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Em Angola, José Eduardo dos Santos deixa a presidência do MPLA

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Na última sexta-feira (27 de abril), o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA) anunciou que José Eduardo dos Santos não será mais o seu líder. Em setembro deste ano (2018), o MPLA irá escolher, em assembleia, o seu novo líder, o qual muito provavelmente será o atual Presidente do país, João Lourenço.

O anúncio põe fim definitivo ao protagonismo de José Eduardo dos Santos, consolidando o atual processo de transição no alto escalão da política nacional. Desde a posse de Lourenço, em setembro do ano passado (2017), uma série de ministros e formuladores de políticas públicas foram apontados pelo novo Presidente, fazendo emergir uma nova forma de ação estatal.

Mercado internacional vê com bons olhos as reformas propostas por Lourenço

Entre as principais medidas tomadas por Lourenço estiveram aquelas que trataram de reduzir o espaço de atuação de parentes de José Eduardo dos Santos em altos cargos do Estado e do setor privado. Isabel dos Santos, por exemplo, foi afastada no ano passado da presidência da Sonangol, a principal empresa de petróleo. Também na mesma linha, José Filomeno dos Santos, filho do ex-Presidente, foi deposto em janeiro deste ano do cargo de diretor-geral do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), órgão responsável por investimentos públicos em iniciativas econômicas e sociais.

Ao longo dos últimos anos, o FSDEA esteve no epicentro de um escândalo de corrupção envolvendo Filomeno dos Santos, o qual é acusado de desviar do organismo cerca de 1,5 bilhão de dólares de maneira ilícita. Como novo episódio deste caso, na semana passada Lourenço retirou a empresa suíça Quantum Global como gestora do fundo, com vistas a reduzir os possíveis laços entre o antigo diretor-geral do fundo e o FSDEA.

Mediante a estas movimentações, o mercado internacional tem reagido positivamente à agenda proposta pelo novo Mandatário. Na semana passada, por exemplo, a Fitch, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, declarou que há uma perspectiva positiva para as avaliações futuras sobre o país. Entre as principais razões estão a retomada dos preços internacionais do petróleo – principal produto de exportação de Angola – e as reformas econômicas e políticas propostas por Lourenço.

Neste sentido, a provável subida deste como o novo líder do MPLA resume um evidente processo de ruptura com a coalizão política liderada por José Eduardo dos Santos nas décadas precedentes. De igual maneira, a gradativa consolidação do atual Presidente como líder máximo de Estado e do partido consolida um cenário político favorável à implementação de suas almejadas reformas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Após 38 anos como Presidente, José Eduardo dos Santos se retira gradativamente da vida política de Angola” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jos%C3%A9_Eduardo_dos_Santos-16062014-edit.jpg

Imagem 2Mercado internacional vê com bons olhos as reformas propostas por Lourenço” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Luanda_Skyline_-_Angola_2015.jpg

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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