narrativas e reação dos EUA

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No dia 15 de outubro, duas semanas atrás, foram realizadas as eleições para governadores na República Bolivariana da Venezuela. O oficialismo venceu em 18 localidades, perdendo em apenas 5, supostamente demonstrando força política em um cenário econômico de intensa crise.

O resultado significa uma diminuição da quantidade de Estados controlados pelo Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), que detinha o poder em 20 governos regionais. Por outro lado, o chavismo conseguiu vitória no Estado de Miranda, que era importante reduto da oposição.

Mapa da Venezuela, representando a vitória nas eleições. Em vermelho, oficialismo e, em azul, oposição; os tons representam a densidade populacional

Entretanto, o pleito foi percebido como uma derrota pelos opositores, cujas consultas de opinião previam vitórias em ao menos treze Estados. Enquanto o governo de Maduro alardeava o sucesso, afirmando a resiliência do chavismo, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), principal agrupamento oposicionista, convocava protestos e questionava os resultados eleitorais.

O pleito representa, assim, a continuidade e o escalonamento da polarização política e da percepção de falta de legitimidade dos órgãos eleitorais por parte dos opositores. Cabe ressaltar que as eleições foram acompanhadas por um grupo de especialistas latino-americanos, estadunidenses e europeus, mas não houve a observação por parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O questionamento ao pleito, não se limitou à Oposição venezuelana. Em 16 de outubro, o Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Ministério das Relações Exteriores) emitiu nota condenando a falta de “liberdade e justiça”, afirmando que a “voz dos venezuelanos não foi ouvida” e questionando a auditoria do Conselho Nacional Eleitoral. A nota concluía que “enquanto o governo de Maduro permanecer como ditadura trabalharemos com a comunidade internacional e levaremos todo o peso econômico e diplomático americano em apoio à população venezuelana”, que resiste ao regime. Posteriormente, a embaixadora dos EUA na Organização das Nações Unidas, Nikki Haley demandou uma auditoria independente sobre as eleições.

O Governo venezuelano respondeu às críticas dos Estados Unidos no dia 20 de outubro, a partir de nota do Ministério do Poder Popular para as Relações Exteriores, rechaçando o que caracterizou de “demonstração de arrogância”, o que considerou como sendo uma “discriminação” e “pretensão de ingerência da potência”. A nota também afirmava existir uma campanha contra o regime chavista e criticava o sistema eleitoral norte-americano. Por fim, pontuava que o país não cederá a pressões ou ameaças e fará uso de todos os instrumentos diplomáticos a seu favor para garantir sua soberania e independência.

Nesse sentido, cabe ressaltar que a retórica dos Estados Unidos, que abre espaço para pensar em alguma forma de intervenção e em sanções econômicas, é funcional ao regime chavista, pois fortalece a retórica nacionalista do governo e a disseminação da propaganda de que os problemas enfrentados pelo país têm apenas origem internacional, devido às pressões exercidas de fora.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Logo do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:CNE_logo.svg

Imagem 2Mapa da Venezuela, representando a vitória nas eleições. Em vermelho, oficialismo e, em azul, oposição; os tons representam a densidade populacional” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Elecciones_regionales_Venezuela_(Densidad)_2017.svg

Livia Milani - Colaboradora Voluntária

Mestre e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais "San Tiago Dantas" (UNESP,UNICAMP, PUC-SP) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Participa do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP). Pesquisa principalmente nos seguintes temas: Segurança Regional, Política Externa, Integração Regional, Relações Brasil-Argentina, cooperação em Defesa na América do Sul, Relações Inter-americanas.

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